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R renda 90 mil milhões de euros durante dez anos. O montante será da Independente, da Moderna e da Internacional deveu-se a motivos
E suficiente para cobrir as perdas sofridas pelo erário público com o mais relacionados com a gestão do que a aspectos pedagógicos.”
V TARP, o programa anti-crise norte-americano. (Isabel Leiria, Expresso, 23 de Janeiro de 2010)
I Barack Obama diz que desta forma se repõe a justiça na sociedade
S norte-americana já que os visados pela taxa são as empresas que 4 Contabilistas
T nos últimos anos praticaram ‘lucros excessivos’ e que permitiram o “A sociedade portuguesa encontra-se atravessada por uma intensa
A pagamento de ‘prémios obscenos’. batalha ideológica, e política. Encontra-se, de um lado, gente para
Num discurso feito após a apresentação oficial da medida, Obama quem despesa acima do rendimento, e consequente défice, não têm
adiantou que o seu ‘compromisso é recuperar o dinheiro dos con- limite; ignoram o problema ou, quando se vêem confrontados com
D tribuintes até ao último cêntimo’. ‘Queremos o nosso dinheiro de ele, acham que não é seu; odeiam contas. Encontra-se, do outro
E
volta e vamos consegui-lo’.” lado, gente que gosta ou se sente obrigada a fazer contas e que
(Jornal de Negócios, 15 de Janeiro de 2010) acha que, cedo ou tarde, há limites que têm de ser observados (res-
C trições orçamentais, como nos ensinaram, em casa e na escola).
O 4 “Offshores” exigem milhões ao BPP Alguns dos primeiros gostam de apelidar os segundos, sobretudo os
N “Duas sociedades offshore – uma sediada no Panamá e outra nas mais notáveis, de contabilistas. Trata-se de uma expressão depre-
T Ilhas Virgens Britânicas – avançaram com um processo cível con- ciativa, assente na ideia feita de que os contabilistas são gente tra-
A tra o Banco Privado Português (BPP), exigindo a devolução de balhadora e modesta, a quem infelizmente falta, por vezes, alguma
B cerca de 10 milhões de euros investidos naquele banco. A acção já mundivivência ou uma apurada formação humanística e cultural.
I está a correr no Tribunal Cível de Lisboa. Além do BPP, no banco Apelidar alguém de contabilista, neste sentido, é uma expressão
L dos réus estão as anteriores administrações, a Deloitte, empresa de falta de caridade e de soberba.
I auditora das contas, e o Estado português. (...) Em tempos de luta mais intensa entre os dois campos, como os que
D A Deloitte, empresa que auditava as contas do BPP, também é forte- vivemos, o uso da expressão leva-nos mais longe. Quem não gosta
A mente criticada pelas autoras da acção cível. ‘O seu trabalho iludiu ou se recusa a fazer contas apelida os outros de contabilistas; mais
D a realidade, pois a garantia de fiabilidade que devia ser imprimida do que perante uma expressão de soberba, que só atinge quem a
E pela sua certificação revelou-se um logro de grandes dimensões’, utiliza, encontramo-nos perante a expressão de um perigo público.”
consideram as duas offshores, adiantando ainda que, ao nível da (Daniel Bessa, Expresso, 30 de Janeiro de 2010)
E auditoria das contas, ‘houve vária informação relevante que foi
omissa ou distorcida, com relevância directa para os utilizadores 4 Fraude fiscal apanhada na Operação Furacão já recu-
F das demonstrações financeiras’. As sociedades dão vários exemp- perou 81 milhões de euros ao Estado
I los de relatórios de auditoria para justificarem as acusações.” “O Estado já recuperou 81 milhões de euros com o caso Operação
N (Diário de Notícias, 17 de Janeiro de 2010) Furacão. O balanço de quase cinco anos de investigação, foi feito
ontem pela procuradora-geral adjunta Cândida Almeida, que lidera
A 4 Fiducial procura “converter” empresas de contabilidade esta mega-investigação de fraude fiscal. À margem de uma confe-
N ““(...) existem em Portugal cerca de 80 mil técnicos de contas, dos rência sobre competitividade, em Lisboa, a directora do DCIAP
Ç quais apenas cerca de 30 mil exercem a actividade enquanto em- disse ainda que o prejuízo do Estado deve ascender a 280 milhões
A presários/empresas. No universo das empresas de contabilidade, de euros. Cândida Almeida comprometeu-se recentemente em
S apenas 1250 possuem um volume de negócios anual superior a 75 anunciar as primeiras decisões já este mês.”
mil euros/ano. ‘A conclusão é simples: temos um mercado muito (Diário Económico, 3 de Fevereiro de 2010)
N.º fragmentado, onde só cerca de 4% das empresas possuem condi-
100 ções para sobreviver com rentabilidade’. ” 4 Multimilionário acusado de crimes financeiros
(Ilídio Faria, director da Fiducial, Vida Económica, 22 de Janeiro de 2010)) “Até aos mais ricos a sorte chega ao fim. Huang Guangyu foi acu-
sado de suborno, abuso de informação privilegiada e negócios ile-
4 Portugal é recordista em escolas superiores gais, revelaram as autoridades chinesas. O seu julgamento será o
“Portugal ocupa, muitas vezes, o último lugar nas comparações in- maior deste tipo jamais realizado no país. De 40 anos de idade,
ternacionais. Mas há um indicador em que lidera: na Europa, ninguém Huang está preso preventivamente há 14 meses. Em Outubro de
tem mais instituições de ensino superior por habitante. E também nin- 2008, o empresário havia sido nomeado o homem mais rico da
guém terá tantos cursos com nomes tão diferentes: perto de 5 mil. China, com uma fortuna estimada em 4,63 mil milhões de euros.
48 ‘O caso português é anormal em número de instituições. Mas o pro- Um mês depois, a polícia prendeu-o por suspeita de ter manipu-
lado o valor das acções de duas empresas. Até então, Huang era
blema mais grave é o do número excessivo de cursos. Há forma-
ções abstrusas com corpos docentes abstrusos’, critica Vítor Crespo,
ex-ministro da Educação e autor do estudo onde é feita esta com- reverenciado pelos media como sendo um empresário modelo.”
(Diário Económico, 17 de Fevereiro de 2010)
paração. Segundo o levantamento do antigo professor de Coimbra,
o país contava, em 2006, com 17 instituições de ensino por milhão 4 Porque faliu o Lehman Brothers?
de habitantes (entre universidades, politécnicos e outros estabeleci- “Quase um ano e meio depois do colapso do Lehman Brothers, que
mentos públicos e privados). De então para cá, fecharam três uni- atirou o Mundo para uma crise financeira sem precedentes, surgem
versidades privadas, o que não é suficiente para alterar o rácio. as primeiras respostas para a grande pergunta: porque faliu aquele
Na UE, não há igual ou sequer parecido, tirando os casos de Chi- que era um dos maiores bancos de Wall Street? O relatório de 2.200
J pre e Estónia, países com menos de 1,5 milhões de pessoas e que, páginas entregue na semana passada no Tribunal de Nova Iorque,
a por isso, devem ser excluídos dessa comparação. No Reino Unido, aponta o dedo ao antigo CEO, Dick Fuld, cuja actuação foi ‘no mí-
n que coloca várias universidades no topo dos rankings internacio- nimo grosseiramente negligente’. Diz também que as contas foram
e nais, a relação é de 2,9 por milhão de habitantes. Em Espanha é de manipuladas, com a conivência do auditor: a Ernst & Young.
i 2,1. E na Grécia, com quem somos frequentemente comparados Conclui o relatório que a falta de liquidez foi ‘a questão central do
r pelos piores motivos, é de 3,4. porquê da falência’ do banco norte-americano. E quem a precipitou
o Nem sempre foi assim, explica Vítor Crespo. Ao contrário do que foram os credores, entre eles o Citigroup e o JPMorgan, que exigi-
/ acontecia em vários países da Europa Ocidental, Portugal entra no ram mais e melhores garantias.
O facto de o banco ter ficado sem dinheiro para pagar a dívida deveu-
século XX com apenas uma universidade, a de Coimbra. Mas
M acaba o mesmo século a criar instituições atrás de instituições – -se à engenharia financeira da equipa de gestão liderada por Fuld, que
a só universidades ou estabelecimentos equivalentes foram 29 em é acusada de ‘manipulação do balanço’. Como? Terão mascarado a
r 25 anos –, para dar resposta a um número cada vez maior de jo- situação de liquidez do banco, com operações de titularização com
ç vens que começava a procurar o ensino superior. colateral que não foram reportadas. Desta forma, o Lehman Brothers
o O sistema cresceu, atingindo uma dimensão pouco razoável face aos conseguiu reduzir a sua alavancagem e apresentar um balanço sau-
recursos do país, criticam alguns especialistas. ‘Há excesso de cur- dável, escapando à turbulência que já se fazia sentir nos mercados. Ao
2 sos, provavelmente de instituições e certamente falta de professores mesmo tempo evitou cortes de ‘rating’, que poderiam aumentar os
0 qualificados’, diz Alberto Amaral, presidente da nova Agência de Ava- custos suportados pela instituição, enganando os investidores.
1 liação e Acreditação do Ensino Superior. É a este organismo que ca- Uma fraude que contou com a colaboração da Ernst & Young, a au-
0 berá avaliar todo o sistema e mandar fechar qualquer curso que não ditora responsável pelas contas. O relatório revela que a Ernst &
tenha qualidade, o que nunca aconteceu até agora. O encerramento Young teve também um papel importante ao aprovar as contas que

