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ESTRUTURA ORGANIZACIONAL DA                                                             R
                                                                                                                E
                               CONTABILIDADE NO BRASIL                                                          V
                                                                                                                 I
                                                                                                                S
                                                                                         José Antonio de França 1  T
                                                                                      Juarez Domingues Carneiro 2  A
                                                                                  Maria Clara Cavalcante Bugarim 3
                                                                                                                D
         Resumo                                            à formação acadêmica há mais de mil estabelecimentos  E
         O texto faz uma abordagem histórica da contabilidade  de ensino superior (universidades, centros universitários
         brasileira a partir da abertura dos portos com a chegada  e faculdades isoladas) que oferecem o curso de gradua-  C
         da Família Real Portuguesa ao Brasil em 1808. Des-  ção. Com vistas ao fortalecimento do ensino e pesquisa  O
         creve as iniciativas de formação da profissão contábil  há  três programas de doutorado e mais de dez progra-  N
                                                                                                                T
         brasileira a partir dos Guarda-Livros, dos Técnicos em  mas de mestrado criando inteligência e capacitando
         Contabilidade e posteriormente com a participação dos  professores para a pesquisa e ensino da contabilidade,  A
                                                                                                                B
         Contadores. Aborda sobre a criação das escolas de  porém ainda insuficientes para atendimento da demanda  I
         comércio, do ensino superior e dos cursos stricto sensu  por esses cursos.
                                                                                                                L
         e sobre a inserção das normas brasileiras de contabili-                                                 I
         dade no mercado global com a convergência às normas  2. Antecedentes                                   D
         internacionais de contabilidade. Por fim conclui que cabe  As iniciativas de criação das Escolas de Comércio tam-  A
         ao Conselho Federal de Contabilidade a representação  bém foram responsáveis pelo movimento de criação da  D
         legal e única de toda a classe e profissão contábil brasi-  profissão Contábil. Em 1905, o Decreto 1.339, que criou  E
         leira composta pelos  Técnicos em Contabilidade e  a Academia de Comércio do Rio de Janeiro, determinou
         Contadores, e que somente ao Contabilista é assistido o  que seria mantida habilitação profissional para as fun-  E
         direito de assinar demonstrativos contábeis internos e  ções de Guarda-livros, com conteúdo de conhecimento
         externos de empresas e demais entidades jurídicas no  básico em contabilidade. Em 1931, por meio do Decreto  F
                                                                                                                 I
         Brasil, bem como somente ao Contador qualificado em  20.158, foram criados os cursos de Guarda-Livros e  N
         exame específico é assistido o direito de realizar audito-  Perito-Contador. Em 1932, o Decreto 21.033 instituiu a
                                                                                                                A
         ria das demonstrações contábeis.                  obrigação de assinatura dos livros comerciais e docu-  N
                                                           mentos de contabilidade por Guarda-Livros e          Ç
         1. Contextualização                               Perito-Contador, que àquela época dividiam o prestigio  A
         A Contabilidade brasileira registra sua história ainda na pri-  de assinar referidos livros com outro profissional deno-  S
         meira parte do Brasil Colônia (séculos XVI a XVIII), mas foi  minado  Atuário. Em 1943, o Decreto-Lei 6.141
         a partir chegada da Familia Real Portuguesa ao Brasil, na  determinou que o ensino comercial fosse ministrado por  N.º
         primeira década do século XIX, que a Contabilidade prati-  cursos de formação, de continuação e aperfeiçoamento,  100
         cada no Brasil integrou-se às práticas contextualizadas de  entre os quais constava o curso de Contabilidade, cujo
         registro e controle vigentes no restante do mundo. Com a  concludente recebia o título de Guarda-Livros. Em 1945,
         abertura dos portos brasileiros às nações amigas em  o Decreto-Lei 8.191 estabeleceu que o concludente do
         1808, o Rei D. João VI institui a Contadoria da Corte e  curso de Contabilidade deveria ser titulado com o
         determinou o uso das partidas dobradas. Em 1850 o Impe-  diploma de Técnico em Contabilidade em substituição ao
         rador D. Pedro II promulgou o Código Comercial Brasileiro  título de Guarda-Livros. Ainda em 1945 o Decreto-Lei
         que institucionalizou a profissão de Guarda-Livros como  7.988 criou o ensino superior de Contabilidade e Atuária,
         agente auxiliar do comércio. A formação técnica por meio  com duração acadêmica de quatro anos, cujo conclu-  45
         de conhecimento formal somente viera a ocorrer na pri-  dente deveria ser titulado com o diploma de Bacharel em
         meira década do século XX com a criação das Escolas de  Ciências Contábeis e Atuaria. Porém, em 1951, por meio
         Comércio do Rio de Janeiro, de São Paulo e Juiz de Fora.  da Lei 1.401, os cursos de Contabilidade e de Atuaria
         A partir dessas iniciativas outras escolas de comércio  foram separados e, em 1958, a Lei 3.384 conferiu com-
         foram criadas e o ensino da Contabilidade foi difundido,  petência profissional aos Bacharéis em Contabilidade
         tendo sido precursor do desenvolvimento industrial do Bra-  (curso superior) e aos Técnicos em Contabilidade (nível
         sil iniciado na primeira metade do século XX. O   médio), estabelecendo restrições para atuação profis-
                                                                                                                 J
         coroamento dessas iniciativas, de promover o desenvolvi-  sional do Técnico em Contabilidade, situação prevalente  a
         mento da Contabilidade no Brasil, deu-se com a criação  até os dias atuais. As principais restrições à atuação do
                                                                                                                n
         dos cursos superiores em ciências contábeis e com a  Técnico em Contabilidade são a proibição de realizar
                                                                                                                 e
         regulamentação da profissão de Contabilista, ainda na pri-  auditoria, perícia e avaliação patrimonial.  i
         meira metade do século XX. Ancorada nesse suporte legal
                                                                                                                 r
         e no fortalecimento da Academia (universidades), a profis-  3. Segregação e quantitativos da profissão contábil  o
         são contábil brasileira cresceu quantitativamente e  no Brasil
                                                                                                                /
         qualitativamente, criando arcabouço e estrutura conceitual  A partir da segregação das competências profissionais do
                                                                                                                M
         próprias integradas às melhores práticas exigidas por enti-  Técnico em Contabilidade (nível médio) e do Bacharel em  a
         dades reguladoras a nível global, destacando-se neste  Ciências Contábeis (nível superior), a profissão convive  r
         momento o esforço de convergência às normas interna-  com as duas categorias profissionais: categoria de Téc-  ç
         cionais de contabilidade editadas pelo IASB.      nico em Contabilidade e categoria de Contador (Bacharel  o
         Para alcançar o estágio atual de desenvolvimento, os  em Ciências Contábeis após habilitação pelo Conselho de
         profissionais de contabilidade do Brasil promovem even-  Contabilidade) e os conteúdos programáticos da forma-  2
         tos contábeis durante todo o ano, como convenções  ção profissional das duas categorias também são     0
         estaduais, regionais e nacional de contabilidade, bem  distintos.  A categoria de  Técnico em Contabilidade,  1
         como participam de eventos internacionais. Vinculados  embora quantitativamente ainda muito numerosa está em  0
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