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R                           RECORTES DE IMPRENSA
       E
       V
        I
        S       Alguém acredita nestes números?                  Sousa, investigador do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lis-
                                                                  boa, ‘os factores que mais contribuíram para o evoluir da imagem negativa
       T       “Dois terços das empresas não pagam IRC e metade delas declara prejuízo.  de Portugal têm que ver com questões de natureza ética e de corrupção,
       A       Alguém acredita que a situação é assim tão catastrófica? A intuição aponta  nomeadamente os desperdícios de recursos públicos, os desvios de dinhei-
               para uma resposta negativa a esta dúvida. De onde se deduz que as em-  ros públicos, os favoritismos em decisões fundamentais, o peso da burocra-
       D       presas (ou muitas delas) recorrem a todos os artifícios possíveis para esca-  cia, leis mal feitas que alimentam a discricionariedade ao nível da gestão de
       E       parem aos impostos. E, agora que a austeridade aperta, a questão ganha  mercados públicos, e o papel da justiça’.
               redobrada importância. Ou seja, o Estado precisa de aumentar a sua base
               de tributação de impostos, sob pena de continuar a beneficiar o infractor.  A justiça, para Luís de Sousa, é mesmo um problema: ‘A justiça tem prestado
       C                                                          um mau serviço com níveis de desempenho escasso, permitindo a percep-
       O       Nesta quinta-feira, no Parlamento, o secretário de Estado dos Assuntos Fis-  ção de que o sistema é ineficaz, tendo, por isso, um peso muito negativo na
       N       cais, Sérgio Vasques, anunciou um novo pacote de combate à fraude e eva-  competitividade económica do País’.
       T       são  fiscal,  E  especificou  mesmo  a  criação  de  indicadores  de  base  (Licínio Lima, Diário de Notícias, 27 de Outubro de 2010)
       A       técnico-científica para avaliar as empresas, especialmente as PME. Horas
       B       mais tarde, José Sócrates e Teixeira dos Santos anunciaram as medidas de   Como pôr as pequenas e micro empresas a pagar IRC?
               austeridade para 2011, mas do lado da receita foram omissos em relação a
        I      este novo mecanismo de fiscalização das empresas, que pode fortalecer os
       L       cofres do Estado. Porquê? Sem resposta, esta dúvida cava legítimos senti-  “Ano após ano, as estatísticas vão mostrando que pelo menos metade das
                                                                  empresas apresenta prejuízos e não paga IRC. O actual secretário de Estado
        I      mentos de injustiça.”                              dos Assuntos Fiscais, numa alusão recente ao problema, disse que não se
       D                               (Jornal de Negócios, 1 de Outubro de 2010)  podia esperar mais para o resolver. E deu a entender que este seria o ano
       A                                                          em que se avançaria com os afamados métodos indirectos de tributação (o
       D        O mercado e as empresas não se auto-regulam      que tecnicamente se designa de indicadores de base técnico-científica). Mas
       E                                                          a proposta de Orçamento de Estado foi omissa. José António Barros, presi-
               “Todos os acontecimentos provaram, e o senhor Alan Greenspan veio fazer  dente da AEP, acha que é um bom sinal: ‘Temos de pugnar pela transpa-
       E       esse mea culpa, que o mercado e as empresas não se auto regulam e que,  rência. A introdução de métodos indiciários seria muito grave’, afirmou o
               pelo contrário, têm tendência a cometer excessos. Isso obriga a que haja li-  responsável durante o Fórum ‘Projecto Cidadania – Pensar a Fiscalidade’.
               mites, polícias e sanções. O pior é que a humanidade não aprende. Já pas-  Mas o certo é que a medida está há vários anos prometida no Código do
        F      sámos por várias bolhas especulativas, vamos ver qual será a próxima.  IRC, sem que saia do papel. João Amaral Tomaz, que já teve experiência
        I      Espero que sejam introduzidas regras mais apertadas, sobretudo nos mer-  governativa, explica porquê: ‘Montar um sistema desse género é muito com-
       N       cados financeiros. Esta crise que está a atingir profundamente as econo-  plexo e pesado. Além de ser necessário definir regras minuciosas, é preciso
       A       mias, sobretudo na Europa, foi despoletada pelo sector financeiro nos EUA.  actualizá-las permanentemente, à medida que as condições de mercado
       N       É bom que ninguém se esqueça disso. E quem está a pagar, e muito caro,  sectoriais se alteram’. E dá o exemplo espanhol, onde as pequenas empre-
                                                                  sas são tributadas pelo que se designa de um ‘sistema de módulos’. Um ta-
               são milhões de desempregados na Europa. Devíamos ter o direito de, pelo
       Ç       menos, ter assento na Reserva Federal americana, ou algo semelhante.”  xista, por exemplo, pagará IRC em função da área que cobre, da densidade
       A                                                          populacional, do facto de o dono do táxi ser ou não condutor, da dimensão
        S                     (Nicolau Santos, Jornal de Negócios, 1 de Outubro de 2010)  da frota, de haver trabalho por turnos... uma imensidão de variáveis. Luís Na-
                                                                  zaré, administrador da Gestíssimo, propõe uma solução mais simples: a in-
                Boas práticas de governo societário
       N.º                                                        trodução de uma colecta mínima de IRC em função do volume de negócios
                                                                  seria o ideal para recuperar a receita e simplificar a vida administrativa e fis-
       103     “Uma das grandes apostas da CMVM neste mandato de Carlos Tavares foi  cal das empresas.”
               no ‘corporate governance’. Foi sendo cada vez mais exigente nas regras e
               recomendações às cotadas em matéria de bom governo societário, criando   (Jornal de Negócios, 8 de Novembro de 2010)
               um código, o único que existe em Portugal. Elabora um relatório anual com
               base em inquéritos a empresas. Este ano um grupo de trabalho fez uma ava-   Carlos Tavares defende normas comuns
               liação independente a algumas cotadas.”
                                                                  “O presidente da CMVM defendeu ontem que as contas públicas dos Esta-
                                       (Diário Económico, 11 de Outubro de 2010)
                                                                  dos tenham normas comuns, permitindo melhor avaliação por parte dos in-
                                                                  vestidores.  Carlos  Tavares  referiu  que  existem,  por  exemplo,  critérios
                Fisco dos EUA envia cheques a 70 mil mortos      contabilísticos diferentes entre países e, também que a ‘definição do perí-
      34       “A administração fiscal dos Estados Unidos enviou por erro mais de 70 mil  metro do que é o sector público difere de Estado para Estado’. O acesso a
               cheques, com reembolsos de impostos num total de 18 milhões de dólares  informação ‘uniforme e transparente’ permitiria que os investidores a anali-
                                                                  sassem ‘sem necessitar de grande apoio das agências de ‘rating’, salientou.”
               (13 milhões de euros), a contribuintes já falecidos. Os serviços endereça-
               ram cheques de 250 dólares a 71 688 contribuintes, a título de ajuda incluída
                                                                                        (Diário Económico, 24 de Novembro de 2010)
               no plano de relançamento da economia adoptado em 2009 pelo Governo
               de Barack Obama, explica o relatório de uma inspecção sobre os paga-   Economia não registada pesa 24%
               mentos da Segurança Social.
                                                                  “O Observatório de Economia e Gestão de Fraude da Faculdade de Econo-
               Porém estes destinatários já tinham entretanto falecido. O documento adianta  mia da Universidade do Porto vai apresentar no dia 9, Dia Internacional da
               que só cerca de metade dos cheques foram devolvidos ao fisco.
       O                                                          Luta Contra a Corrupção, o Índice de Economia não Registada. Trata-se de
        u      O porta-voz da Segurança Social afirmou que ‘os nossos pagamentos no  uma investigação única em Portugal e que concluiu que o peso desta eco-
        t      âmbito do plano de relançamento foram exactos em 99,8% dos casos’.”  nomia tenha sido de 24,2% do PIB em 2009.”
        u                                                                                (Diário de Notícias, 2 de Dezembro de 2010)
        b                              (Diário de Notícias, 15 de Outubro de 2010)
        r                                                          E os auditores?
        o       Portugal está cada vez mais corrupto
                                                                  “Todos nós confiávamos que havia contas auditadas. Claro que a Deloitte
        /      “Portugal está cada vez mais corrupto. Em apenas uma década, o país pas-  dirá que o banco não lhe dava as informações todas dos contratos de re-
               sou do 23º lugar, em 2000, para o 32º lugar, demonstrando uma tendência
       D       de depreciação no ranking mundial da corrupção, segundo o relatório da or-  torno absoluto. Eu não sou auditor mas a ideia que tenho é de que uma au-
        e      ganização não governamental Transparência Internacional (TI), ontem di-  ditoria num banco não se limita a verificar se os contratos estão lá ou não.
        z      vulgado. Ainda assim, na comparação entre este ano e o ano passado  Há muitos outros movimentos. O BPP todos os meses pagava milhões de
        e      regista-se uma melhoria: em 2009 Portugal ocupava o 35º lugar.  juros aos clientes e isso passava pelas contas dos clientes. Esse dinheiro
       m                                                          não era pago em notas dentro de um saco. Havia uma circulação de dinheiro
        b      ‘Estes indicadores não deixam satisfeitos os investidores internacionais sé-  enorme no banco que passou ao lado de toda a gente. Aliás, o banco cres-
        r                                                         ceu muito nos últimos anos.
        o      rios’, disse ao DN Luís de Sousa, o presidente da Transparência e Integri-
               dade, Associação Cívica (TIAC), entidade que é contacto em Portugal da  Por isso, o caso BPP é um misto de fatalidade de mercado e Dona Branca.”
        2      Transparency Internacional. ‘Mas, para os investidores ávidos de lucros rá-
        0      pidos, habituados aos métodos da corrupção, Portugal tende a tornar-se um  (Jaime Antunes, Diário Económico, 2 de Dezembro de 2010)
        1      paraíso’, frisou. A que se deve esta depreciação numa década? Para Luís de
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