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A razão de ser da internacionalização
Fotografia de Owen CL em Unsplash
Eduardo Sá e Silva
Docente do ISCAP e investigador de CEOS.PP
Doutor em Ciências Empresariais
No momento atual, a globalização e a internacionali- mento do comércio internacional, a expansão do investi-
zação são conceitos que estão intimamente ligados. A mento além-fronteiras, a homogeneidade acrescida dos
globalização é o processo que leva à crescente integra- padrões de consumo e, em última análise, a maior apro-
ção dos mercados, enquanto a internacionalização é o ximação entre povos. Deste modo, as empresas têm,
movimento de crescente presença de empresas fora dos por um lado, de lidar com a competição internacional
seus mercados domésticos. A internacionalização tem nos seus mercados domésticos e, por outro lado, de
vindo a ser cada mais relevante, à medida que a globali- penetrar nos mercados externos para tirar partido das
zação se acentua. novas oportunidades de negócio.
Conforme refere Costa e Carvalho (2016) “a globali- A internacionalização consiste basicamente “no de-
zação é o processo de maior interdependência e interco- senvolvimento de novos mercados, trata-se de uma es-
nexão entre países. Esta interdependência faz com que tratégia que permite às empresas um crescimento mais
acontecimentos económicos, políticos, sociais, ambien- veloz do que a adoção de uma estratégia de desenvolvi-
tais que ocorrem numa determinada parte do mundo mento de novos produtos” (Ansoff, 1965) .
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tenham impactos noutras regiões do globo”
Hollensen (2011) tem uma definição mais atual e
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Isto só é possível com o desenvolvimento das teno- considera que a internacionalização “ocorre quando a
logias da comunicação, dos transportes, o acesso à edu- empresa se expande a nível de I&D, produção, vendas e
cação, etc.. Este movimento de globalização tem condu- outras atividades de negócio nos mercados internacio-
zido a uma padronização dos gostos, preferências, com- nais. Refere ainda que no caso das PME, a gestão da
portamentos e valores das pessoas e, consequentemen- empresa considera cada negócio internacional como
te, dos consumidores. O conceito de país tem vindo a distinto e individual”.
esbater-se. Muitos produtos são concebidos de forma
cada vez mais modelar, ou seja, pode ser concebido Independentemente do autor, a internacionalização
num determinado país, fabricado noutro, montado num tem subjacente uma ideia comum, ou seja, a internacio-
outro e distribuído, finalmente, noutro. A cadeia de valor nalização como processo de expansão para mercados
espraia-se por vários países. internacionais que permite à empresa um crescimento
mais sustentado. Este processo de expansão pode ser
Deste modo, a globalização tende a transformar o numas vezes ser crescente e continuado, enquanto nou-
mundo num só mercado. Os brinquedos são fabricados tras vezes pode ser intermitente, em consequência de
na China e vendidos em todo o mundo, os refrigerantes avanços e recuos, conforme a atratividade dos merca-
americanos (caso da Coca-Cola) tem aceitação generali- dos. Esta atratividade depende de vários fatores, nome-
zada, o café africano é consumido por todo os povos, os adamente, fatores económicos, sociais, políticos, éticos,
automóveis fabricados na Europa são conduzidos por ambientais, etc..
pessoas em todo o mundo, etc… Assim, cada vez mais,
o mercado é o mundo. Deste modo, as empresas muitas vezes defrontam-
se com uma de duas opções: ou são competitivas em
Já não é pois possível encarar a atividade de uma
empresa somente no contexto do seu mercado domésti- ——————————————————————
co. A crescente interligação entre países induziu o au- 1 Definição referida na obra de Costa e Carvalho (2016, p. 67)
2 Definição referida na obra de Costa e Carvalho (2016, p. 68)

