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A VELHA ALEMANHA ESTÁ VIVA!
Félix Meireis
Todos sabemos que a maior economia do mundo é há muito tempo a dos EUA.
O japão chegou a ocupar muitos anos a segunda posição, mas foi superado pe-
la China em 2010, que após um crescimento vertiginoso nas décadas anteriores,
já lhe tinha permitido superar a Alemanha.
Agora, e de acordo com as previsões do outono do FMI, e depois de 13 anos no
terceiro lugar, o Japão prepara-se para ceder esta posição à Alemanha na lista
das maiores economias do mundo em 2023. O PIB nominal do Japão deve cair
0,2% em 2023 e ficar pelos 4,23 biliões de dólares, ficando abaixo das previsões
para o PIB nominal da Alemanha, que o FMI estima venha a ser de 4,42 biliões
de dólares no final de 2023.
Na liderança continuam os Estados Unidos e a China. Os norte-americanos ocu-
pam o lugar cimeiro da lista, com uma previsão de crescimento do PIB nominal
de 5,8% para 26,94 biliões de dólares. A China mantém o segundo lugar, ainda
que o PIB nominal recue 1%, para 17,7 biliões de dólares.
A queda do iene em relação ao dólar e ao euro é um dos grandes motivos por detrás desta mudança entre as
maiores economias do mundo. A moeda japonesa aproxima-se dos 150 ienes por dólar e 160 por euro. Valo-
res semelhantes só em 2008.
Esta desvalorização deve-se em grande parte às diferentes políticas monetárias adotadas pelos japoneses e
norte-americanos e europeus. Enquanto a Reserva Federal nos Estados Unidos, primeiro, e o Banco Central
Europeu na Europa depois, decidiram pelo aumento das taxas de juro para combater a inflação, o Japão tem
insistido numa política de manutenção dos juros diretores em valores mínimos. A Bloomberg diz que o fim da
taxa de juro negativa só deve ser decretada pelo Banco do Japão no próximo ano.
A previsão de um crescimento mais estável a longo prazo na Alemanha, ainda segundo a Bloomberg, ao con-
trário do que se prevê para o Japão, é um dos principais fatores de preocupação para os decisores políticos
japoneses, que preparam a aprovação de um novo pacote económico, que há anos sucessivos não tem surti-
do grande efeito.
E é assim que vemos a “velha” Alemanha recuperar, apesar de todas as vicissitudes, o estatuto de terceira
economia mundial. Que seja de alguma forma uma boa notícia para a economia portuguesa …

