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RECORTES DE IMPRENSA                                                                R
                                                                                                                E
                                                                                                                V
                                                                                                                 I
          Ratings                                         dutos ligados ao crédito subprime quando já o mercado imobi-  S
                                                           liário colapsava. Isto é, como classificavam de excelente o que  T
         “David  Korten, economista norte-americano,  professor  em  era lixo?                                  A
         Harvard,  bem  avisou  na  sua  obra  ‘The Post-Corporate World’
         que depois de triunfar sobre o comunismo, no final dos anos 80,  Raymond McDaniel, o presidente da Moody’s, disse que a sua
         o capitalismo se preparava para triunfar sobre a democracia. E aí  agência só dera opiniões, just opinions. E o presidente da Stan-  D
         está como o mundo desenvolvido e supostamente democrático,  dard & Poor’s, Deven Sharma, respondeu mesmo: ‘Expressáva-  E
         que escolhe os seus dirigentes por sufrágio, vive neste momento  mos a nossa opinião’. Quer dizer, a aldrabice que ocasionou a
         desregulado, mergulhado numa instabilidade suicida, através de  maior crise económica desde 1929 foi apresentada como um sim-  C
         uma regulação baseada em ‘ratings’. Os povos europeus da zona  ples e equivocado ‘lindo dia!’ dito quando chove a potes lá fora...  O
         euro, entre os quais Portugal, estão de facto a ser governados ou  Esta semana, saiu o relatório do Senado e lá se diz que a Moody’s  N
         desgovernados pela Fitch, a Moody’s e a Standard & Poor’s,  e a Standard & Poor’s foram ‘o gatilho que espoletou a crise fi-  T
         agências privadas de notação financeira nas quais ninguém votou.  nanceira’. E diz também que a aldrabice não era ingénua pois  A
         É uma pressão tremenda exercida sobre governos democratica-  dera às agências de rating isto: ‘Aumentaram a sua facturação e  B
         mente constituídos por empresas privadas, que os poderes políti-  aumentaram a compensação paga aos seus executivos’. Foram  I
         cos  e  empresariais  sustentam  para  que  o  mito  do ‘mercado’  estes  opinadores  que  decretaram  a  falência  de  Portugal  e  L
         persista e se imponha acima de todas as opções. O ‘mercado’  lançaram o País numa autoflagelação danada. Esta semana, Pas-  I
         está acima dos povos, das nações, das livres escolhas, da lógica,  sos Coelho encontrou um turista finlandês num restaurante. E,  D
         das regras, dos princípios, da economia. Este deus também criou  para ilustrar a situação em que estamos, contou aos jornalistas o  A
         os seus demónios, que agora se erguem e ameaçam as leis do  que o turista lhe lançou: ‘Espero não ser obrigado a pagar-lhe o  D
         ‘mercado’ com as armas da agiotagem e da ganância.  jantar...’ Fiquei espantado por nenhum jornalista ter perguntado a  E
                                                           Passos: ‘E o senhor para onde mandou o finlandês?’.”
         Observando a situação actual, pode concluir-se que os apren-                                           E
         dizes de feiticeiro já nem sempre controlam as suas criaturas. E  (Ferreira Fernandes, Diário de Notícias, 17 de Abril de 2011)
         é assim que as empresas privadas se arrogam como arautos e                                             F
         promotores do caos e da desordem financeira, sobre cujas ruí-                                           I
         nas marcharão os triunfadores da crise. Porque a crise tem vence-   Arquitectos propõem ao Governo tabela mínima de hono-  N
         dores, provavelmente alguns, poucos, entre os melhores clientes  rários contra a concorrência desleal  A
         das agências de notação financeira.                                                                    N
                                                           “Em nome da luta contra a ‘concorrência desleal’ dos que fazem  Ç
         David Korten, mais dia, menos dia, ainda chega à conclusão que  ‘arquitectura numa manhã ou ao fim-de-semana’, Eduardo Souto  A
         o capitalismo se prepara agora para triunfar sobre si próprio, auto-  Moura juntou-se a outros arquitectos de renome, como Álvaro  S
         destruindo-se. Mas isso já Karl Marx dizia.”      Siza Vieira, e, com a Ordem dos Arquitectos, vão apresentar ao
                                                           Governo a proposta de criação de uma tabela mínima de ho-  N.º
                    (João Paulo Guerra, Diário Económico, 4 de Abril de 2011)  norários, revelou o arquitecto à ‘Vida Económica’.
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                                                           Para já, estão a traduzir a legislação alemã sobre a matéria, que
          Primeiro contacto técnico do FMI
                                                           lhes serve de inspiração, de modo a ‘fazer as adaptações’, para
                                                           que, ‘ainda este ano, seja possível fazer essa proposta ao Go-
         “Hotel Tivoli? Daqui, do aeroporto, é um tiro... Então o amigo é o  verno’, explicou.
         camone que vem mandar nisto? A gente bem precisa. Uma cam-
         bada de gatunos, sabe? E não é só estes que caíram agora. É  Criticando  as  consequências  da  liberalização  dos  honorários
         tudo igual, querem é tacho. Tá a ver o que é? Tacho, pilim, dólares.  ocorrida após a adesão de Portugal à CEE, em 1986, Souto
         Ainda bem que vossemecê vem cá dizer alto e pára o baile... O  Moura lembra que, desde então, ‘cada um leva o que quer’, o que
         nome da ponte? Vasco da Gama.                     motiva ‘pessoas com menos escrúpulos – que as há sempre – a  33
                                                           fazerem projectos muito baratos’.
         A gente chega ao outro lado, vira à direita, outra ponte, e esta-
         mos no hotel. Mas, como eu tava a dizer, isto precisa é de um gajo  ‘Eu posso fazer uma casa numa manhã, sem muitos pormenores,
         com  pulso.  Já  tivemos  um  FMI,  sabe?  Chamava-se  Salazar.  sem maqueta, sem integração das especialidades, sem acom-
         Nessa altura não era esta pouca-vergonha, todos a mamar. E  panhamento de obra, dizendo ao empreiteiro que se desenrasque
         havia respeito... Ouvi na rádio que amanhã o amigo já está no  e este até fica contente porque não tem ali o chato do arquitecto’.
         Ministério a bombar. Se chega cedo, arrisca-se a não encontrar  O problema, diz, é que ‘a boa arquitectura não se faz ao fim-de-
         ninguém. É uma corja que não quer fazer nenhum. Se fosse  -semana’. Trabalhar assim é ‘concorrência desleal’.”
         comigo era tudo prà rua. Gente nova é qu’a gente precisa. O meu
         filho, por exemplo, não é por ser meu filho, mas ele andou em Re-
                                                                                   (Vida Económica, 29 de Abril de 2011)
         lações Internacionais e eu gostava de o encaixar. A si dava-lhe                                        A
         um jeitaço, ele sabe inglês e tudo, passa os dias a ver filmes. A                                      b
         minha mais velha também precisa de emprego, tirou Psicologia,   Vinte administradores ocupam mil lugares  r
         mas vou ser sincero consigo: em Junho ela tem as férias mar-                                            i
         cadas em Punta Cana, com o namorado. Se me deixar o contacto  “Cerca de 20 administradores acumulavam funções em 30 ou  l
         depois ela fala consigo, ai fala, fala, que sou eu que lhe pago as  mais empresas distintas, ocupando, em conjunto, mais de mil lu-
         prestações do carro... Bom, cá estamos. Um tirinho, como lhe  gares de administração, entre eles os das sociedades cotadas,  /
         disse. O quê, factura? Oh diabo, esgotaram-se-me há bocadinho.”
                                                           lê-se no relatório anual sobre o Governo das Sociedades Cotadas  J
                                                           em Portugal, ontem divulgado pela Comissão do Mercado de Valo-  u
                   (Ferreira Fernandes, Diário de Notícias, 13 de Abril de 2011)
                                                           res Mobiliários (CMVM). O caso mais extremo refere-se a um ad-  n
                                                           ministrador que pertencia aos órgãos de administração de 62  h
          Chega de nos flagelarmos                        empresas. ‘A acumulação de funções patente nestes números  o
                                                           poderá ser um motivo de reflexão para os accionistas destas em-
                                                                                                                 2
         “Em 29 de Abril 2009, uma comissão de inquérito do Senado  presas’, escreve o supervisor.”              0
         americano ouvia as agências de rating. Um senador quis saber                                            1
         como era possível elas terem dado a nota máxima (AAA) a pro-  (Marta Marques Silva, Diário Económico, 20 de Maio de 2011)  1
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