Page 32 - rcf1105_Neat
P. 32
R A altura escolhida não foi a mais adequada por duas or- glesa, quanto mais não seja pelo facto de as mais im-
E dens de razões: portantes instituições internacionais de Contabilidade a
V usarem como língua oficial, o reconhecimento já não é
I - Sendo a organização destes Congressos da respon- tão unânime. Recordo a reivindicação, relativamente re-
S sabilidade dos quatro ISCA (Porto, Lisboa, Coimbra e cente do CILEA (Comité de Integração Latino Europa
T Aveiro), não se compreende que no dia 19 de Maio, América) junto do International Accounting Standards
A
dia em que, em 1759, foi criada a Aula de Comércio e Board (IASB), para a necessidade de, com urgência, esta
em que anualmente se realiza a sessão solene co- Organização adoptar o espanhol como língua oficial con-
D
E memorativa do dia do ISCAL, o Congresso estivesse juntamente com o inglês, invocando o peso dos milhões
a decorrer no Porto. Desconhecemos se a escolha de utilizadores do espanhol nos produtores e nos uti-
C das datas foi da iniciativa do ISCAP (Escola respon- lizadores da informação financeira de natureza con-
O sável pela concretização do XIII Congresso) ou dos tabilística nas mais diversas entidades, mas também no
N quatro ISCA, mas não foi uma boa escolha. Ensino e na Investigação, a nível planetário.
T
A - Para além dos objectivos científicos e técnicos natu- Mas, já na Europa, em meados do século passado, foram
B ralmente ligados a qualquer Congresso, os organiza- feitos esforços internacionais para garantir que a termi-
I dos pelos ISCA sempre pretenderam ter uma nologia contabilística técnica e científica tivesse corres-
L componente de iniciação dos estudantes, no mínimo pondência em diversas línguas, com a óbvia intenção de
I os da Escola organizadora, a este tipo de eventos es- evitar a hegemonia de uma única. Estes esforços con-
D senciais para no futuro irem acompanhando a evolu- cretizaram-se, então, na publicação de um léxico multi-
A
D ção da Contabilidade e do estado da arte. O fim lingue. Ao que me recordo, e estou a afirmalo de
E próximo do ano lectivo e os exames à porta também memória, Portugal esteve representado pela Sociedade
desaconselhavam esta data. Portuguesa de Contabilidade, apoiada nos aspectos lin-
E guísticos pela Sociedade da Língua Portuguesa.
3. Tanto e afinal tão pouco inglês
F
I
N O Congresso teve como participantes uma larga maioria 4. Sobre os Congressos Internacionais
A de falantes em português, sendo a segunda maior pre-
N sença, muito provavelmente, a de falantes em espanhol. Não é a utilização de uma língua, ainda que considera-
Ç As outras línguas (incluindo o inglês) tiveram um número da de conhecimento obrigatório, que dá qualidade a
A de presenças sem qualquer significado, mesmo con- um Congresso e aos seus participantes. Também não
S siderando os convidados da Organização. Note-se que é a selecção das matérias a debater nas sessões, a
estou a usar a palavra falante para a primeira língua dos
N.º participantes, a utilizada quotidianamente na vida particu- partir de interesses corporativos, de escola ou de
105 lar e mesmo na vida profissional. moda, que valorizam os Congressos. Só quando, a
nível regional, ou mundial, os melhores profissionais,
incluindo investigadores e docentes, sentem necessi-
O Congresso escolheu definir-se por uma expressão em
dade de participar activamente, com alguma ou muita
inglês, que aliás se adoptou para titular esta crónica. Os
frequência, num Congresso, este atingirá o estatuto de
documentos distribuídos com origem na Comissão Or- Internacional (ou de referência). Até lá, será um con-
ganizadora estavam praticamente todos em inglês, in-
gresso que se vai realizando com a periodicidade es-
cluindo os certificados de presença entregues aos tabelecida, útil e necessário, mas onde muitos
participantes. As intervenções institucionais de abertura e intervenientes fazem uma comunicação melhor ou pior
32 de encerramento foram feitas primeiro em inglês e depois alinhavada e ficam a assistir ou vão logo embora, ou-
em português. Numa das salas das sessões paralelas,
ao que julgo, só foram admitidas comunicações em in- tros passam uns dias de convívio, encontrando antigos
e novos colegas de profissão ou de disciplina de es-
glês.
tudo ou docência, mas não têm grande disponibilidade
para se afundarem em questões complexas, novas ou
Por um lado, houve a preocupação da Comissão Organi-
fracturantes. Quando muito ouvem com atenção. Mas,
zadora de utilizar o inglês, em meu entender para além do os Congressos, sejam de referência ou não, são im-
que seria razoável, enquanto as comunicações foram
portantes para que quem se interessa possa tomar
feitas numa percentagem elevadíssima em português, contacto com novos caminhos, novas perspectivas e
sendo destas muito significativa a participação brasileira, alternativas ao pensamento dominante, se questione
A provavelmente maioritária nas sessões paralelas. No con-
b vívio que, naturalmente, se estabeleceu entre os partici- sobre tudo o que sabe e faz, mesmo que tudo acon-
r pantes, predominaram o português e o espanhol, sendo teça da forma que descrevi.
i
l o inglês residual também aqui.
Para terminar, chamo a atenção para um aspecto que
/ Se os documentos da organização estivessem em por- tem alguma importância mas que não se iniciou agora:
tuguês e simultaneamente em inglês, e mesmo eventual- a redundância destes Congressos serem identifi-
J mente noutras línguas (espanhol, por exemplo), cados como de Contabilidade e Auditoria. Quanto a
u
n consideraria uma boa solução, mas não foi isso que acon- mim, deveriam ser de Contabilidade, apenas de Con-
h teceu. tabilidade. Dada a natureza abrangente do termo.
o Note-se que esta posição não é incompatível com a
Daí dizer: tanto e afinal tão pouco inglês. realização de Congressos de especialidades dentro da
2 Contabilidade como: Auditoria, História, Contabilidade
0
1 Por outro lado, no que à Contabilidade se refere, apesar de Gestão ou outras, o que aliás vai acontecendo um
1 de ser por todos reconhecida a importância da língua in- pouco por todos os Continentes.

