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desculpa para implementar políticas nacionais.     Face à dificuldade em obter auxílio da Alemanha para su-  R
                                                           perar carências que parecem essencialmente estruturais,  E
        Por outro lado, a integração e os fundos comunitários foram  perante a ameaça de chineses e outros poderem adquirir as  V
        em grande parte responsáveis pelo abandono da agricultura,  principais empresas e outros activos estratégicos portugue-  I
        pela destruição das pescas e de algumas indústrias, com re-  ses, importaria captar o interesse da Noruega para a explo-  S
        flexos no desemprego e no aumento da dependência ex-  ração  de  petróleo  no  mar  e  na  plataforma  continental  T
        terna quanto a determinados produtos.              nacional e obter IDE compatível com as capacidades actuais  A
                                                           do país, nas áreas em que existam vantagens comparativas.
                                                                                                                D
        A posterior adesão ao euro foi entendida, principalmente,                                               E
        como uma forma de assegurar a manutenção das ajudas fi-  Portugal pode, também, aproveitar a procura dos reforma-
        nanceiras para o crescimento económico (Lobo, 2007). Con-  dos europeus, assim como de fornecedores de serviços e  C
        tudo, tais fundos foram, não raras vezes, desviados para  dispositivos,  de  consumíveis  e  equipamentos  de  saúde,  O
        despesas de consumo ao invés de serem aplicados em in-  aproveitando a capacidade instalada, não só ao nível dos  N
        vestimentos criadores de capacidade produtiva ou propicia-  cuidados de saúde, mas também ao nível do turismo para  T
        dores de aumentos de produtividade, como se referiu acima.  todas as idades.                            A
                                                                                                                B
        Com o agravamento da crise recente, a Alemanha já deu si-  Uma outra forma de manter em actividade algumas das em-  I
                                                                                                                L
        nais de que pagará o menos possível para salvar as econo-  presas portuguesas, designadamente as PME, é promover
        mias que se lhe afiguram inviáveis, não sendo difícil de  a sua expansão para a América Latina, aproveitando as  I
        perceber que se está também a referir a Portugal. Tal desi-  afinidades culturais e linguísticas e o forte crescimento por  D
                                                                                                                A
        derato está em parte ligado ao facto dos países do Sul da  que passam tais regiões. A aceitação de muitos dos produ-  D
        Europa terem deixado de ser mercados fundamentais para  tos portugueses por parte de tais países constitui uma van-  E
        os alemães. Assim, tais economias poderão ficar à mercê  tagem que deve ser constantemente explorada.
        dos países com dinheiro e estratégia, como é o caso da                                                  E
        China, que poderá adquirir as respectivas empresas, portos  Portugal não pode continuar a divergir da UE, como tem
        e aeroportos que mais sirvam os seus interesses, prejudi-  acontecido na última dezena de anos, agora mais agravado  F
        cando os países em causa e a própria UE, por via indirecta.  por causa da crise, sob pena de perder definitivamente a  I
                                                           qualidade de vida a que tem estado habituado.        N
        À guisa de balanço poder-se-á concluir que a entrada de                                                 A
        Portugal na União Europeia foi positiva, tanto para Portugal  Entretanto urge que Portugal passe das palavras aos actos  N
                                                                                                                Ç
        como para a própria Comunidade, mas deixou sequelas  e, urgentemente, aposte na produtividade e na competitivi-  A
        cujos efeitos se sentem hoje com maior intensidade. Para a  dade,  reforme  a  justiça,  limite  o  défice,  acarinhe  o  em-
                                                                                                                S
        Comunidade, o efeito positivo decorre da importância  da lín-  preendedorismo, seja exigente na educação, adeque as leis
        gua e da cultura portuguesas nas relações que a UE passou  laborais à realidade do mundo e promova a cultura de valo-  N.º
        a privilegiar com outras regiões de crescente importância no  res.                                     105
        panorama mundial, como seja a África e a América Latina.
        Neste último caso há que ter em conta o incremento das re-  Paralelamente, Portugal deve acabar com a corrupção e o
        lações com a América Latina e com o Mercosul, em particu-  compadrio, limitar os ministérios e outros organismos para
        lar, que se seguiram à entrada de Portugal na Comunidade.  os tornar eficientes e libertar a máquina administrativa do
                                                           Estado de gente dos partidos políticos que a emperram. Não
                                                           precisará, concerteza, de tantas auto-estradas  e de TGV,
        4.  Portugal, que futuro?                          porque se trata de investimentos sem retorno que só vão
                                                           gerar despesa no futuro.
        Segundo Oliveira (2005), para Portugal a Europa tem de                                                27
        constituir a plataforma de desenvolvimento preferencial, por
        se afigurar a única com verdadeiro potencial a que se pode
        aspirar e na qual poderemos ter alguma influência, pelo
        menos nos próximos tempos.                         Bibliografia
        Melhorar a educação e a qualificação da força de trabalho é  KAGAN, Robert (2008). “O Regresso da História e o Fim dos
        condição “sine qua non” para aumentar o nível de vida dos  Sonhos”. Ed. Casa das Letras.
        portugueses e para a convergência real com a UE, que
        ainda está muito longe de ser alcançada. A qualificação e a  LOBO, Maria Costa e Lains, Pedro (2007). “Em Nome da Eu-  A
        competência profissionais são indispensáveis para que os  ropa, Portugal em Mudança 1986-2006). Ed. Principia  b
        jovens possam ter acesso a empregos com qualidade e para                                                 r
        permitir que os desempregados possam regressar à vida ac-  MARQUES, Margarida (2010), “Portugal aderiu à União Eu-  i
        tiva.                                              ropeia há 25 anos”. Porto, Sempre.                    l
                                                                                                                /
        Sabendo-se que apenas 27% dos trabalhadores portugue-  OLIVEIRA, Raúl Galamba et al (2005). “Conquistar o Futuro
        ses concluíram o ensino secundário, e que a República  da Europa; Uma Perspectiva Estratégica”. Ed. Principia.  J
        Checa atinge 91%, a Estónia, Eslováquia, Polónia, Suécia,                                               u
        Alemanha, Eslovénia e outros já ultrapassam os 80%, não é  PINTO, António Mendonça (2000).” O Desafio Europeu e a  n
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        difícil prever que serão muitas as dificuldades de Portugal  Economia Portuguesa; uma discussão necessária”. Editorial  o
        para poder competir com tais países. E nem se analisa o  Verbo.
        grau de conhecimento adquirido por muitos dos portugue-                                                  2
        ses que atingiram tal nível, porque correr-se-ia o risco de ver  RAPOSO,  Henrique  (2010). “Um  Mundo  sem  Europeus”  0
        alterado o respectivo posicionamento na escala.    Guerra e Paz, Editores, SA.                           1
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