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R       tividade relativamente aos EUA, tanto em termos de produ-  que os países asiáticos que apostaram na industrialização
       E       tividade do trabalho como ao nível do capital. E, pior que  estão a ser bem sucedidos, como é o caso da China e da
       V       isso, os principais sectores económicos dão-se conta dessa  Coreia do Sul.
        I      realidade, assim como do não acompanhamento quanto ao
        S      progresso tecnológico, o que leva à não fixação de objec-  Como alternativa a Europa poderia optar pela venda das
       T       tivos e ao desvio de investimentos para outros destinos mais  suas empresas aos chineses, aos árabes e aos angolanos,
       A
               progressistas.                                    no caso português, mas tal opção levaria a uma situação de-
                                                                 veras complicada, com consequências não facilmente pre-
       D
       E       Mas, para além da falta de competitividade, verifica-se que,  visíveis. Mas tal hipótese não é de excluir, face ao que já se
               em geral, os europeus trabalham bastante menos horas por  perspectiva.
       C       semana que os cidadãos de outras zonas económicas e têm
       O       períodos de férias mais longos. E, como se isso já não bas-  Os direitos humanos e a solidariedade a mais não podem
       N       tasse, a Europa enfrenta o problema do envelhecimento da  servir para uma batalha que deva continuar a ser travada
       T       população e da natalidade decrescente, levando a ONU a  com tanto empenho por uma Europa sem poder económico
       A       prever que em 2050 a população europeia seja inferior à ac-  nem militar.
       B       tual em 124 milhões de habitantes, em contraste com os
        I      EUA, onde se verificará um acréscimo de 114 milhões. Ora,  Finalmente, será de repensar a política europeia defendida
       L       é inquestionável que o estímulo decisivo para o crescimento  junto da OMC no tocante à protecção de certos produtos in-
        I      económico europeu são as crianças e não se vislumbra  ternos face aos oriundos de países terceiros.
       D       maneira de que tal venha a acontecer no curto prazo.
       A
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       E       Por outro lado, a Europa não tem investido eficazmente o
               seu dinheiro, pelo que necessita de apostar definitivamente  3.  Portugal na Europa
       E       na investigação e nas fases mais decisivas da educação, ou
               seja nos primeiros anos da infância e nos níveis superiores  Portugal assinou o tratado de adesão à então Comunidade
        F      do ensino. Mas isso exige homens de visão, que a Europa  Económica Europeia (CEE) em 12/06/1985 e passou a ser
        I      parece não possuir actualmente. O caso português é um exem-  membro de pleno direito em 01/01/1986, data a partir da qual
       N       plo do que não se deve fazer com a educação, onde o in-  a Comunidade passou a contar com 12 Estados-membros,
       A       vestimento nos primeiros anos de escolaridade tem sido  porque a Espanha acompanhou Portugal na adesão.
       N       desastroso, ao mesmo tempo que “obriga” os licenciados  A integração de Portugal na UE obedeceu a várias razões.
       Ç       mais capazes a procurar trabalho noutros países que não  Uma delas, de natureza política interna, tinha a ver com a
       A
        S      investiram na sua formação.                       consolidação da democracia e a estabilização do quadro po-
                                                                 lítico resultante da saída da ditadura.
       N.º     Um outro problema europeu é o modelo social, onde tem de  No plano externo, a adesão de Portugal ao clube europeu
       105     haver alterações por forma a recuperar competitividade sem  também interessava à própria Europa, na medida em que o
               sacrificar a solidariedade social, mesmo que tal se mostre  novo Estado-membro constituía um pólo de segurança ao
               difícil, segundo opina Pinto (2000).              reconhecer os valores europeus e servia de exemplo aos
                                                                 países de Leste, ainda sob o domínio soviético (Marques,
               Acresce que, para se poder sentar à mesa internacional, a  2010).
               par de americanos e asiáticos, a Europa tem de ser capaz de  O outro factor determinante da adesão foi o económico, visto
               levar a Rússia a respeitar as regras europeias, com o que  que a integração num espaço mais alargado e próspero iria
               sairá fortalecida.                                criar condições favoráveis à atracção do investimento ex-
                                                                 terno e consequente entrada de novas empresas no país,
      26       Ora, a Rússia é uma grande potência, que tem orgulho de o  importantes para o crescimento e desenvolvimento econó-
                                                                 mico.
               ser e que quer ser, assim, reconhecida no plano interna-
               cional. Este grande país possui um excedente na suas ba-
               lanças  comercial  e  corrente,  tem  grande  quantidade  de  Decorrente da adesão, Portugal passou a integrar o Mer-
               divisas fortes e a sua dívida externa está quase totalmente  cado Único, o qual agiu como facilitador da mobilidade de
               saldada. Por outro lado, as suas empresas, em cooperação  pessoas, bens e serviços e capitais e beneficiou do acesso
               estreita com o respectivo governo, estão a adquirir activos  a recursos comunitários provenientes das políticas de coe-
               estratégicos europeus, com especial relevo nos sectores li-  são social e regional, isto é, dos fundos estruturais. Tais re-
               gados à energia, de que já são muito fortes. E, no que res-  cursos  permitiram  o  investimento  em  pessoas  e  nas
       A       peita  ao  fornecimento  de  energia,    a  Europa  depende  empresas, em infra-estruturas de todos os tipos, no am-
        b      actualmente  mais da Rússia do que do Médio Oriente, de  biente e qualidade de vida, na mobilidade e na recuperação
        r      acordo com Kagan (2008).                          do património, na recuperação de escolas, universidades e
        i                                                        centros de investigação, nos hospitais, espaços de cultura e
        l
               Antevendo-se  que  a  futura  ordem  internacional  será  lazer, enfim, em todos os sectores da actividade económica
        /      moldada por aqueles que tiverem o poder e a vontade colec-  e social, pese embora os desvios e má utilização de muitos
               tiva para a configurar, não é difícil prever quanto a Europa  desses fundos.
        J      necessita de se fortalecer e de obter a cooperação da Rús-
        u      sia.                                              Apesar de ter surgido como solução para muitos dos pro-
        n                                                        blemas da democracia portuguesa, a integração na União
        h
        o      Por tudo o que antecede, parecem restar poucas opções à  Europeia também serviu para agravar alguns dos problemas
               Europa para inverter a tendência da queda em que parece  do sistema político português. Com efeito, para além dos
        2      estar mergulhada. Por outro lado, a Europa deve pensar ra-  partidos políticos no governo recorrerem aos fundos comu-
        0      pidamente em alterar o modelo, passando a apoiar a indús-  nitários para melhorar a sua imagem em vésperas de elei-
        1      tria que tinha abandonado em favor dos serviços, uma vez  ções,  a  integração  também  serviu  aos  políticos  como
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