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R                A INTEGRAÇÃO DE PORTUGAL NA
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        I             UNIÃO EUROPEIA: BREVE BALANÇO
        S
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                                                                                                   Messias de Sá Pinto
       D                                                                                                 Contabilista
       E                                                                                   Doutor em Ciências Económicas

       C
       O        Poder é a capacidade de levar os outros a fazerem o que queremos e a impedi-los de fazerem
       N
       T                                             o que não queremos.
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       B                                                                                          Robert Kagam, 2008
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        I      1.  A Europa no mundo                             Com fraco poder económico e insignificante poder militar, a
       D                                                         Europa não vai continuar a merecer a atenção das novas
       A       A Europa está numa encruzilhada e sem objectivos claros,  potências, as quais já lhe estão a disputar os lugares nas ins-
       D       desfeita que está a ambição estratégica prevista na Agenda  tituições internacionais, designadamente no Fundo Mone-
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               2000,  aprovada  pelo  Conselho  Europeu  em  Lisboa,  em  tário  Internacional  (FMI),  no  Banco  Mundial  (BM)  e  na
               Março de 2000. Daí dizer-se que a perda de influência da  Organização Mundial do Comércio (OMC).
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               Europa no mundo é uma realidade nos dias de hoje.
        F                                                        Para Raposo (2010), o facto central da nossa Era é a as-
        I      A Europa tem-se preocupado em demasia com a defesa dos  censão das potências asiáticas, podendo considerar-se que
       N       direitos humanos, parecendo recusar-se a ver que a regra  a Europa é passado e a Ásia é futuro, o que está a levar a
       A       que sustenta a actual ordem internacional não é a subordi-  uma autêntica revolução intelectual na forma de pensar a
       N       nação da soberania aos direitos humanos, mas sim a su-  política mundial.
       Ç       bordinação  ao  poder  político  que  decorre  dos  poderes
       A       económico e  militar.                             Segundo Kagan (2008), os europeus estão apreensivos e
        S                                                        têm motivos para tal. Nos anos 90, os países da União Eu-
               A elite europeia parece não ter percebido que já não tem le-  ropeia (UE) apostaram fortemente numa ordem mundial
       N.º     gitimidade para falar em nome do resto do mundo e que, se  baseada no geoeconómico sobre o geopolítico, na qual a
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               teimar com essa postura, serão poucos ou nenhuns a dar-  sua enorme e produtiva economia iria competir, em igual-
               -lhe ouvidos.                                     dade com os EUA e com a China. Consequentemente, a
                                                                 modernização das suas forças armadas foi secundarizada e
               A ordem internacional não repousa apenas em ideias e ins-  os orçamentos militares reduzidos, no pressuposto de que
               tituições. É moldada pelas configurações do poder e o poder  era a força suave que estava em vigor e não a força bruta. Ao
               encontra-se noutras paragens que não na Europa.   mesmo tempo convenceram-se de que a Europa iria ser um
                                                                 modelo para o mundo e seria forte num mundo configurado
               Também  por  via  disso,  os  intelectuais  ocidentais  já  não  ao estilo europeu. Mas tal não aconteceu.
      24       podem escrever livros a partir da permissa de que a demo-  Para Oliveira (2005), a realidade é que, nem o euro, nem a
               cracia é o único regime que garante legitimidade política em
               todo o mundo, porque há outros regimes que vingaram e se  integração do mercado único conseguiram fazer da Europa
               tornaram poderosos e são aceites pelos respectivos povos.  um motor da economia mundial, papel que lhe foi muitas
                                                                 vezes atribuído nos anos 70.
               Este parece ser o século americano-asiático, no qual a África
               ainda poderá representar um papel relevante, perdendo a  Ainda de acordo com Raposo (2010), se a Europa não pen-
               Europa qualquer centralidade mundial se continuar sem pro-  sar em termos realistas, a próxima ordem internacional será
               jectos que galvanizem as suas populações, que se encon-  ditada pelos EUA e pelos gigantes asiáticos.
               tram amedrontadas.
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        r      Actualmente  a  Europa  representa  22%  da  economia  1.1  As relações transatlânticas
        i      mundial, podendo baixar para 12% em 2050. Por outro lado,
        l      em termos demográficos, a Europa representa cerca de 12%  Apesar das ligações históricas à Europa, os EUA têm como
               da população mundial contra os 22% de 1945, o que pre-  prioridade as democracias transpacíficas, com especial re-
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               nuncia que apenas possua 6% em 2050. Com efeito, está a  levo para o Japão e Índia, com as quais conta para limitar
        J      assistir-se a cada vez menos nascimentos na Europa e ao  as aspirações da China.
        u      engrossar da população idosa, mercê do aumento significa-  O seu auxílio à Europa na Segunda Guerra Mundial e o
        n      tivo da esperança de vida. Tal situação poderá vir a determi-  Plano Marshal que se lhe seguiu não criaram um sentimento
        h      nar  a  reformulação  do  modelo  social  europeu,  com  correspondente por parte dos europeus, muitos dos quais
        o
               consequências no respectivo nível de vida. Por seu turno,  ainda olham para os americanos com muita desconfiança .
        2      tanto os Estados Unidos da América( EUA), como os países
        0      asiáticos e africanos continuarão a registar aumentos signi-  Contudo, foi a inesperada natureza imperialista da ex-URSS
        1      ficativos na sua população jovem.                 que forçou os EUA a rever a sua posição tradicional e a per-
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