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manecer na Europa, através da NATO, depois da guerra  ração  económica mundial está a ser conduzida sobretudo  R
        acabar e depois de terem apadrinhado a criação das comu-  pela China e pela Índia.                      E
        nidades europeias.                                                                                      V
                                                           Os anos 90 criaram uma China forte e autoritária, o que per-  I
        Mas o tempo do primado da Europa como aliado privilegiado  mite pensar que talvez nenhum outro país tenha passado  S
        e excepcional dos EUA terminou. A fraqueza da Europa,  tão rapidamente da fraqueza para a força.        T
        consubstanciada no seu declínio ao nível económico, de-                                                 A
        mográfico e militar, aliada à ascensão rápida e em força da  Actualmente, a China e o seu regime autoritário sente-se
                                                                                                                D
        China, em parte proporcionada pelos próprios EUA, fez com  acima da crítica sistemática sobre direitos humanos. E, à  E
        que Washington retornasse à sua normalidade transpacífica.  medida que se tornar mais confiante, passará a ser menos
                                                           tolerante para com os obstáculos que surjam no seu cami-  C
        O dilema com que os EUA se debatem consiste na forma  nho.                                              O
        como “dar poder” aos asiáticos, retirando esse poder aos eu-                                            N
        ropeus, sem que estes se sintam melindrados.       Contrariando as expectativas dos ocidentais, o crescimento  T
                                                           económico  da  China  não  produziu  a  esperada  abertura  A
        Os EUA estão virados para a Ásia, porque esse continente  política, nem a China deixou dúvidas sobre o facto de não  B
        é essencial para a prosperidade americana. A relação entre  confundir interesses económicos com outros. Por outro lado,  I
                                                                                                                L
        a Índia e os EUA é o símbolo máximo de uma mudança de  apesar das pressões externas, recusa desvalorizar a sua
        fundo da política externa norte-americana. Por outro lado,  moeda, porque isso lhe permite vender mais aos outros  I
        Washington  vê  no  fortalecimento  da  sua  relação  com  o  países.                                   D
                                                                                                                A
        Japão e com outros aliados asiáticos a melhor forma de gerir                                            D
        a emergência chinesa.                              Acresce, ainda, que a China não se coíbe de bloquear a en-  E
                                                           trada de grupos estrangeiros no seu território, o que é reve-
        Grande parte do mundo não só tolera como concede de boa  lador  da  importância  cada  vez  maior  que  está  a  dar  à  E
        vontade o seu apoio à supremacia geopolítica americana,  protecção dos seus recursos nacionais.
        não porque as pessoas adorem a América, mas como pro-                                                   F
        tecção contra potências mais preocupantes.         Sobre a  Índia é de reter que se trata da segunda nação mais  I
                                                           populosa do mundo e que o seu exército é o terceiro maior  N
        Mesmo na Europa, já se nota uma tendência no sentido de  do mundo, possuindo armas nucleares.           A
        voltar a estreitar as relações com os EUA, sendo as atitudes                                            N
                                                                                                                Ç
        da França um exemplo dessa tendência. Se tal se consolidar  Esta grande democracia da Ásia, também é líder global na  A
        é bem possível que a Europa não fique tão distante dos EUA  educação, na inovação e em I&D e tem um potencial mer-
                                                                                                                S
        e as relações transatlânticas não fiquem vazias de signifi-  cado interno, com uma classe média em grande crescimento
        cado.                                              e uma classe trabalhadora com elevado nível de habilitações  N.º
                                                           escolares.                                          105

        1.2  A Europa e as economias emergentes            Com taxas de crescimento próximas das da China nos anos
                                                           mais recentes, os serviços dinâmicos e as indústrias de alta
        A emergência dos asiáticos é apenas o regresso à normali-  tecnologia da Índia estão talhadas, de um modo invulgar,
        dade histórica, especialmente no tocante à China.  para prosperarem numa era globalizada (Kagan, 2008).

        De acordo com Kagan (2008), durante mais de um milénio  E com a sua já vetusta democracia, a Índia representa a ne-
        a China foi a potência dominante na Ásia, a única civiliza-  gação do modelo de crescimento anti-democrático e não libe-
        ção avançada num mundo de bárbaros, o centro do seu  ral da sua vizinha China.                        25
        próprio universo, o Império do Meio, espiritual e geopolitica-
        mente.                                             Sobre o Japão importa referir que este país tem o quarto
                                                           maior orçamento de defesa à escala global e que a intro-
        Hoje, a China e outros países da Ásia, reservam para si o di-  dução do capitalismo nos Estados asiáticos está a fomentar
        reito de construir regimes políticos com uma normalidade  o nacionalismo, ao contrário do que aconteceu na Europa.
        não Ocidental , isto é, anti-liberal e anti-democrático.
                                                           Face ao que se deixou transcrito, não custa compreender a
        As potências asiáticas têm agora liberdade para fazer as  pretensão  dos  asiáticos  em  quererem  mais  poder  nas
        suas próprias regras económicas e políticas e por isso não  grandes instituições da ordem liberal lideradas pelos EUA
                                                                                                                A
        vão simplesmente adoptar as normas ocidentais. No tocante  (FMI – BM – OMC, etc.) bem como a enorme relutância dos  b
        à China, deixou de mostrar respeito pela sensibilidade  líderes ocidentais em aceitar que a sua época de domínio  r
        alheia sobre direitos humanos                      terminou.                                             i
                                                                                                                 l
        A China quer viver conscientemente num regime não liberal
                                                                                                                /
        e os outros países, Europa e EUA incluídos, têm de saber res-  2.  Europa, que futuro?
        peitar essa decisão.                                                                                     J
                                                           Uma questão que se pode colocar, à partida, é sobre se os  u
        Há 60 anos a China estava caída, dilacerada pelo conflito  europeus serão capazes de se adaptar intelectualmente a  n
                                                                                                                h
        interno, ocupada, vulnerável, pobre e isolada. Hoje, é um gi-  uma nova realidade internacional pós-atlântico e pós-eu-
                                                                                                                o
        gante geopolítico e económico em ascensão, seguro nas  rocêntrica, que decorre da emergência do Pacífico como
        suas fronteiras. A sua economia está na corrida para se  zona determinante do poder económico e político.   2
        tornar a maior do mundo e o poder militar está a crescer em                                              0
        passo firme. Por isso é que se diz e verifica que a recupe-  Para Oliveira (2005), a Europa tem vindo a perder competi-  1
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