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RECORTES DE IMPRENSA R
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Portugal pode deixar de existir «Mark to market» da dívida é «abrir caixa de pandora»
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“O sociólogo António Barreto admite que Portugal deixe de existir como “Uma das medidas que saiu da cimeira e que mais afecta o sector da
Estado independente dentro de décadas e esteja integrado noutro modelo banca é a obrigatoriedade de os bancos fazerem o ‘mark to market’da dí- A
europeu. ‘É possível que Portugal, daqui a 30, 50, cem anos não seja um vida soberana. Ou seja, de a contabilizarem a preços de mercado, o que
país independente como é hoje’, disse o investigador à Lusa, admitindo vai obrigar o sector a ter de reforçar os capitais para cobrir o reconheci- D
que o País surja integrado ‘numa outra Europa’, com outra configuração e mento das perdas do investimento feito em dívida dos países periféricos, E
outro desenho institucional e político. Barreto diz que não é alarmista. ‘Mas incluindo Portugal. O presidente do BESI diz que é ‘insuspeito’a falar sobre
convém perguntarmos o que vai acontecer no futuro’, recomenda.” o assunto, já que ‘o BES não se prejudicou com isto, porque só tem dívida C
portuguesa de curto prazo. Portanto sou insuspeito em dar esta minha opi- O
Diário de Notícias, 11 de Outubro de 2011 nião’. E a opinião de Ricciardi sobre o ‘mark to market’ é bastante crítica. N
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«É impossível o País ter 15 universidades»
Primeiro explica o mecanismo: ‘Os bancos não só terão de reforçar os rá- A
cios de capital como ainda reconhecer os títulos de dívida soberanos - e B
“ ‘Que reformas estruturais vamos fazer, que agenda para o desenvolvi- isto ainda não está tecnicamente definido, se é só para efeitos de capital I
mento é que vamos ter e que apoios é que a Europa vai dar para essa re- ou se é lançado na conta de resultados. Os bancos têm dois livros - o ‘tra-
cuperação’. Estas três componentes são ‘obrigatórias’ e constituem, ding book’ e o ‘banking book’ - sendo que o segundo é um livro de longo L
segundo Henrique Granadeiro, a outra metade da laranja, para que Por- I
tugal retome uma rota de crescimento, sendo que a primeira metade é o termo, onde é colocada dívida que não é para negociar, ou seja, é para D
Orçamento do Estado para 2012. manter até à maturidade. E, portanto, considerava-se que mesmo que o A
preço dessa dívida oscilasse no mercado, como ia até à maturidade, os D
bancos não precisavam de fazer nenhum ajustamento. E agora de repente,
Nesta fase da conversa desafia-se o gestor a dar exemplos. Primeiro, reage E
com reticências (‘... não gostava de dar exemplos mas são quase do do- é necessário mudar toda esta estrutura que está considerada há anos e
mínio público...’), mas logo a seguir aponta o exemplo das universidades, que tem uma razão de ser...’. E
cujo orçamento foi cortado em 8,5%. ‘Acho muito bem que o ministro das
Finanças o tenha reduzido e digo isto com alguma dose de coragem por- A seguir vêm as críticas: ‘Se e a partir de agora a Europa começar a cres- F
que sou presidente do conselho geral da Universidade de Lisboa. No qua- cer, os bancos engolem este ajustamento... mas se não for possível e ti- I
dro de austeridade em que o País vive isso é aceitável’. vermos de fazer novos ajustamentos de capital, esta caixa de Pandora
pode fazer com que, perante novas emissões de dívida, os bancos se in- N
Feita a constatação, Henrique Granadeiro expõe os argumentos. ‘Estive a terroguem se vale a pena investir em dívida pública. E agora quem é que A
fazer as contas e temos 15 universidades e mais de 20 institutos politéc- financia isso? Estamos em presença de financiamentos avultadíssimos N
nicos. Temos universidades com 3.000 alunos, universidades que num raio em grandes economias europeias... falo já de duas, que é o caso da italiana Ç
de 50 quilómetros têm três pólos universitários, o que significa três fontes e da espanhola’. A
de despesas fixas. Quer dizer, é impossível o País ter 15 universidades e, S
por isso, o problema não é do senhor ministro das Finanças, que tem toda E a decisão de fazer o ‘mark to market’ tem por detrás uma certa perver-
a razão em cortar 8,5%. O problema é do senhor ministro da Educação, são do conceito de risco e maturidades. Aqueles bancos que optaram por N.º
que tem de ter a coragem de fechar algumas destas universidades e mui- ter em carteira dívida de mais longo prazo, em detrimento do curto prazo, 107
tos destes institutos politécnicos. Porque, efectivamente, não têm condi- são os mais prejudicados pelas novas regras. E a sentença de Ricciardi:
ções de prestar um ensino qualificado. Por isso, o que fazem é a produção ‘Faz com que se prejudiquem os bancos que investiram a longo prazo, por-
da tal geração à rasca. Aqui têm um exemplo de uma medida transversal, que são os que levam os ajustamentos maiores. Enquanto os outros -
necessária, mas não suficiente. Temos que esperar que esta medida trans- como é o nosso caso, do BES - o impacto foi menor. Ora isto é o inverso
versal se converta em reforma estrutural’.” do que a Europa precisa...’.”
Henrique Granadeiro, Jornal de Negócios, 27 de Outubro de 2011 Diário Económico, 31 de Outubro de 2011
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Uma história mal contada
Lehman Brothers já só tem valor histórico
“A Grécia tem 11 milhões de habitantes, a Europa do euro tem 332 mi- “Uma acção do Lehman Brothers, o banco de investimentos norte-ameri-
lhões, o que dá 3,3% de gregos. O PIB da Grécia é de 330 biliões, o da cano que declarou falência em Setembro de 2008 na sequência da crise
Zona Euro de 12,5 triliões, ou seja, a Grécia vale 2,5%. Como é que cerca
de 3% da população e da economia ameaçam a Europa de forma tão dra- do ‘subprime’, foi vendida ontem em leilão, em Würzburg, sudoeste da Ale-
manha, por 24 mil euros, revelou a casa Historisches Wertpapierhaus, es-
mática, ao ponto de andar tudo a dizer que o euro pode acabar e talvez
mesmo o próprio projeto europeu? pecializada na venda de títulos antigos, com valor histórico. O pequeno
rectângulo de papel, com 20 por 30 centímetros, com um valor facial de 50
Outros dados ajudam a entender o sem sentido desta história. A Grécia cêntimos de dólar e a imagem dos dois fundadores da instituição, Mayer e
está para a Europa como a Madeira está para Portugal. Jardim gastou e Emanuel Lehman, foi emitido a 31 de Maio de 1994 pelo então ‘patrão’ do
abusou, mas isso, apesar de agravar a situação financeira do país, teve banco, Richard Fuld. Três anos depois da sua falência, só foram recupe- O
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um impacto relativamente insignificante nas contas públicas. O BPN, por rados 65 mil milhões de dólares de activos do Lehman, uma pequena gota t
exemplo, teve muito mais. de água dos 370 mil milhões reclamados pelos credores.” u
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A Califórnia que tem um PIB semelhante ao da Itália - e corresponde a Diário de Notícias, 6 de Novembro de 2011 r
13,5% na economia americana -, tem andado à beira da bancarrota. Não o
passou pela cabeça de ninguém dizer que isso significaria o fim dos Esta- Há uma «guerra de preços» na advocacia
dos Unidos, afinal uma federação, ou que o dólar ia desaparecer. /
“É um sinal dos tempos e das dificuldades financeiras e económicas que
E já que estamos em maré de números, os PIG, Portugal, Irlanda e Gré- marcam o País. Hoje, no sector da chamada advocacia de negócios, as D
e
cia, somam por junto 6,2% do PIB europeu. propostas de honorários chegam a atingir metade do valor que os advo- z
gados pediam há dois anos. Maria Castelos, sócia da CS Associados, fala e
Como se explica então que a Europa ande que nem barata tonta devido ao mesmo em ‘guerra de preços’. m
mau comportamento de alguns dos seus mais insignificantes membros? b
‘Há uma grande concorrência em termos de fees. Há uma guerra de pre- r
A razão não é financeira, nem económica Desvarios e azares muito maio- ços. Há uma guerra pela entrada dos clientes, porque as sociedades pre- o
res têm sido resolvidos ao longo dos tempos. A atual crise é exclusiva- cisam de angariar trabalho. Isso já se sente. A minha perspectiva é que se
mente política. Não tanto pela ação, mas pela inação.” vai agravar’, sublinha Maria Castelos, lembrando que à semelhança dos 2 0
cortes que as empresas estão a fazer no recurso aos mais diversos servi- 1
Leonel Moura, Jornal de Negócios, 28 de Outubro de 2011 ços externos, também o mesmo se passa com a advocacia. 1

