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ética empresarial não se refere a uma forma particular P. Atos que não maximizem os interesses próprios de P
de ética, mas à sua aplicação no contexto específico da não são eticamente permitidos para P” (Hoffman e Moo-
atividade empresarial”. Com isto, conclui-se que a ética re, 1990, p. 18).
empresarial representa os costumes, princípios, normas
de conduta e definição do certo e errado em cada em- Gestores que se regem pelo egoísmo ético e que
presa. procuram a obtenção do lucro a todo o custo facilmente
criam uma cultura na empresa onde os meios justificam
Hoffman e Moore (1990), apud (Almeida, 2010, p. os fins, abrindo assim espaço para a corrupção e para
78), identificaram três orientações éticas que cobrem a comportamentos eticamente condenáveis pela socieda-
maioria das posições que os decisores empresariais de (Ferreira et al., 2010).
podem adotar na prática gerencial: o relativismo ético, a
ética dos princípios universais (a deontologia) e o conse- Em contraste com o egoísmo ético, para o utilitarismo
quencialismo (ou teleologia, subdividida neste caso em “a ação moralmente superior é a que resulta no maior
egoísmo ético e utilitarismo). Para este efeito, atente-se prazer e menor sofrimento para o maior número de pes-
na Figura 1. soas” (Almeida, 2010, p. 80).
Figura 1: As três principais orientações éticas empresariais. Já a deontologia procura distanciar as consequências
dos atos do seu carácter moral, ou seja, defende que
uma ação pode ser considerada ética independente das
suas consequências, desde que o motivo da ação res-
peite um código moral de valores universais aplicável
em qualquer contexto (Almeida, 2010).
Explicados alguns conceitos de ética é importante
perceber que as interações realizadas por todos os cola-
Fonte: Adaptado de Hoffman e Moore (1990).
boradores da empresa, quer com clientes e fornecedo-
Como o conceito de ética difere em cada sociedade, res, quer entre si, são um espelho dos valores éticos da
torna-se difícil julgar empresas numa economia global empresa, e que por isso é importante que os gestores
onde nem todos os valores estão alinhados; nessa ópti- clarifiquem o melhor possível esses mesmos valores
ca, o relativismo ético (conceito que defende a inexistên- (Ferreira et al., 2010).
cia de um padrão universal de normas) torna-se uma
forma ineficaz para julgar as empresas no contexto atual Os consumidores, graças às TIC (tecnologias de in-
(Hoffman et al., 2014). formação e comunicação), têm cada vez mais acesso a
uma enorme quantidade de informação e estão mais
Em consequência, e como forma de evitar ambigui- sensibilizados que nunca para questões ambientais e
dades, as orientações teleológicas (ou consequencialis- sociais (Ferreira et al., 2010). Isto torna crescente a
tas) e deontológicas (ou ética dos princípios universais) pressão nas empresas para que estas comecem a ado-
são as orientações que melhor abordam a ética empre- tar papéis mais importantes na sociedade e procurarem
sarial (Almeida, 2010). ir ao encontro dos valores éticos dos seus clientes
(Ferreira et al., 2010). Na prática, espera-se cada vez
A teleologia ou consequencialismo, tal como o nome mais que as empresas contribuam de forma positiva pa-
indica, é uma abordagem que defende que o valor moral ra o desenvolvimento da sociedade e do meio-ambiente
de cada ação é julgado pelas consequências que produz (Ferreira et al., 2010).
(Almeida, 2010).
Conclui-se, portanto, que com o aumento da transpa-
O egoísmo ético é uma das subdivisões da teleologia rência nos negócios e com a maior preocupação da popula-
e pode ser melhor entendido de acordo com a seguinte ção ao nível ambiental e social é cada vez mais importante
ideia: “um ato A é eticamente permitido para uma pes- para as empresas terem uma boa reputação e, para tal, é
soa P se e só se A maximizar os interesses próprios de necessário que sigam comportamentos éticos e que te-

