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R A PROFISSÃO DE CONTABILISTA E O
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I ENSINO DA CONTABILIDADE
S
T
A
João Nogueira
D Professor do ISCAL
E
ABSTRACT Todavia, vai mais longe que o do primeiro nível. Estuda os
C
O Ainda se confunde muito em Portugal a escrituração IFRS do IASB e acompanha os desenvolvimentos da
N com a contabilidade. E a figura do tradicional guarda-li- harmonização contabilística internacional. Conhece as
T vros com a do contabilista. E, por vezes, os graus atri- normas do FASB ou em aplicação em outras jurisdições.
A buídos em contabilidade contribuem para esta confusão. E procura estar a par das agendas do IASB e do FASB,
B O presente apontamento pretende contribuir para al- próprias, ou conjuntas, antecipando alterações futuras
I guma clarificação nesta matéria. nas normas. A sua preocupação principal é, simultanea-
L mente, a escrituração e a interpretação conceptual dos
I Importa distinguir três níveis, de exigência crescente, na normativos, no que se refere ao reconhecimento, men-
D caminhada do estatuto de Guarda-Livros para o de Con- suração e divulgação. O domínio dos “full” IFRS revela-
A -se indispensável, uma vez que se destinam às entidades
D tabilista, designadamente os relacionados com a escritu-
E ração, com a interpretação e com a teoria da contabili- com títulos negociáveis em bolsas e/ou que consolidem
dade. E estes níveis têm implicações para o ensino da contas.
E contabilidade.
O ROC é o profissional que representa melhor, em Por-
F O NÍVEL RELACIONADO COM A ESCRITURAÇÃO OU tugal, este segundo nível. A designação de “Accountant”,
I IMPLEMENTAÇÃO DA CONTABILIDADE (“ ACCOUN- no sentido internacional do termo, é mais apropriada para
N TING PRACTICES” ) o ROC. De certa forma o mais próximo equivalente, em
A Portugal, do tradicional CPA anglo-saxónico. Os profes-
N O estudante ou profissional toma como dados (sem questionar) sores de contabilidade do ensino superior, em Portugal,
Ç tendem a situar-se neste nível. Não obstante, o ensino en-
A - O POC e as Directrizes Contabilísticas (quando ainda contra-se ainda muito centrado na escrituração. Em Por-
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em vigor); tugal, são muito poucos os autores que escrevem livros
para este nível de exigência. Livros comparáveis, por
N.º
102 - O SNC e as NCRF, exemplo, aos de “Intermediate Accounting” ou de “Ad-
vanced Accounting” como existem noutros países, de-
e limita-se a tentar implementar (aplicar) correctamente signadamente de tradição Anglo-Saxónica na contabili-
estes normativos. dade. São autores estrangeiros de referência neste nível,
por exemplo, os seguintes: Epstein and Jermakowics;
O TOC é o profissional que representa melhor, em Por- Kieso, Weygandt and Warfield; Mirza, Orrel and Holt; Ba-
tugal, este primeiro nível. De uma forma genérica pode ruch Englard; Paul Larsen; Jeter and Chaney; Haried, Im-
ser chamado de “guarda-livros” (“bookkeeper”) ou de dieke and Smith; Dukes, Davies and Dyckman; Meigs;
4 “fisco-contabilista”, numa linguagem menos apropriada e, Stanga; Mosich; Pendril;, Pahler and Mori; Horngren, en-
tre outros.
para muitos, algo pejorativa. A sua preocupação principal
é com a escrituração. A prática contabilística da quase to-
talidade dos TOC fica-se meramente pela escrituração em
empresas não cotadas (mais de 95% do total das em-
presas), as quais, em Portugal, são pequenas ou muito O NÍVEL RELACIONADO COM A TEORIA DA CONTA-
pequenas, por padrões europeus. Os autores de livros de BILIDADE (“ ACCOUNTING THEORY” )
contabilidade, em Portugal, em regra, escrevem livros
essencialmente de escrituração contabilística, sem preo- O estudante ou profissional não toma como dados
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u cupações teóricas, e para este nível de exigência básico.
l - O POC e as Directrizes Contabilísticas (quando ainda
h em vigor);
o
O NÍVEL RELACIONADO COM A INTERPRETAÇÃO E - O SNC e as NCRF; e
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IMPLEMENTAÇÃO DA CONTABILIDADE
S - Os IFRS.
e O estudante ou profissional toma como dados, mas pro-
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e cura interpretar, para além de aplicar,
m Vai muito mais longe que o do segundo nível. Não toma,
b - O POC e as Directrizes Contabilísticas (quando ainda também, como dados os IFRS do IASB, os SFAS do
r em vigor); FASB ou os normativos em vigor em qualquer outra ju-
o
risdição. Discute e questiona conceptualmente e teorica-
2 - O SNC e as NCRF; e mente estes normativos. No seu estudo vai ainda para
0 além dos livros consagrados internacionalmente de “In-
1 - Os IFRS. termediate Accounting” ou de “Advanced Accounting” re-
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