Page 4 - rcf1102_Neat
P. 4

R                        A PROFISSÃO DE CONTABILISTA E O
       E
       V
        I                              ENSINO DA CONTABILIDADE
        S
       T
       A
                                                                                                       João Nogueira
       D                                                                                            Professor do ISCAL
       E

               ABSTRACT                                          Todavia, vai mais longe que o do primeiro nível. Estuda os
       C
       O       Ainda  se  confunde  muito  em  Portugal  a  escrituração  IFRS  do  IASB  e  acompanha  os  desenvolvimentos  da
       N       com a contabilidade. E a figura do tradicional guarda-li-  harmonização  contabilística  internacional.  Conhece  as
       T       vros com a do contabilista. E, por vezes, os graus atri-  normas do FASB ou em aplicação em outras jurisdições.
       A       buídos em contabilidade contribuem para esta confusão.  E procura estar a par das agendas do IASB e do FASB,
       B       O  presente  apontamento  pretende  contribuir  para  al-  próprias,  ou  conjuntas,  antecipando  alterações  futuras
        I      guma clarificação nesta matéria.                  nas normas. A sua preocupação principal é, simultanea-
       L                                                         mente, a escrituração e a interpretação conceptual dos
        I      Importa distinguir três níveis, de exigência crescente, na  normativos, no que se refere ao reconhecimento, men-
       D       caminhada do estatuto de Guarda-Livros para o de Con-  suração e divulgação. O domínio dos “full” IFRS revela-
       A                                                         -se indispensável, uma vez que se destinam às entidades
       D       tabilista, designadamente os relacionados com a escritu-
       E       ração, com a interpretação e com a teoria da contabili-  com títulos negociáveis em bolsas e/ou que consolidem
               dade. E estes níveis têm implicações para o ensino da  contas.
       E       contabilidade.
                                                                 O ROC é o profissional que representa melhor, em Por-
        F      O NÍVEL RELACIONADO COM A ESCRITURAÇÃO OU         tugal, este segundo nível. A designação de “Accountant”,
        I      IMPLEMENTAÇÃO DA CONTABILIDADE (“ ACCOUN-         no sentido internacional do termo, é mais apropriada para
       N       TING PRACTICES” )                                 o ROC. De certa forma o mais próximo equivalente, em
       A                                                         Portugal, do tradicional CPA anglo-saxónico. Os profes-
       N       O estudante ou profissional toma como dados (sem questionar)  sores de contabilidade do ensino superior, em Portugal,
       Ç                                                         tendem a situar-se neste nível. Não obstante, o ensino en-
       A       - O POC e as Directrizes Contabilísticas (quando ainda  contra-se ainda muito centrado na escrituração. Em Por-
        S
                em vigor);                                       tugal, são muito poucos os autores que escrevem livros
                                                                 para  este  nível  de  exigência.  Livros  comparáveis,  por
       N.º
       102     - O SNC e as NCRF,                                exemplo, aos de “Intermediate Accounting” ou de “Ad-
                                                                 vanced Accounting” como existem noutros países, de-
               e limita-se a tentar implementar (aplicar) correctamente  signadamente de tradição Anglo-Saxónica na contabili-
               estes normativos.                                 dade. São autores estrangeiros de referência neste nível,
                                                                 por  exemplo,  os  seguintes:  Epstein  and  Jermakowics;
               O TOC é o profissional que representa melhor, em Por-  Kieso, Weygandt and Warfield; Mirza, Orrel and Holt; Ba-
               tugal, este primeiro nível. De uma forma genérica pode  ruch Englard; Paul Larsen; Jeter and Chaney; Haried, Im-
               ser  chamado  de  “guarda-livros”  (“bookkeeper”)  ou  de  dieke and Smith; Dukes, Davies and Dyckman; Meigs;
       4       “fisco-contabilista”, numa linguagem menos apropriada e,  Stanga; Mosich; Pendril;, Pahler and Mori; Horngren, en-
                                                                 tre outros.
               para muitos, algo pejorativa. A sua preocupação principal
               é com a escrituração. A prática contabilística da quase to-
               talidade dos TOC fica-se meramente pela escrituração em
               empresas não cotadas (mais de 95% do total das em-
               presas), as quais, em Portugal, são pequenas ou muito  O NÍVEL RELACIONADO COM A TEORIA DA CONTA-
               pequenas, por padrões europeus. Os autores de livros de  BILIDADE (“ ACCOUNTING THEORY” )
               contabilidade,  em  Portugal,  em  regra,  escrevem  livros
               essencialmente de escrituração contabilística, sem preo-  O estudante ou profissional não toma como dados
        J
        u      cupações teóricas, e para este nível de exigência básico.
        l                                                        - O POC e as Directrizes Contabilísticas (quando ainda
        h                                                          em vigor);
        o
               O NÍVEL RELACIONADO COM A INTERPRETAÇÃO E         - O SNC e as NCRF; e
        /
               IMPLEMENTAÇÃO DA CONTABILIDADE
        S                                                        - Os IFRS.
        e      O estudante ou profissional toma como dados, mas pro-
        t
        e      cura interpretar, para além de aplicar,
       m                                                         Vai muito mais longe que o do segundo nível. Não toma,
        b      - O POC e as Directrizes Contabilísticas (quando ainda  também,  como  dados  os  IFRS  do  IASB,  os  SFAS  do
        r       em vigor);                                       FASB ou os normativos em vigor em qualquer outra ju-
        o
                                                                 risdição. Discute e questiona conceptualmente e teorica-
        2      - O SNC e as NCRF; e                              mente estes normativos. No seu estudo vai ainda para
        0                                                        além dos livros consagrados internacionalmente de “In-
        1      - Os IFRS.                                        termediate Accounting” ou de “Advanced Accounting” re-
        0
   1   2   3   4   5   6   7   8   9