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Editorial                                            R
                                                                                                                E
                                                                                                                V
                                                                                                                 I
                                                                                                                S
           UM PROBLEMA CUJA RESOLUÇÃO MUITO URGE                                                                T
                                                                                                                A
                                                                                       Carlos Baptista da Costa  D
                                                                                             Director da RCF    E
           É recorrente. Todos os anos, no início de Setembro, vários jornais publicam notícias, mais ou menos detalhadas,  C
         dando conta das más condições físicas em que se encontram diversas escolas públicas dos ensinos básico e secun-  O
                                                                                                                N
         dário. Recentemente tivemos mesmo oportunidade de ler que muitas delas “mais parecem saídas de países subde-  T
         senvolvidos” e que “as condições são quase terceiro-mundistas”.                                        A
                                                                                                                B
                                                                                                                 I
           É, no entanto, importante salientar que os problemas em causa não se cingem a escolas daqueles graus de ensino,  L
         pois no ensino superior há instituições que funcionam em edifícios sem condições adequadas para desenvolverem a  I
                                                                                                                D
         sua função. Referimo-nos, agora, concretamente, ao Instituto Superior de Contabilidade e Administração de Lisboa
                                                                                                                A
         (ISCAL), criado em Julho de 1976, na sequência da reconversão do Instituto Comercial de Lisboa.        D
                                                                                                                E
           Naquela data, o ISCALfoi ocupar parcialmente um edifício público construído em altura, há já vários anos, numa  E
         das mais movimentadas avenidas de Lisboa, com oitos pisos e uma cave, sendo que os departamentos ministeriais
         que também o ocupavam foram sendo transferidos para outros locais, de tal forma que há já bastante tempo aquele  F
                                                                                                                 I
         Instituto é o seu único utilizador.                                                                    N
                                                                                                                A
                                                                                                                N
           Desde o início que se concluiu que tais instalações não se adequavam aos fins para que estavam a ser utilizadas.
                                                                                                                Ç
         De facto, além do barulho excessivo provocado pelo intenso tráfego rodoviário, é de referir que a sala dos professo-  A
         res é minúscula e os gabinetes de trabalho dos mesmos são quase inexistentes tal como, aliás, salas de estudo para  S
         os alunos – cerca de 3.000 –, os quais recorrem para o efeito aos átrios e corredores dos diversos andares.  N.º
                                                                                                               106
           Embora existam algumas salas equipadas com meios informáticos, o seu número, também devido a razões de na-
         tureza física, é manifestamente insuficiente face à quantidade de cursos que presentemente ali funcionam: quatro li-
         cenciaturas, uma das quais subdividida em três ramos, e sete mestrados, em três turnos, ou seja, ininterruptamente
         entre as 8 e as 23 horas.


           O único espaço ao ar livre que existe é um pequeno pátio/esplanada localizado no rés do chão, onde se encontram
         instalados os serviços administrativos e académicos e a biblioteca. Na cave funcionam a cantina, a livraria, a repro-  3
         grafia, a associação de estudantes, um auditório, a sala de convívio e os arquivos.Tudo em “formato” minúsculo. Basta
         referir que o auditório tem capacidade para apenas 100 pessoas, ou seja, 3% da população escolar.

           Ao longo dos últimos 35 anos foram sendo feitas oficialmente promessas de que o ISCALiria passar a ocupar um
         edifício construído de raiz, que corresponderia a requisitos mínimos de um ensino de qualidade, aliás à semelhança
                                                                                                                 J
         dos restantes três ISCA (Aveiro, Coimbra e Porto), que funcionam há muito tempo em edifícios especificamente  u
         construídos para tal fim.                                                                               l
                                                                                                                h
                                                                                                                o
           Entre outras hipóteses de deslocalização aventadas ao longo dos anos para as novas instalações (Cidade Univer-
                                                                                                                /
         sitária, Chelas, Benfica...), algumas com maquetas propostas pelos respectivos arquitectos, foi aprovada, no início de
         2005, pelo respectivo Ministro, a construção de um novo edifício no campus de Benfica do Politécnico de Lisboa.  S
                                                                                                                 e
         Infelizmente, por uma ou outra razão, o certo é que a construção ainda não se iniciou e não se sabe se/ou quando ar-  t
         rancará. Isto apesar de o respectivo projecto de arquitectura do edifício ter ficado concluído no final de 2010, ou seja,  e
                                                                                                                m
         há quase um ano, e de existirem disponibilidades financeiras que cobrem cerca de 75% do custo da obra.  b
                                                                                                                 r
                                                                                                                o
           Para além de, neste momento, questionarmos se o edifício responderá às necessidades actuais e futuras do ISCAL,
         o que mais receamos é que, face aos actuais constrangimentos orçamentais que o nosso país atravessa, este venha a ser,  2
                                                                                                                 0
         lamentável e incompreensivelmente, mais um projecto adiado e que as verbas a ele afectas tenham outra aplicação.  1
                                                                                                                 1
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