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Editorial R
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A (IN)UTILIDADE DOS RANKINGS T
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Carlos Baptista da Costa D
Director da RCF E
Nos últimos anos tem sido habitual alguns jornais de âmbito nacional publicarem suplementos com estudos dedi- C
cados às 1.000 maiores empresas não financeiras, às 1.500 maiores PME, às maiores empresas de alguns distritos, etc.. O
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Entendemos ser do maior interesse a publicação de tais estudos pelo facto de disponibilizarem não só um conjunto A
muito alargado de informações sobre a parte mais significativa do nosso tecido empresarial como também sobre os di- B
versos sectores de actividade. I
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No final de Novembro, o Expresso, em 26, e o Diário de Notícias, em 29, publicaram tais suplementos com refe- I
rência ao ano de 2010, que, de seguida e respectivamente, identificaremos por 1º estudo e 2º estudo. D
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Para a realização dos estudos em causa, aqueles jornais contaram com a colaboração de empresas especializadas na E
recolha e análise de dados, respectivamente, a Informa D&B e a IF-4 – Processamento de Informações. Da compara-
ção dos dois estudos extraímos algumas breves conclusões que passamos a partilhar com os leitores. E
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Assim, enquanto que o 1º estudo considera quinze sectores de actividade económica, o 2º apresenta dezoito. Em- I
bora os referidos rankings não incluam, como mencionámos, os sectores financeiro e segurador, o último estudo dedica N
análises específicas a estes dois sectores de actividade. A
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No que se refere à análise por critérios e indicadores, em ambos os estudos são apresentados dez quadros, cada um A
deles inserindo, respectivamente, as 10 e as 20 empresas melhor classificadas. No entanto, na maior parte dos casos não S
há coincidências nem de critérios nem de indicadores.
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Um dos aspectos que mais chamou a nossa atenção tem a ver com o facto de, embora o Sistema de Normalização
Contabilística (SNC) tenha entrado em vigor, como se sabe, em 1 de Janeiro de 2010, a maior parte dos indicadores do
2º estudo basearem-se em conceitos constantes do revogado Plano Oficial de Contabilidade (POC). Assim, por exem-
plo, refere-se que o volume de negócios corresponde ao total dos proveitos correntes (conceito D da Demonstração dos
resultados) ou seja, o total dos proveitos e dos ganhos excluindo os extraordinários. Por sua vez, o 1º estudo considera,
e bem, o volume de negócios como sendo apenas o somatório das vendas com as prestações de serviços.
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Não obstante esta divergência, a 1000ª empresa constante do 2º estudo apresenta um volume de negócios de 25 mi-
lhões de euros enquanto que a 1000ª do 1º estudo atinge quase 35 milhões de euros. Esta situação é incompreensível
uma vez que o conceito de volume de negócios constante do 2º estudo é substancialmente mais amplo do que o do 1º
estudo. Aliás, comparando a lista das dez primeiras empresas verifica-se que apenas seis fazem parte de ambos os es-
tudos!!! Parece pois poder concluir-se que a base de dados utilizada para a elaboração do 2º estudo não contém a tota-
lidade das cerca de 400.000 empresas portuguesas.
Em anos anteriores, o Diário de Notícias costumava também inserir um quadro com alguns indicadores sobre as 100 O
maiores empresas europeias. Infelizmente, o estudo agora publicado não inclui tal informação o que consideramos, por u
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razões óbvias, uma lacuna muito significativa. A título de curiosidade, em 2009 a então 1ª empresa portuguesa factu- u
rou 4% da 1ª empresa europeia e a 1000ª empresa portuguesa facturou 0,2% da 100ª empresa europeia. Pensamos que b
a realidade actual não será muito diferente da descrita o que mostra à saciedade a importância do nosso tecido empre- o r
sarial quando comparado com o europeu. E se a comparação for feita a nível mundial...
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Por seu lado, o Expresso publica um quadro com algumas informações relativas às 70 maiores empresas exporta- D
doras, apresentando o volume de negócios para o mercado externo separado entre os mercados comunitário e extra co- e z
munitário. Da análise do referido quadro, conclui-se que 63% das exportações portuguesas se destinam a países da e
União Europeia. m
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Como é óbvio, este tipo de estudos são sempre muito bem-vindos desde que não enfermem das discrepâncias assi- o
naladas, uma vez que a existência destas leva-nos a questionar a respectiva utilidade para se tomar conhecimento da nossa 2
estrutura económico-empresarial, mesmo tendo em conta que a mencionada amostra representa apenas cerca de 0,3% 0
do total das empresas portuguesas. 1 1

