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         aproveitada pelos utilizadores da informação financeira, ape-  dade (POC) e consequentemente o MOAF. Em 1989, o POC
         sar da informação que contém e que as dificuldades no pre-  sofreu alterações e esta demonstração passou a designar-se
         enchimento e compreensão desta demonstração são bastan-  Demonstração  de  Origens  e  Aplicação  de  Fundos  (DOAF),
         tes. Com este trabalho pretende-se analisar se os Técnicos   sofrendo  apenas  ligeiras  modificações  devido  às  alterações
         Oficiais de Contas (TOC) que consideram esta DF importante   verificadas  no  código  das  contas.  Em  1994  foi  publicada  a
         têm mais dificuldades no apuramento dos fluxos das ativida-  Diretriz Contabilística (DC) n.º 14 – Demonstração dos Fluxos
         des de investimento e de financiamento e menos nas ativida-  de Caixa. A partir desta data esta informação “passou a incluir
         des operacionais.                                    uma análise assente nas variações de tesouraria e suas mu-
                                                              tações” (Santos, 2004, pág. 34).
                                                              “Nos  últimos  anos  tem  vindo  a  assumir  relevância  para  os
                     ENQUADRAMENTO TEÓRICO                    utentes  da  informação  financeira  o  conhecimento  do  modo
                                                              como a empresa gere e utiliza o dinheiro num determinado
         Enquadramento histórico da Demonstração de Fluxos de   período” (Guimarães, 2009, pág. 32), e, por isso, em 2010,
                               Caixa                          entrou em vigor o SNC que “vem na linha da modernização
                                                              contabilística ocorrida na UE” (Decreto-Lei (DL) n.º 158/2009)
         A Demonstração de Fluxos de Caixa até à 2ª Guerra Mundial   e a DFC passou a ter que ser apresentada apenas pelo méto-
         não  tinha  qualquer  relevância,  nem  para  os  gestores  nem   do direto, como prevê o artigo 11.º - “Demonstrações Finan-
         para  os  analistas  financeiros,  de  acordo  com  Caiado  e  Gil   ceiras” do DL acima mencionado:
         (2000). Só a partir da 2ª Guerra, é que começaram a surgir os
         primeiros sinais que as empresas necessitavam de informa-  “As entidades sujeitas ao SNC são obrigadas a apresentar as
         ção que agregasse os seus movimentos financeiros. Começa-  seguintes demonstrações financeiras:
         ram então a surgir relatórios anuais das empresas, onde se
         notava falta de uniformidade na terminologia, no âmbito e no   a)  Balanço;
         formato. A informação divulgada apenas comparava a situa-  b)  Demonstração dos Resultados por naturezas;
         ção financeira de um ano para outro, não explicando as dife-  c)  Demonstração das alterações no capital próprio;
         renças  entre  os  resultados  contantes  dos  documentos  de   d)  Demonstração de fluxos de caixa pelo método direto;
         prestação de contas e os fundos disponíveis. Perante estas   e)  Anexo.”
         situações, o American Institute of Certified Public Accountants
         (AICPA),  publicou  em  1961  a  primeira  demonstração  que   O legislador do SNC eliminou a apresentação da DFC pelo
         tinha a designação de Mapa de Origens e Aplicação de Fun-  método indireto, tendo em conta que o método direto propor-
         dos (MOAF).                                          ciona informações mais detalhadas e completas.
         O interesse em relação a este mapa foi aumentando, princi-  Vamos de seguida estudar a Norma Contabilística e de Rela-
         palmente  na  importância  em  divulgar  os  fluxos  de  caixa,  o   to Financeiro (NCRF) 2 – Demonstração de Fluxos de Caixa e
         que levou o Financial Accounting Standards Board (FASB) a   as vantagens e desvantagens da DFC, de acordo com vários
         elaborar um memorando em que resumia a importância dos   autores.
         fluxos de caixa e da liquidez financeira e a aprovar em 1987 a
         norma 95 – “Demonstração dos Fluxos de Caixa”. Esta norma   NCRF 2 – Demonstração de Fluxos de Caixa
         exigia que todas as empresas elaborassem um conjunto de
         documentos de prestação de contas para divulgarem a situa-  A DFC já era utilizada anteriormente com o POC, mas adqui-
         ção  financeira  e  os  resultados  das  suas  operações,  assim   riu uma maior notoriedade junto dos utilizadores da informa-
         como que elaborassem uma demonstração de fluxos de caixa   ção financeira, resultante de uma maior utilização das análi-
         para  cada  período  que  mostrava  os  resultados  das  opera-  ses financeiras, nomeadamente nas técnicas de avaliação de
         ções,  em  unidades  monetárias.  Silva  e  Martins  (2012,  pág.   empresas via análise cash flow.
         18) consideram que “a aprovação desta norma resulta numa   Esta  demonstração  surge  para  colmatar  a  necessidade  de
         mudança significativa das práticas de divulgação contabilísti-  uma informação que contenha unicamente os fluxos monetá-
         ca, uma vez que esta demonstração concentra-se em infor-  rios permitindo uma comparação de valores entre entidades.
         mações divulgadas numa base de caixa ao contrário das an-  A  NCRF  2  tem  como  objetivo  exigir informação  acerca  das
         teriores que eram preparadas numa base de acréscimo”.   alterações  históricas  de  caixa  e  seus  equivalentes  de  uma
         Por  outro  lado,  o  IASB  publicou  a  Norma  Internacional  de   entidade  através  de  uma  demonstração  que  classifique  os
         Contabilidade n.º 7 Statement of Changes in Financial Positi-  fluxos de caixa durante o período em operacionais, de investi-
         on  –  Demonstração  das  Alterações  na  Posição  Financeira,   mento e de financiamento. Esta classificação por atividades
         que foi revista e substituída pela Demonstração dos Fluxos de   permite aos utentes determinar o impacto destas na situação
         Caixa, a vigorar a partir de janeiro de 1994.        financeira da entidade e nas quantias de caixa e seus equiva-
         Em Portugal, em 1977 adotou-se o Plano Oficial de Contabili-  lentes, assim como avaliar as relações entre as mesmas.
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