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         tiveram  um  esquema  receita  comum,  paga-         real, paralelo e alternativo ao eixo viário exis-
         mentos  efetuados  pelo  Estado  em  sistema         tente  na  primeira  vaga.  Os  projetos  SCUT
         bandas tráfego.                                      consistiam  em  autoestradas  maioritariamente

         Este trabalho pretende responder a questões,         em regiões economicamente desfavorecidas e
         tai  como:  Qual  o  retorno  financeiro  destas     sem encargos para o utilizador, em chamada
         concessões? Qual a criação de valor para os          “portagem virtual”. O pagamento aos privados
         seus acionistas?                                     era realizado pelo Estado, com base num sis-
                                                              tema  de  bandas  de  tráfego.  Recentemente,
         Para  o  desempenho  financeiro,  aplicou-se  o      em 2010 e 2011, por motivos orçamentais, fo-
         ROE e ROA. Para a criação de valor os indi-          ram introduzidas portagens reais nestas auto-
         cadores utilizados foram EVA e CFROI. O iní-         estradas. O registo de passagens é feito ele-
         cio  do  período  de  análise  (2003)  consiste  no   tronicamente  e  cobrado  pela  concessionária
         início  da  fase  operação.  Já  o  fim  da  análise   privada,  mas  a  receita  pertence  à  empresa
         em 2009 prende-se com a introdução do SNC            pública, Estradas de Portugal, que gere a rede
         em 2010, as alterações contabilísticas tornam        viária  nacional.  Os  privados  passaram  a  ser
         difícil a comparação entre POC e SNC.À data          remunerados por disponibilidade. O esquema
         de elaboração do presente estudo, o número           de cobranças aos utilizadores e remuneração
         de anos em SNC era reduzido, optando-se por          dos privados tem uma complexidade acresci-
         analisar  apenas  o  período  2003-2009.  Com        da para todas as partes, em compensação de
         base nas demostrações financeiras (balanço e         algumas vantagens contabilísticas para o Es-
         demostração  de  resultados)  das  várias  con-      tado.  Generalizou-se  a  denominação  de  “ex-
         cessões,  criou  se  uma  base  de  dados,  para     SCUTs” para referência a estes projetos.
         aplicar os respetivos modelos.
                                                              Considerados os objetivos deste trabalho, se-
                                                              lecionaram-se para análise apenas quatro in-

            2. Metodologia e dados                            dicadores: ROE e ROA (performance financei-
                                                              ra) e EVA e CFREI (criação de valor). O ROE
                                                              (rentabilidade capital próprio), consiste na divi-
         Portugal,  em  matéria  de  PPP’s  assume  um        são  do  RLE  pelo  CP  (eq.1).  Já  o  ROA
         papel relevante a nível mundial. Segundo da-         (rentabilidade  ativo),  é  obtido  pela  divisão  do
         dos  do  BEI,  citados  em  Sarmento  e  Reis        resultado  operacional  (após  impostos)  pelo
         (2012), Portugal é o país da Europa com mais         total  ativo  (eq.2).  Para  efeito  de  cálculo  do
         investimento em PPPs quando medido em %              ROA,  assumiu-se  uma  de  taxa  de  IRC  de
         PIB. Entre 1993 e 2012, foram lançados trinta        25%.
         e cinco projetos, num investimento total de de-                          RLE

         zassete mil  milhões  de  Euros. Estes  projetos                  ROE =   Capital Próprio        Equação 1
         dividem-se pelo setor rodoviário (22), ferroviá-                ROA=   RO X (1 - Taxa de Imposto)   Equação2

                                                                                Total do Ativo
         rio (2), saúde (10) e segurança (1). Decorrente
         desta utilização os encargos orçamentais são         O  cálculo  do  EVA  (eq.  3),  obriga  ao  cálculo
         elevados, acima de 0,5% PIB/anual até 2030,          anterior do RODI - Resultado Operacional De-
         visto que entre 2014 - 2020 atingem um apro-         pois de Imposto, assumiu-se uma taxa de IRC
         ximadamente 1% PIB/ano.                              de 25%,(eq.4); do capital (eq.5), a RCP- renta-
         A vaga de PPPs em análise neste artigo, lan-         bilidade do capital próprio (eq. 6), o custo do
         çada  entre  1999-2002,  correspondeu  a  sete       passivo (eq.7) e o WACC (eq.8). Após efetua-
         projetos SCUTS, dois projetos de autoestrada         dos  os  cálculos  preliminares,  estão  reunidas
         com portagem real, nas áreas metropolitanas          as  condições  para  proceder  ao  cálculo  do
         de  Lisboa  e  Porto,  dois  projetos  de  ligação   EVA. Este gera output em milhares de Euros.
         destas  duas  cidades,  também  com  portagem        Valores positivos significam que nesse ano a
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