Page 18 - rcf126_Neat
P. 18

18





         res  podiam  ser  citados.  Como  já  foi  referido  Ijiri  tem  muitos  adeptos  na   distribuições normais, por exemplo), represntando duas técnicas de mensu-
         Ásia, com especial realce para o Japão e a China. Na Holanda e em muitos   ração alternativas, onde a média é a mesma em cada uma delas, mas o
         outros países do mundo ocidental também tem muitos seguidores.   nível  de  dispersão  (variância)  é  maior  numa  delas,  logo,  produzindo  um
                                                              resultado com uma Objectividade inferior à outra técnica (com dispersão ou
         Críticos de Ijiri                                    variância menor).

                   De uma forma geral todos os defensores da “user-decision informati-           Contudo, a Objectividade não reflecte a Fiabilidade, que é um concei-
         on approach” e todos os defensores dos Modelos Alternativos de Mensura-  to mais útil para os contabilistas. Ijiri e Jaedicke sugerem a utilização do
                     129
         ção Contabilística  que incorporam a variação de preços na Contabilida-  erro quadrático médio (“mean square error”) como medida da Fiabilidade.
         de, específicos ou de inflação, são críticos do modelo do Custo Histórico   Assim, definem a Fiabilidade como sendo,
         em  Moeda  Nominal  defendido  por  Ijiri.  O  mesmo  vale  para  o  FASB  e  o
         IASB  quando  preconizam  o  “Mix-Model”  (inapropriadamente  denominado
         Modelo do Justo Valor), preconizado pelos iGAAP’s (IFRS). Todavia, con-
         vém sublinhar, que Ijiri procedeu a um  “up-grading” do Modelo do Custo
         Histórico em vigor desde os anos 30 do século passado, o qual foi impulsio-  onde    é o suposto valor, ou,
         nada  pela  SEC  na  decorrência  da  Grande  Depressão  de  1929.  Assim,
         quando se afirma que Ijiri é defensor do Modelo do Custo Histórico, importa
         qualificar  a  afirmação  tendo  em  consideração  as  alterações  substanciais
         que  preconizou  ao  modelo  de  base,  sobretudo  quando  nele  introduziu  a
         ‘estrutura dinâmica’ já referida. Uma crítica a Ijiri, por exemplo, pode ser            Desta segunda expressão da Fiabilidade, Ijri e Jaedicke estabelecem
                            130
         vista em Fraser, I.A.M (1993) .                       que o Grau de Fiabilidade é igual ao Grau de Ojectividade (primeiro termo)
                                                               mais um Enviesamento da Fiabilidade (“Reliance Bias”) que corresponde
         Conclusão                                             ao segundo termo. Este último, por sua vez, é igual às diferenças entre o
                                                                        valor médio e o suposto valor da mensuração.
                      Ijiri foi um dos grandes pensadores da Contabilidade do Século XX.            Os profissionais da contabilidade enfrentarão assim uma escolha de
         Integra o Hall of Fame (USA). Procurou com sucesso desenvolver a Teoria   “trade-off” entre Objectividade e Enviesamento que leve a um nível aceitá-
         da  Contabilidade  com  fundamentação  na  Economia,  na  Matemática,  na   vel de Fiabiliddade.
         Física, na Estatística e na Investigação Operacional.  Entre as muitas con-
         tribuições  que  deu  para  a  Teoria  da  Contabilidade  destaca-se  a  “TEMA-  ANEXO 2 – UM EXEMPLO DE APLICAÇÃO DE CÁLCULO DIFERENCIAL E
         Triple Entry and Momentum Accounting” pela sua originalidade e profundi-  INTEGRAL À RELAÇÃO DINÂMICA ENTRE O BALANÇO E A DEMONS-
         dade.  Recebeu  por  quatro  vezes  (caso  único)  a  distinção  AICPA-AAA's   TRAÇÃO DE RESULTADOS
         Notable  Contributions  to  Accounting  Lecturer  Award  (1966,  1967,  1971,
         1976). Em 1985, foi seleccionado como AAA's Distinguished International   O curto texto que se segue é um pequeno extracto de um “working paper”
         Lecturer e, em 1986, recebeu daquela organização o Outstanding Accoun-  mais vasto que estávamos a escrever há vários anos atrás precisamente
         ting Educator Award. É considerado uma referência fundamental na Conta-  com o objectivo de tentar mostrar como é possível aplicar o Cálculo Dife-
         bilidade em temos mundiais. Ijiri escreveu muito sobre Contabilidade, sozi-  rencial e Integral à Contabilidade. Desconhecíamos, então, a notável obra
         nho e em parceria com grandes nomes da Contabilidade contemporânea.   de Yuji Ijiri, ou seja, que aquele grande pensador da Contabilidade já tinha
         Os seus livros constituem hoje obras clássicas e pioneiras na Contabilida-  trilhado e explorado o caminho com grande sucesso. A partir do momento
         de. A sua obra deveria constituir um ponto de encontro interdisciplinar para   que tomámos conhecimento da obra de Ijiri, somente nos restou contemplá-
         alunos, docentes e investigadores  que queiram  cruzar a Matemática  e a   la e admirá-la…
         Investigação Operacional (e outras  disciplinas) com a Contabilidade. Yuji
         Ijiri é uma figura de grande envergadura intelectual, cultural e ética.   ‘Extracto do texto’

         ANEXO  1-  OS  CONCEITOS  DE  “OBJECTIVITY”  E  DE  “RELIABILITY”   “…..So, let us consider the following traditional accounting equations,
         SEGUNDO IJIRI E JAEDICKE
                                                                  A = L + C                  or               C = A - B                                    (1)
                    Ijiri e Jaedicke definem a Objectividade como sendo,   E + P = R                  or               P = R - E                                    (2)

                                                              where,

                                                              A: Assets                                     L: Liability                         C: Equity Capital
         onde,                                                E: Expense                                  R: Revenue                      P: Profit
            = número de mensurações no grupo de referência
            = quantidade da i-ésima mensuração                and,
            = média dos  em todos as mensurações no grupo de referência
                                                              (1) Balance Sheet Equation (Opening Balance)
                   Dito de outro modo: quando se escolhe entre duas técnicas de men-  (2) Income Statement Equation
         suração em Contabilidade que resultam em duas distribuições de mensura-
         ção, a técnica que produz a variância mais pequena é mais Objectiva. Este   Restating each variable as a time function with the elements of subaccounts
         conceito pode ser visualizado com dois gráficos em forma de sino (duas   in parenthesis, we have,

         _____________________________________
         129  Neste  último  grupo  encontram-se  nomes  como  MacNeal,  Canning,  Sweeney,  Chambers,
         Baxter, Edwards and Bell, entre outros. Na RCF já se escreveu sobre muitos destes autores.
         130  Fraser, I.A.M. (1993), "Triple-entry bookkeeping: a critique." Accounting and Business
         Research, Vol. 23, No. 90, pp. 151–158.
   13   14   15   16   17   18   19   20   21   22   23