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A PERFORMANCE DO DESEMPENHO
FINANCEIRO DAS PPPS: O CASO DAS SCUTS
ENTRE 2003-2009
Joaquim Miranda Sarmento
Professor Auxiliar no ISEG, Ph.D. in Finance (Tilburg
University)
Carla Vieira
Mestre em Finanças pelo ISEG
dores mais completos, mas também mais
1. Introdução complexos, refira-se. Neste sentido são fre-
quentemente utilizados: EVA e o CFROI.
(Peixoto, 2002); (Kaur e Narang, 2008).
Nas últimas décadas assistiu-se a um aumen-
to do recurso do setor privado para a constru- Para de Shil (2009), EVA é a medida de de-
ção e/ ou recuperação de infraestruturas, e sempenho financeiro mais próxima do lucro
também, na prestação de serviços, geralmen- económico, ou seja, o EVA é uma medida de
te da responsabilidade exclusiva do serviço desempenho mais relacionada com a criação
público. Este facto levou à popularização das de valor, para o acionista. Trata-se de uma
parcerias público-privadas (PPPs). Portugal, medida de avaliação do desempenho financei-
neste campo, não foi exceção, tendo sido um ro de uma empresa, tem como principal objeti-
dos países europeus que mais recorreu às vo, medir o valor criado pela gestão.
PPPs. Contudo, a utilização das PPPs têm O Cash FlowReturnonInvestment (CFROI)é
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gerado diversas críticas e controvérsias . uma medida de valor, baseada nos Cash-
Uma das principais críticas reside nos eleva- Flows (CF) descontados através da TIR. Este
dos retornos gerados para o setor privado e indicador avalia o desempenho da empresa.
na capacidade deste criar valor. Fornece estimativas dos CF futuros.
É um facto corrente aceite que a informação Com este artigo pretende-se estudar a perfor-
financeira é extremamente relevante na ativi- mance e o desenvolvimento financeiro portu-
dade de uma empresa. Essa relevância opera guês das PPPs para um período de 7anos
-se a diferentes níveis: avaliação da empresa (2003-2009).
e da sua performance, avaliação da perfor- Nesta análise, analisaram-se sete projetos ro-
mance da gestão e realização de previsões. doviários SCUT. Os projectão à data, corres-
(Sherma e Kumar, 2010). De forma a avaliar e pondiam a uma parte significativa das PPPs
comparar com as empresas do mesmo sector, rodoviárias em operação, num total de trinta e
são frequentemente utilizados rácios de de- cinco PPPs, vinte e duas eram no sector rodo-
sempenho financeiro, tais como o ROE viário. Dessas, catorze estão em operação,
(ReturnonEquity – retorno dos capitais pró- sendo que as restantes oito iniciaram a opera-
prios) e o ROA (ReturnonAssets – retorno dos ção entre 2013 - 2014. Como tal, e uma vez
ativos). No entanto, as limitações destes indi- que para medir a performance e o desenvolvi-
cadores, nomeadamente não incorporarem o mento financeiro é necessário ter alguns anos
custo do capital, levou a que surgissem indica- de operação, entendeu-se que as sete
_____________________________________ SCUTS seriam uma amostra relevante. Adici-
1 Entre essas críticas destacam-se: affordability e restrições orçamentais (Broadbent, 2003);
Froud, (2003) e no caso português, (Sarmento e Reis, 2013); Não gerar value for money onalmente, estes projetos foram lançados
(Grimsey& Lewis, 2005); Shaoul, (2003) ou no caso português, (Sarmento, 2010); reduzem a num período comum (98-2000) e até 2010,
competição e concorrência (Blanc-Beude, 2006); accountability (Broadbent, 2003 e Froud, 2003)
e eficiência.

