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AVALIAÇÃO DA PRODUÇÃO A CUSTOS HISTÓRICOS VERSUS CUSTOS PADRÕES E
ANÁLISE DOS DESVIOS
CÉSAR FERNANDO MOREIRA COUTINHO
Fotografia de Micheile Henderson no Unsplash
Contabilista e Auditor licenciado pelo ISCAP
Contabilista Certificado nº 9222
Professor de Contabilidade no ISCAP
Introdução 4. As dificuldades encontradas para medir objetivamente
as medidas não financeiras;
O apuramento do custo de produção (Coelho, 2012) com 5. A análise da curva de aprendizagem.
base nos custos históricos (custos reais, efetivos ou custos à
posteriori) apresenta insuficiências no fornecimento de infor- Os custos padrões são definidos a partir de normas técnicas
mação para a gestão. de consumo/imputação de Matérias-primas (MP), Mão de
Obra Direta (MOD) e outros gastos e não provêm, necessari-
Quando se utilizam custos históricos, os erros (ou as inefici- amente, da gestão orçamental. São, também, definidos com
ências de fabricação), não são detetados a tempo de evitar a base em registos (relatórios) da experiência passada e devem
ocorrência de prejuízos e desperdícios. ser calculados com rigor, embora obtidos à priori, o que vai
permitir obter uma ficha credível de custos padrões.
A gestão necessita de informação para prever ou determi-
nar o futuro, e, também, conhecer e medir a produção atual. A implementação de um sistema de custos padrões neces-
Esta informação permitirá à gestão conhecer, antes da produ- sita do contributo dos vários setores da empresa. Na enge-
ção se realizar (ou mesmo se iniciar), os custos que devem nharia da produção, por exemplo, calculam-se os consumos/
ocorrer de modo a que a falta de eficiência e os custos des- imputação por unidade física de produto de horas de mão-de-
necessários (desperdícios) sejam conhecidos na sua fonte, obra, horas de máquina, kg de matérias bem como a sua pa-
ou seja, na origem. rametrização.
No estudo dos custos padrões é fundamental destacar: O custo total padrão servirá para valorizar e registar todas
as transferências de produtos fabricados que resultem do
1. A importância de um sistema de custos teóricos para o Processo Produtivo (PP) para o respetivo armazém. A revi-
controlo de gestão tradicional (controlo à posteriori), são/atualização do custo padrão pode ocorrer no final de ca-
mais conhecido por gestão orçamental; da trimestre caso haja alteração significativa dos seus ele-
mentos, designadamente, ao nível dos respetivos fatores de
2. Os objetivos do controlo de gestão, a fiscalização e o produção, quantidades unitárias utilizadas desses fatores e/
controlo com acompanhamento de todos os processos ou preços ou custos desses mesmos fatores. Porém, o custo
da empresa (monitoring); padrão calculado nas respetivas fichas é, normalmente, revis-
3. A necessidade de utilizar medidas não financeiras to, anualmente e ao fim de cada período.
para avaliar o desempenho e controlar a gestão, ou
seja: As fichas de custo padrão devem ser elaboradas no início
do período, por produtos e fatores de produção, podendo,
∑ Diminuição do ciclo da produção; ainda, apresentar uma classificação por centros de custos.
∑ Melhoria contínua; Assim, o custo padrão de determinado produto P obtém-se
∑ Métodos de produção mais eficazes; através da multiplicação da quantidade necessária de cada
∑ Cumprimento de prazos de entrega; fator para fabricar P pelo respetivo custo ou preço unitário
∑ Criação de valor para o cliente; padrão desse fator. Por sua vez, O custo total padrão de cada
∑ Análise da cadeia de valor. Unidade Física (UF) de P é obtido através da soma dos cus-

