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          Segundo Caiado (1997), num sistema de custos reais (ou    sada  pode  incluir  deficiências  e  não  incorporar  qual-
         efetivos), o apuramento do custo industrial dos produtos tem   quer alteração futura;
         em conta as quantidades, efetivamente, consumidas valoriza-  2. - Os dados de outras empresas que tenham processos
         das aos custos de aquisição, ou seja,                      semelhantes. A única limitação para a utilização des-
                                                                    tes dados é que podem não estar disponíveis os res-
            Æ  as  MP são  debitadas segundo  os  consumos  efetiva-  petivos valores e quantidades;
              mente verificados e aos preços reais,               3. - O cálculo dos padrões.
            Æ  a  atividade  desenvolvida  pelas  diversas  secções  é
              debitada aos respetivos utentes segundo o nº de uni-  Um padrão do fator é uma quantidade calculada cuidadosa-
              dades de obra (ou de imputação) prestadas e ao custo   mente,  como  por  exemplo,  horas  de  trabalho  utilizadas  na
              efetivamente verificado no período e            produção. Um padrão de preço é o cálculo criterioso do preço
            Æ  os produtos fabricados dão entrada no respetivo arma-  que a empresa espera pagar por uma unidade de fator (por
              zém segundo os custos unitários de produção verifica-  exemplo, a taxa horária de trabalho). Um padrão custo é o
              dos no período.                                 custo de uma unidade de produto calculado com muito rigor
                                                              (por exemplo, o custo do trabalho incorporado numa peça de
          Os custos unitários adotados na valorização das matérias,   vestuário).
         unidades de obra (ou de imputação) das secções, produtos
         fabricados são, pois, determinados à posteriori.       Para os proveitos (rendimentos), o desvio favorável (F) é o
                                                              efeito  do  aumento  do  rendimento  (ou  proveito)  operacional,
          Um sistema de custos padrões pode ser utilizado quer no   enquanto o desvio desfavorável (D) é o efeito da diminuição
         método direto (apuramento dos custos por encomenda), quer   do  rendimento  (ou  proveito)  operacional  relativamente  aos
         no  indireto  (apuramento  dos  custos  por  processos)  porque   montantes orçamentados.
         está relacionado com o controlo de gestão.
                                                                Para efeito do cálculo dos desvios, caso sejam favoráveis
          De pouco serve a elaboração do orçamento anual caso não   (F), significa que os custos reais são inferiores aos orçamen-
         se  proceda,  depois,  ao  controlo  da  sua  execução.  Quando   tados; caso sejam desfavoráveis (D), significa que os custos
         comparamos os dados reais (ou realizações), à medida que   reais são superiores aos orçamentados.
         avança a execução, com os que constam do orçamento anual
         (constituem objetivos a atingir), obtemos o que se designam   Para  os  diversos  fatores  vão-se  comparar  as  seguintes
         de desvios.                                          grandezas:

          A análise dos desvios permite avaliar a eficiência de cada   ·  Custos (reais) suportados    [  Qe.ke (1)
         departamento  e  desencadear  medidas  corretivas  nos  casos   ·  Qt. real (Qe) utilizada e valorizada a custo padrão (kp)
         em que tais desvios ultrapassam determinadas margens tidas   [Qe.kp (2)
         como razoáveis e deve ser orientada no sentido de responder   ·  Qt. padrão (qp) afeta à Pe e valorizada a custo padrão
         a questões tais como:                                      (kp) [ qp.Pe.kp = Qo.kp (3)

            -  Quais as causas e                                Comparando (1) com (2) obtemos o desvio custo  e pode-
                                                                                                        1
            -  Quem é o responsável pelos desvios? (Caiado, 1997)   mos obtê-lo através da seguinte expressão:
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          Cálculo dos desvios                                       da) x Qt. real das entradas

          Desvios globais e parciais na MP e MOD                                ΔK = (kp-ke).Qe

          Para calcular o desvio custo (ou preço) e o desvio quantida-  Comparando  (2)  com  (3)  teremos  o  desvio  quantidade
                                                                                                                2
         de (ou eficiência, ou rendimento), as empresas necessitam de   (eficiência, ou rendimento) e pode ser obtido através da se-
         obter informação sobre os orçamentos dos fatores em valor e   guinte expressão:
         quantidade. As principais fontes de informação são:     ∑  (Qt. orçamentada da entrada afeta ao resultado – Qt.
                                                                    Real da entrada) x Preço orçamentado da entrada
             1. -  Os  dados  reais  dos  fatores  de  períodos  passados,
              que são obtidos, a baixos custos. Na procura de infor-        ΔQ = (qp.Pe – qe.Pe).kp
              mação deve ter-se sempre em conta a análise custo-
              beneficio.  Contudo,  existem  limitações  na  utilização   ——————————————————————
                                                              1 O mesmo desvio é dado pela expressão (Horngren et al., 2016) [ ΔK = (ke-kp).Qe
              desta fonte de dados uma vez que a informação pas-  2 O mesmo desvio é dado pela seguinte expressão (Horngren et al., 2016) [ ΔQ = (Qe-Qo).kp
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