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                                EMPRESAS ou … PAÍSES?

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                                                                  Diretor da RCF


        Em junho do ano passado, recolhia informação para o Editorial, debruçando-me sobre o tema
        da valorização das empresas tecnológicas. No entanto acabei por dar prioridade à competitivi-
        dade da Europa e às medidas acabadas de tomar em março com a aprovação no Parlamento
        Europeu do Programa InvestEU, pretendendo mobilizar 400.000 milhões de euros em investi-
        mento público e privado no período 2021-2027 para revitalizar a competitividade perdida.

        Revisito agora a situação há um ano atrás das empresas tecnológicas:

        O grupo das principais tecnológicas, onde se incluem gigantes como a Apple, a Microsoft, a
        Amazon, a Alphabet ou o Facebook, contém empresas com valores de mercado que ultrapas-
        sam o PIB de alguns países das principais economias mundiais.

        As principais empresas de tecnologia continuam a crescer, apesar de uma crise à escala global
        criada pela pandemia de covid-19. Prova disso é a entrada da Microsoft para o clube dos dois
        biliões de dólares na semana passada ou, já esta semana, o Facebook a ultrapassar a barreira
        de uma capitalização bolsista de 1 bilião de dólares.

        Com uma capitalização bolsista de 2,25 biliões de dólares, a Apple é a empresa mais valiosa
        do mundo. O valor da dona do iPhone ultrapassa o PIB de países como a Itália (1,885 biliões).
        Deste modo, no mapa das principais economias mundiais, a partir de dados do World Econo-
        mic Outlook, do FMI, apenas países como os Estados Unidos (20,9 biliões), a China (14,7 bili-
        ões), Japão (5,04 biliões), Alemanha (3,803 biliões), Reino Unido (2,711 biliões), Índia (2,709
        biliões) ou França (2,599 biliões) apresentam uma riqueza superior ao valor da Apple.

        Já a Microsoft contabiliza 2,599 biliões. Deste modo, o seu valor ultrapassa o PIB de países como a Itália (1,885 biliões).

        Seguem-se na lista de maiores capitalizações empresas como a petrolífera Saudi Aramco, que já figurou no clube dos 2 biliões,
        ao lado da Apple, mas que atualmente tem um valor de mercado que se situa nos 1,88 biliões de dólares.

        A Amazon e a Alphabet (dona da Google), duas candidatas ao restrito clube dos biliões, de acordo com estimativas, têm valores
        de mercado de 1,737 biliões e 1,672 biliões, respetivamente. Comparando com o PIB, este valor ultrapassa potências económi-
        cas como o Canadá (1,643 biliões), a Coreia do Sul (1,643 biliões) ou a Rússia (1,473 biliões de dólares).

        O Facebook ultrapassou este mês a marca de uma capitalização bolsista de 1 bilião de dólares. A rede social era a única das
        quatro big tech (Amazon, Facebook, Apple e Alphabet) que ainda não tinha ultrapassado a linha que todas ansiosamente perse-
        guem.

        Há um ano atrás era assim. Já este ano, em janeiro, a Apple ultrapassou a barreira dos 3 biliões de dólares, com vendas anuais
        de 365 mil milhões de dólares. Estas empresas tornaram-se potentados económicos de valor inimaginável há apenas alguns
        anos. Leis anti Trust e anti monopólio de há cem anos são hoje ineficazes. Multas gigantescas são pagas sem grande resistên-
        cia.

        A continuar assim, além de comprar outras empresas, poderão talvez comprar países. Comprar Portugal como colónia de férias
        para as suas centenas de milhares de funcionários: 400.000 vão para o Algarve apanhar sol, 200.000 ficam pelo Alentejo na apa-
        nha da azeitona, 100.000 vão para o Douro para as vindimas ….
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