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         de quatro provas escritas e três provas orais num total   opção, foi então preconizada a criação de uma Empresa
         de  cerca  de  dezanove  horas.  O  primeiro  exame,  que   Pública  de  Revisão  de  Empresas,  que  substituiria  a
         incluía  três  grupos  de  matérias,  teve  lugar  durante  o   CROC criada em Fevereiro de 1974 e que em Novem-
         quarto  trimestre  de  1973  tendo  sido  aprovados  nove   bro de 1999 foi transformada em Ordem dos Revisores
         candidatos de um total de cento e vinte e seis que se   Oficiais de Contas (OROC), à qual competiria a fiscaliza-
         propuseram a  exame.  De notar  que, em  situações  ex-  ção superior da actividade económica e financeira das
         cepcionais, podiam ser aprovados como ROC candida-   empresas.
         tos não sujeitos a exame mas apenas a uma entrevista.
         Esta excepcionalidade esteve em vigor até final de Ju-     Uma  vez  que  na  sequência  dos  acontecimentos
         nho de 1980. De referir também que de acordo com o   de 11 de Março de 1975 ocorreram as nacionalizações
         mencionado diploma, a Câmara dos Revisores Oficiais   da banca, dos seguros e de outros sectores da econo-
         de Contas (CROC) era considerada um organismo cor-   mia e que levaram ao denominado Processo Revolucio-
         porativo sujeito ao Ministro da Justiça.             nário em Curso (PREC), o Grupo entendeu que o pro-
                                                              blema  do  controlo  económico  estava  ultrapassado  e
              No que se refere às SROC, estas eram considera-  considerou  que  o  poder  económico  do  capital  estava
         das  sociedades  civis  profissionais  que  não  se  podiam   liquidado  e  que,  tendo  o  sector  privado  da  economia
         constituir sob forma comercial e em que todos os seus   perdido  a  sua  relevância  tornara-se  num  mero  sector
         sócios tinham de ser ROC. Por outro lado, a firma das   residual.  Assim,  o  Grupo  entendeu  avançar  para  uma
         SROC, cujo capital não podia ser inferior a 100.000 es-  revolução  profunda em  matéria  de  fiscalização de em-
         cudos (498.80 euros), só podia ser composta pelos no-  presas tendo defendido que os ROC seriam classifica-
         mes dos sócios.                                      dos por especialidades: gestão, economia, direito, conta-
                                                              bilidade, sociologia e ciências do trabalho.
              Antes de me debruçar sobre os principais aspec-
         tos incluídos nas seis regulamentações posteriores sali-   Um ano depois, em 19 de Novembro de 1975, foi
         ento o facto de entre Novembro de 1974 e Maio de 1978   nomeado pelo 6º Governo Provisório (Pinheiro de Aze-
         terem  sido  nomeados  pelos  diversos  governos  quatro   vedo) o 2º  Grupo  de  Trabalho, composto apenas por
         grupos de trabalho que elaboraram estudos sobre como   uma individualidade (Artur Luís Alves Conde) para for-
         a  profissão  deveria  funcionar  considerando  o  regime   mular uma proposta relativa ao mesmo assunto e basea-
         democrático instituído em Abril de 1974.             da em trabalhos efectuados em Portugal e no estrangei-
                                                              ro. O trabalho final, intitulado “Problemática dos Reviso-
              Assim, em Novembro de 1974 (3º Governo Provi-   res Oficiais de Contas”, foi apresentado em Fevereiro de
         sório/Vasco  Gonçalves)  foi  constituído  o  1º  Grupo  de   1976, três meses após os acontecimentos de 25 de No-
         Trabalho com o objectivo de proceder aos estudos rela-  vembro  de  1975  que  puseram  termo  ao  PREC.  Neste
         cionados com a revisão da legislação vigente em maté-  trabalho, que incluía cinco capítulos, o autor defendia a
         ria de fiscalização das S.A. e dos ROC. Tal Grupo era   tese de que a revisão de contas se devia processar sem
         composto pelas seguintes oito individualidades: Joaquim   estar ligada a aspectos da gestão mas unicamente com
         Rocha  e  Cunha,  Mário  Madureira,  Armando  Nogueira,   os  reflexos  desta nas  contas.  Em  coerência,  e porque
         Nuno  Bonfim  de  Matos,  António  Coelho  Garcia,  Isabel   era cada vez mais necessário corrigir e reforçar a credi-
         Prates,  Joaquim  Vicente  Pinto  e  Manuel  Duarte  Baga-  bilidade das contas das empresas, o autor emitiu o pare-
         nha, estes dois últimos em representação da CROC.    cer de ser urgente iniciar em Portugal a certificação das
                                                              contas, ou seja, “a missão de assegurar com toda a in-
              Em Junho de 1975 o Grupo apresentou o seu Re-   dependência que as contas sejam tão fiéis quanto possí-
         latório intitulado “Revisão Oficial de Empresas”, que in-  vel,  quer  quanto  à  realidade  económica  que  procuram
         cluía seis capítulos.                                retratar, quer quanto ao seu enquadramento na legalida-
                                                              de do país”.
              De acordo com as respectivas conclusões havia a
         considerar duas opções: a de a actividade de ROC ser       Um aspecto importante a realçar neste trabalho é
         exercida em regime liberal (independente) ou em regime   o  facto  de  o  autor  defender  que  o  “revisor  de    con-
         de funcionário público. Tendo sido adoptada a segunda   tas”  (expressão  por  si  preferida  por  entender  que  a
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