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       E                 A ACTIVIDADE COMERCIAL NO
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        S                           PORTO OITOCENTISTA
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       D                                                                                          José Manuel Pereira
       E                                                          Coordenador do Processo de Avaliação Pedagógica Docente do ISCAP
                                                                                Doutorando em História Contemporânea na FLUP
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       O       “O país evolui, mas devagar, detestando que o empur-  cremento de novas instituições bancárias são marcos in-
       N       rem.” 1                                           dicadores da marcha, ainda muito lenta para alguns, da
       T                                                         sociedade portuguesa.
       A       1. DO PORTUGAL DE  ANTANHO  AO PORTO CO-          Período fortemente marcado pela acção de Fontes Pereira
       B         MERCIAL                                         de Melo, que “sonhou governar uma país rico e liberal,” 4
        I                                                        o dinamismo que Portugal conhece nesta época encontra
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        I      1.1. À DESCOBERTA DO SÉCULO XIX                   no Fontismo uma política de componente prática e de in-
       D       Escondido e orgulhosamente esquecido, o Portugal do  tervenção nas bases das actividades económicas e obras
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       A       “estúpido século XIX” estava longe de constituir o cená-  públicas. Mas Portugal que se expandia, continuava de
       D       rio exemplar que se exigia ao contexto político, econó-  costas voltadas para o Terreiro do Paço. A política e o país
       E       mico, social e cultural do Estado Novo, evitando assim, en-  político pouco ou nada dizia a quem engrossava as esta-
               contrar nele as concepções liberais e democráticas  tísticas do elevadíssimo índice de analfabetismo. Por ou-
       E       perniciosas aos seus defensores e portadores de uma  tro lado, a incipiente experiência da vida partidária foi pro-
               “memória histórica” recente. As razões da heroicidade de  pícia à criação de um caciquismo que resultado da própria
        F      um povo, de uma nação e de uma soberania, deveriam ser  distância existente entre eleitos e eleitores se manifestou
        I      corporativamente procuradas no tempo que, secular-  na “despolitização e indiferentismo” do país real aumen-
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       A       mente, fazem orgulhar uma Nação que, presa no meio de  tando o abstencionismo “para o anónimo e colectivo zé-
       N       si, sobrevivia numa cultura histórica a preto e branco. No  povinho, a política e os partidos estavam ao largo, porque
       Ç       que respeita ao nosso espaço – e no dizer de Luís Alberto  o Estado só lhe batia à porta na figura do juíz, do imposto
       A       Alves – “custou habituarmo-nos a circular no passeio  ou da chamada para o serviço militar.” 5
        S      quando estávamos convencidos que teríamos sempre a
               rua por nossa conta. A perda do Brasil demorou a entrar  1.2. O PORTO (RE)VISTO POR DENTRO
       N.º     no nosso imaginário espacial e essa sonolência transfor-
       100     mou-se num pesadelo quando quisemos acordar em    “Ramalho Ortigão escrevia, em 1883, que aqueles que,
               África num travesseiro cor-de-rosa.” 3            como ele, tinham partido do Porto há vinte anos, arrisca-
               Decididamente indecisa, a sociedade portuguesa recolhia  vam-se ao regressar, a não atinar com o seu caminho, a
               no seu mundo, longe de Lisboa e de quem reinava, o  não encontrar a sua casa, nem a sua rua, nem os seus
               pouco que sabia e que era dado saber. Muitas décadas  sítios.” 6
               passariam para que só à geração seguinte fosse possível
               reter-se nas primeiras letras, ritmar as mais fáceis parce-  Acompanhando os ritmos próprios de recessão, estagna-
       6       las da tabuada, ou receber, soletradamente, notícias de  ção e crescimento que desenham os diferentes intervalos
               quem lá longe, ousou deixar suor português.
                                                                 de análise económica no Portugal Contemporâneo, a in-
               Portugal era assim antes. E assim continuou depois.   victa encontra no conturbado período da emergência do
               É neste sentido e limitados ao Portugal do antigamente que  liberalismo, atenção especial por parte da burguesia mer-
               procuraremos compreender o quadro político, económico,  cantil e financeira portuense para consolidar o seu domí-
               social e cultural que nos possibilite enquadrar e melhor jus-  nio e as suas influências.
               tificar o percurso estabelecido pelos agentes de mudança  Na maquete que planifica a ascensão da burguesia figura
               num século, também ele, à espera de melhores dias.  a criação e implantação de instituições que reflectem o po-
               Quais as transformações a operar numa sociedade de-  der e a influência da burguesia mercantil e financeira: a As-
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               pendente do exterior? Quais as dinâmicas do comércio in-  sociação Comercial do Porto, o Tribunal de Relação do
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        n      terno? Que políticas estabelecidas e qual o papel dos seus  Comércio e o Banco Comercial do Porto, atestam este
        e      agentes comerciais? Que papel desempenha o comércio  crescente poder, recorrente da vitória liberal e da nova or-
        i      e os comerciantes?                                dem de espaços e relações surgida com o novo conceito
        r      É pois durante a segunda metade do século XIX que as-  de cidadania. Na esteira do desenvolvimento da primeira
        o      sistimos a um 2º período de ascensão de tendência longa  metade de Oitocentos, o Porto recupera o ritmo de cres-
        /      de alta de desenvolvimento económico. Aspectos con-  cimento demográfico, aumenta o dinamismo das activi-
       M       junturais, exteriores e interiores, nortearam uma certa  dades económicas, nomeadamente a indústria, a par da
        a      acalmia que se caracterizou pela estabilidade política. A  criação de infra-estruturas que procuraram acompanhar
        r      fase ascendente dos países industrializados europeus e  as transformações que o tecido urbano obrigava. O es-
        ç      o Fontismo, juntamente com o aumento da especulação  paço urbano, como que solidário com as novas políticas
        o      financeira, passando as sociedades anónimas a serem de  económicas, vai-se abrindo de acordo com as dimensões
               iniciativa particular possibilitou a construção de um quadro  das novas necessidades. O crescimento da população
        2      onde a intensificação do livre-cambismo, o desenvolvi-  portuense deriva sobretudo da atracção que a cidade
        0      mento dos transportes e das comunicações, o progresso  exerce sobre o mundo rural, num momento em que este
        1      da indústria com a introdução da máquina a vapor, o in-  sofre profundas mudanças, a par de melhores facilidades
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