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Que mistérios?!... Se o Marçano e o Caixeiro provinham,  no Porto era costume receber-se a gravata quando  R
         maioritariamente, de meios sociais humildes e pacatos,  se passava a caixeiro. Antes não a deixavam usar,  E
                                                                                                                V
         longe do ritmo da vida e da sociedade do bem vestir, por-  mas pouco antes de a receber, eu já a punha às es-
                                                                                                                 I
         que se voltou ele para o guarda-roupa janota? Onde se  condidas para dar umas voltas ao Domingo.” 45   S
         encontram os sinais de ter recebido conselhos de pou-                                                  T
                                                                                                                A
         pança económica, descrição e sobriedade? Porquê esta  Gostaríamos de poder dizer que estes comportamentos
         aparente distância entre o empregado e o patrão, a ci-  e atitudes são o esboçar e extravasar de uma autoridade  D
         dade e a aldeia, o balcão e o passeio? Não estaríamos  paterna/patronal contidas numa precoce e rapidamente  E
         perante uma classe que, diferenciada das restantes pelo  desejada maturidade e emancipação económica e pro-
                                                                                                                C
         sacrifício a que devotavam os domingos e dias-santos  fissional, agora prestes a conseguir longe que estavam
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                                                                            46
         atrás do balcão à espera do último freguês, procurassem  da terra e da família. Mas terá sido mesmo?   N
         – nas poucas folgas permitidas – galgar os parapeitos da  Não o sabemos! Sabemos sim que o Comércio e toda a  T
                                                                                                                A
         compostura e dar largas à folia que o acaso escondia nas  restante actividade comercial no Porto Oitocentista co-
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         poucas oportunidades surgidas com o regime interno e  nheceu dinâmicas bastante heterogéneas e própras de  I
         doméstico que os caracterizava?                   uma identidade que se prolongou por várias décadas. Ao  L
                                                           Comércio e à prática desta profissão muito contribuiu o  I
                                                                                                                D
          “Estive quatro anos e meio a marçano... Depois, em  Marçano e o Caixeiro. Afinal a essência do próprio Co-
                                                                                                                A
          1918, passei a caixeiro e deram-me a gravata. Aqui  mércio.                                           D
                                                                                                                E

                                                                                                                E
         1  VIEIRA, Joaquim – Portugal no século XX: crónica em imagens (1900-1910). Lisboa: Círculo de Leitores, 1999. p. 48.
         2 Idem. Ibidem. p. 9.
         3  ALVES, Luís Alberto Marques – Contributos para o estudo do ensino industrial em Portugal (1851-1910). Porto: FLUP, 1998. Dissertação de Doutoramento em História  F
           Contemporânea. p. 20.                                                                                 I
         4  MÓNICA, Maria Filomena – Um político, Fontes Pereira de Melo. Análise Social. Quarta Série. Vol. XXXII, n.ºs 143-144, (Abr./Set. 1997). p. 725
         5  SARDICA, José Miguel – A vida partidária portuguesa nos primeiros anos da Regeneração. Análise Social. Quarta Série. Vol. XXXII, n.º143/144 (Abr./Set. 1997). pp. 749-  N
           750.                                                                                                 A
         6  SOUSA, Fernando de – Jornal de Notícia: a memória de um século (1888-1988). Porto: Empresa Jornal de Notícias, 1988. p. 13.  N
         7  FERNANDES, Paula Guilhermina de Carvalho – A Cidade do Porto na 1ª metade do século XIX: população e urbanismo. População e Sociedade. n.º2 (1996). p. 236.  Ç
         8  JORGE, Ricardo – Demografia e higiene da cidade do Porto. Porto: S.n., 1899. p. 155.                A
         9  ALMEIDA, Francisco José de – Apontamentos da vida de um homem obscuro. Lisboa: A Regra do Jogo, 1985. p. 31.
         10 PIMENTEL, Alberto – O Porto há trinta anos. Porto: Magalhães & Moniz Editores, 1893, p. 5.          S
         11 PEREIRA, Gaspar Martins – A População de Cedofeita em meados do século XIX. Revista de História da Faculdade de Letras. Porto. IIª Série. Vol. V. (1988). p. 256.
         12 MEDEIROS, Carlos Laranjo; MIRANDA, Jorge Augusto; MOREIRA, João José Semedo – Lojas de tradição do Porto: o espírito das terras através das antigas casas de  N.º
           comércio. Lisboa: Instituto de Apoio às Pequenas e Médias Empresas e ao Investimento, 1993. p. 8.   100
         13 DINIS, Júlio – Uma Família Inglesa: cenas da vida do Porto. Porto: Porto Editora, S.d. p. 109.
         14 MACHADO, João Afonso – O Porto em 1849 segundo um almanaque da época. O Tripeiro. 7ª Série. Ano XX, nº 2 (Fev. 2001). p. 50.
         15 ALMEIDA, Henrique -O Marçano e o caixeiro do século XIX: uma obra. Porto: Edição do Autor, 1959. (Palestra que o médico Henrique Almeida proferiu em 22 de Ou-
           tubro de 1959 na Sede da Associação Benéfica dos Empregados de Comércio no Porto). pp. 11-12, citado por ALVES, Jorge Fernandes – ALVES, Jorge Fernandes –
           Os Brasileiros: emigração e retorno no Porto oitocentista. Porto: Gráficos Reunidos, 1994. p. 77.
         16 SILVA, Germano – O Caixeiro foi uma típica figura da cidade. Jornal de Notícias. Ano 113, n.º17 (18 Jun 2000), p.10
         17 ALMEIDA, Henrique – Op. Cit. p. 8
         18 ALVES, Jorge Fernandes – Os Brasileiros. Op. Cit. p. 77. Ver SILVA, Francisco Pinto – Uma Associação de Classe: a União dos Empregados de Comércio do Porto.
           Comunicação apresentada ao Congresso “O Porto na Época Contemporânea.” Ateneu Comercial do Porto, Outubro de 1989.
         19 DAVID, H. – Brado a favor dos caixeiros. Lisboa: Typographia do Commercio. 1884. p. 11.
         20 Idem. Ibidem. p. 13.                                                                              11
         21 SILVEIRA, J. Fontana da – Como triunfar no comércio: conselhos úteis a patrões e empregados. Porto: Livraria Escolar Progredior, 1942. p. 15.
         22 ALMEIDA, Francisco José de – Op. Cit. p. 31.
         23 CARVALHO, A. L. de – O Caixeiro do Porto e os seus parentes remotos. O Tripeiro. V Série. Ano II, nº 10 (Fev 1947), p. 227.
         24 LEMOS, Maximiano – Encyclopedia portugueza illustrada. Diccionario Universal. Vol. VI. Porto: Lemos & Cª, S.d. p. 869.
         25 FERNANDES, José Alberto V. Rio – Porto: cidade e comércio. Porto: Arquivo Histórico da Câmara Municipal do Porto, 1997. (Documentos e Memórias para a História
           do Porto, LI). p. 60.
         26 LEMOS, Maximiano – Op. Cit. p. 869.
         27 ALMEIDA, Francisco José de – Op. Cit. p. 29.
         28 Boletim da Associação Comercial de Logistas de Lisboa. 2ª Série, n.º 26, (Fev. 1903) citado por MARTINS, Conceição Andrade – Trabalho e condições de vida em Por-
           tugal (1850-1913). Análise Social. Vol. XXXII, n.º142, (Jul./Set. 1997). P. 497.                      J
         29 ALMEIDA, Henrique  – Op. Cit. p. 11
         30 DAVID, H. – Op. Cit. p. 10.                                                                         a
         31 CARVALHO, A. L. de – Op. Cit. p. 227.                                                               n
         32 Idem. Ibidem.                                                                                        e
         33 Idem. Ibidem.
         34 ALMEIDA, Francisco José de – Op. Cit. p. 28.                                                         i
         35 ALVES, Jorge Fernandes – Armazéns do Anjo: uma história de comércio a retalho. O Tripeiro. 7ª Série. Ano XIV, nº 11 (Nov. 1995), pp. 339-340.    r
         36 ALVES, Jorge Fernandes – Os Brasileiros. Op. Cit. p. 79.                                            o
         37 ALMEIDA, Francisco José de – Op. Cit. p. 28.
         38 FERNANDES, Paula Guilhermina de Carvalho – Os Vadios no Porto de início do século (1901-1906): algumas notas para o seu estudo. Revista de História da Facul-  /
           dade de Letras. Porto. IIª Série, Vol. XI, 1994, p. 343.                                             M
         39 FERNANDES, José Alberto V. Rio – Porto: cidade e comércio. Op. Cit. p. 60.                          a
         40 MATOS, Campos  – Imagens de Portugal Queirosiano. Lisboa: Terra Nova, 1976.
         41 CARVALHO, A. L. de – Op. Cit. p. 228.                                                                r
         42 Idem. Ibidem. p. 228.                                                                                ç
         43 O simbolismo da ascensão à categoria de Caixeiro para usufruir do privilégio do uso da gravata manifestou-se tão importante que, em Novembro de 1901, nos trabalhos  o
           de encerramento do 1º Congresso dos Empregados do Comércio, os congressistas deliberaram votar a abolição do antigo costume que não permite o uso da gravata
           aos Marçanos. Aconteceu há 50 anos... O Tripeiro. Série V, Ano VII, n.º7 (Nov. 1951). p. 165.
         44 ALMEIDA, Henrique – Op. Cit. p. 13.                                                                 2
         45 MEDEIROS, Carlos Laranjo e outros – Lojas de tradição do Porto. Op. Cit. p. 263.                    0
         46 PEREIRA, José Manuel – O Caixeiro e a Instrução Comercial no Porto Oitocentista: percursos, práticas e contextos profissionais. Porto: FLUP, 2001. Dissertação de  1
           Mestrado em História Contemporânea.
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