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duo mister de caixeiro no comércio do Porto, aí pelas corte de cabelo ‘à escovinha’” passa a ser o “caixeiro R
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bandas de 1875.” Tradicionalmente, ao Marçano, além que entra pela primeira vez em serviço e que de ordiná- E
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das tarefas da loja, eram-lhe entregues outras, nomea- rio não vence ordenado” ou então, quando este é ajus- V
damente as de foro doméstico. tado, engloba mesa, cama e roupa lavada. I
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“Era, então, um verdadeiro criado para todo o ser- “Chegou ao Porto a caravana, e o Sr. Lopes, cinco
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viço, dependente até dos colegas caixeiros mais ve- dias depois, conforme prometera, tinha obtido para o
lhos, vivendo permanentemente em casa do patrão, seu protegido um lugar de caixeiro em uma loja, se
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em sótãos, cubículos ou mesmo nos armazéns, não bem me recordo, no Largo dos Congregados, com o E
conhecendo férias, horários, nem descanso semanal, ordenado de 1$600 réis por mês, casa e sustento.” 27
senão no raiar do nosso século. Só depois se pas- C
sava a caixeiro e mais tarde, dependendo das capa- Conceição Martins na descrição que faz do Marçano e do O
cidades demonstradas, dos estudos de base e da be- Caixeiro, acrescenta: N
nevolência do patrão, um ou outro passaria a T
escriturário ou guarda--livros ou, então, à realização “rudemente tratados pelos patrões e tidos como sim- A
por conta própria, estabelecendo-se.” 18 ples máquinas produtoras [...] sem um dia de re- B
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creio, uma hora de repouso [...] com uma alimenta-
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Sujeito a um regime estabelecido pelo patrão, este “rapaz ção deficiente e má [...] castigos severíssimos [...] e I
máquina” e “moiro de trabalho” depara-se com um ho- uma velha enxerga em cima do balcão [para dor- D
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rário e calendário de tarefas diárias cuja agenda era in- mir].” 28 A
gloriamente imposta a quem, na solidão dos primeiros D
meses, estava ali, “cabisbaixo, medroso, envergonhado, Como refere Henrique Almeida “ser marçano no último E
quási selvagem”, enquanto a freguesia do costume ía quartel do século XIX é ser o caloiro coimbrão da mesma
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rondando o balcão, desesperadamente à espera que as época que [pela] primeira vez biqueira nos portais da Uni- E
ordens caíssem, quanto mais não fosse, para repetir ci- versidade. Obedece, humilha-se, sofre e nem sequer
clicamente os mesmos passos, os mesmos movimentos resmunga.” 29 F
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atrás das mesmas coisas, mimado de quando em vez, Originários de estratos sociais economicamente mais des- N
com um pontapé ou um sopapo dos primeiros Caixeiros favorecidos, que um dia viu o mísero saloio assentar praça
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e do patrão como se tratasse de um cândido vazadouro como recruta na vida comercial do Porto, a sua entrada no N
onde este entendia, invariavelmente, despejar as iras mercado de trabalho pretendia preparar o rapaz para a Ç
que o mau humor do negócio o apoquentava ou, quan- aprendizagem da arte de um ofício, garante na ajuda pre- A
tas vezes, as desavenças conjugais que se prolongavam sente e futura de um agregado familiar tão pobre quanto S
até às orelhas do Marçano. alargado, entretanto desmembrado pela saída da casa pa-
terna dos restantes irmãos, bem cedo igualmente lança- N.º
“às nove horas fechava-se a loja, e iam os patrões dos na procura do “pão que o Diabo amassou.” 100
para cima tomar a refeição da noite, que tinha para
eles o nome de merenda. Depois era chamado o “O caixeiro... veio do regaço da família, envolto nas
marçano para também comer... os restos do jantar, faixas infantis, chorando pelos paes, pela sua terra,
que, juntos em uma conca (tigela), ficavam ao lume pelo adro da sua egreja, pelas arvores do seu quin-
quando ela descia para a palestra da noite. Como po- tal, pelos ninhos dos passarinhos, pela eschola, onde
rém esse inocente mata-tempo fosse por vezes de- o professor sertanejo lhe dava palmatoadas, e o
morado e acalorado, acontecia, não poucas vezes, mandava depois apanhar couves ao quintal, pelos
esturrar-se o mixtifórdio para a merenda do cachopo, bôlos que lhe dava a madrinha, e pelos ralhos da 9
o qual não a podendo comer, contentava-se com o avó! Veio só, creança, imbelle, estupido, descon-
competente pão de toda a farinha, amaciado com fiado e triste, e achou-se preso, manietado ao balcão,
uma tarraçada de iagua, tirada da infusa, a que era vendo diante de si um mundo novo, que se ri d’elle,
obrigado ir buscar à fonte.” 22 e que não tem dó do desgraçado fedelho, que há
pouco corria pelas campinas verdejantes atraz dos
Podemos remontar aos primórdios e procurar aí a exis- pardaes e das cotovias” 30
tência de um moço de serviço que, ao lado do mercador, J
seguindo-o nas mesmas andanças e riscos, palmilhava Portador de um pequenino Portugal provinciano, este a
de terra em terra, de feira em feira, ajudando-o a armar neófito do balcão, simplório e humilde rapazinho, quan- n
a tenda e fazer o mercadejo. tas vezes analfabeto e obediente, “acolhido no limiar da e
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loja mercantil” onde o patrão “o tomaria sem pecúnia, i
“Este moço, companheiro auxiliar do mercador erra- apenas de alimentos, e para todo o serviço da casa r
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dio, em cujo rosto há muito se havia feito a apojadura mercantil e doméstica” não deixa de nos oferecer um o
da barba, viria a ser, na roda gigante das gerações, retrato do perfil dramático de quem entregue a si, a Deus /
e quando o mercador erradio se fixou, de loja aberta, e à sorte, e na sua descida “à urbe comercial portuense M
esse tipo engravatado que um vocabulário pouco lá dos terrunhos provincianos, é a génese do maior nú- a
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vernáculo baptisou de – caixeiro.” 23 mero de mercadores” que “tomando a estrada do Porto, r
que era naqueles tempos o Brasil dos rapazes da pro- ç
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Subindo uma carreira comercial que tem o Marçano víncia de Trás-dos-Montes” faz-nos reter num passado o
como o patamar mais baixo, o seu baptismo no ofício é mal vivido cuja tormenta acompanhou outrora outras ge-
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feito como “apprendiz de caixeiro”. Desde muito cedo e rações mais velhas e nossos antepassados. 2
durante muitos anos, o Marçano que “ficava desde logo Anos depois, agora mais que um mero ajudante de loja, 0
à inteira disposição do patrão que, depois de impor o moço de serviço ou rapaz de recados, o Marçano despido 1
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