Page 4 - rcf1103_Neat
P. 4
R ALGUMAS FERRAMENTAS DE
E
V
I ANÁLISE DE INVESTIMENTOS À LUZ
S
T
A DA TEORIA DAS RESTRIÇÕES
D
E
Daniel Pacheco Lacerda* Luis Henrique Rodrigues** Secundino Luis Henrique Corcini Neto***
C
O 1. INTRODUÇÃO tados diferentes, sobre bases conceituais diferentes. No
N caso específico, será apresentada a aplicação das ferra-
T Em um sentido amplo, uma das preocupações da Enge- mentas sob a ótica da Teoria das Restrições.
A nharia Econômica é o suporte e o fornecimento de infor-
B
I mações e análises para tomada de decisões. As análises Posto isso, o objetivo central desse trabalho é apresentar
L que suportam a tomada de decisões são executadas por algumas situações de aplicação das ferramentas de Aná-
I diferentes (possivelmente complementares) tipos de téc- lise de Investimentos sobre os pressupostos do Mundo
D nicas e ferramentas. Dentre as técnicas e ferramentas dos Custos comparativamente aos do Mundo dos Ga-
A são utilizadas de forma ampla: i) Valor Presente Líquido nhos. No caso específico serão apresentadas simulações
D (VPL); ii) Taxa Interna de Retorno (TIR); iii) Custo Anual hipotéticas sem comprovação ou base empírica para ve-
E Equivalente (CAEq), entre outras (Motta & Calôba, 2001) rificação. O intuito é provocar a discussão e a reflexão
. Outras técnicas como a Teoria das Opções Reais (TOR), sobre o tema.
E
Simulação Computacional (especificamente Simulação
F de Monte Carlo) também se fazem presentes. A seguir será apresentado um breve referencial teórico
I que busca sustentar as simulações que serão utilizadas.
N Essas técnicas baseiam-se em pressupostos do analista Na seqüência, é apresentada a problemática proposta e
A que está modelando os dados para a tomada de decisão. as possíveis soluções, de acordo com o Mundo dos Cus-
N Os pressupostos utilizados, nem sempre, podem consi- tos e com o Mundo dos Ganhos. Para encerrar, realizam-
Ç derar o ganho para a empresa como um todo. A utilização -se as análises finais das simulações e os
A direta das técnicas, sem bases conceituais apropriadas, encaminhamentos para trabalhos futuros.
S
pode gerar modelos que conduzem a decisões equivo-
N.º cadas. Essas decisões, que podem parecer acertadas
103 dentro de um conjunto de pressupostos, podem ser dife-
rentes quando analisadas sobre outras bases concei-
2. REFERENCIAL TEÓRICO
tuais.
O referencial teórico desse trabalho não busca ser exaus-
Nesse sentido, a Teoria das Restrições faz a distinção
tivo. Tem-se por objetivo apresentar sucintamente os ele-
entre um conjunto de pressupostos denominados de
mentos necessários para sua compreensão. Assim,
Mundo dos Custos e outro denominado de Mundo dos
inicia-se apresentando brevemente a Teoria das Restri-
Ganhos. Por um lado, o Mundo dos Custos considera as
4 empresas (departamentos, setores, produtos etc.) e/ou ções e seu Sistema de Indicadores. Na seqüência, co-
os investimentos isoladamente na organização. Nessa teja-se o Mundo dos Custos e o Mundo dos Ganhos e
analisam-se algumas ferramentas de Análise de Investi-
visão da organização, a soma dos ótimos locais é igual ao
mento.
ótimo global (Goldratt, 2004). Isso significa que a melho-
ria em qualquer ponto da organização conduz em dire-
ção de um melhor resultado.
Por outro lado, Goldratt (1991) afirma a existência do 2.1. SISTEMA DE INDICADORES DA TEORIA DAS
O Mundo dos Ganhos. O Mundo dos Ganhos considera a
u RESTRIÇÕES
t empresa (setores, departamentos, produtos etc.) e/ou in-
u vestimentos de forma integrada. Essa visão se contrapõe Para Goldratt (1991), as medidas são fundamentais, um
b
r ao Mundo dos Custos uma vez que considera que a exemplo disso é a afirmação: “diga-me como me medes
o soma dos ótimos locais não necessariamente leva ao e te direi como me comportarei, se me medires de forma
ótimo para a empresa como um todo. ilógica não reclame de comportamento ilógico” (Goldratt,
/
1991, pág. 28). Neste sentido, a Teoria das Restrições
D Logicamente, as ferramentas de análise de investimen- propõe três indicadores globais e três indicadores locais,
e
z tos irão sugerir as melhores opções de investimento os quais determinam se uma empresa está na direção ou
e sobre uma ou outra base conceitual. Embora, dentro de não, de sua meta (Cox & Spencer, 1998; Lacerda; 2005;
m um conjunto de pressupostos, as decisões possam pare-
b Lacerda, 2005; Lacerda & Rodrigues, 2006). A meta da
r cer lógicas, elas nem sempre podem gerar melhores re- empresa é ganhar dinheiro hoje e no futuro (Goldratt,
o sultados para a organização, quando comparados com 1991), havendo duas condições necessárias para o atin-
as de outro conjunto de pressupostos. Torna-se relevante, gimento da meta: a) Satisfazer os funcionários hoje e no
2
0 portanto, apresentar algumas situações onde as ferra- futuro; b) Satisfazer os clientes hoje e no futuro (Goldratt,
1 mentas aplicadas corretamente podem apresentar resul-
0 1994).

