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R          EXPLORANDO A RELAÇÃO ENSINO-
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        I         -CONTABILIDADE: GENEALOGIA DA
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       A               AULA DE COMÉRCIO LISBOETA
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       C                                                                                     Professor no ISCA de Coimbra
       O                                                                  Doutorando em Contabilidade pela Universidade do Minho
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       B       1. INTRODUÇÃO                                        2. Na esteira de Lopes Amorim, por confiarmos em
        I                                                              que  para  se  enamorar  da  Contabilidade  faz-se
       L       Este trabalho apresenta como principal objectivo o de dar  mister conhecê-la primeiramente e sabendo, como
        I      a conhecer algumas das causas da fundação do primeiro   sabemos, que se conseguirmos antecipar o gosto
       D       estabelecimento de ensino da Contabilidade em Portu-    do leitor por esta temática lhe prestaremos um fru-
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       D       gal, em 1759, fazendo-se valer de uma análise da envol-  tuoso benefício, “não poderemos deixar de fazer
       E       vente  histórica,  política,  institucional  e  comercial  que  um pouco de história [o realce é nosso], porque
               esteve na génese da criação da Academia lisboeta. Em    a história tem o grande condão de nos dar um co-
       E       particular, o artigo visa contribuir para o desenvolvimento  nhecimento indirecto das coisas e das pessoas e
               do conhecimento adstrito ao período anterior à existência  de, não raras vezes, nos levar a simpatizar com
        F      da primitiva instituição de ensino da nossa especialidade  elas” (Amorim, 1929: pp. 14-15).
        I      em Portugal. Complementarmente, o estudo prossegue
       N       também a finalidade do exame de questões normativas
       A       inerentes ao funcionamento da Aula de Comércio de Lis-  Para além desta introdução, o texto está organizado em
       N       boa (1759-1844), como entidade executora dos seus es-  mais seis secções. De seguida, efectua-se uma referên-
       Ç       tatutos.                                          cia ao contexto histórico e político da primeira metade de
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        S                                                        Setecentos. Na terceira secção a finalidade será a de pro-
               É na focalização de qualquer um destes propósitos e ob-  porcionar uma panorâmica geral do instituto patrocinador
       N.º     jectivos planeados que se devem justificar algumas das  da existência da Aula – a Junta de Comércio de Lisboa.
       104     longas citações e as muitas notas que fazemos, sem as  Na oportunidade da secção seguinte, discutir-se-á a es-
               quais difícil seria visualizar o que apresentamos como  tratégia de formação comercial da burguesia mercantil le-
               factos.                                           vada a cabo pelos governantes portugueses de meados
                                                                 do século XVIII, com especial ênfase na acção do Mar-
               A metodologia utilizada na investigação respeitou o se-  quês de Pombal, sustentada por uma visão de fomento
               guinte protocolo, de acordo com Raupp e Beuren (2006):  mercantilista de desenvolvimento económico do país. A
               i) quanto aos objectivos, descritiva; ii) quanto aos proce-  quinta secção caracteriza as circunstâncias associadas
               dimentos, documental e bibliográfica; e iii) quanto à abor-  ao terramoto em Lisboa, em 1755, como responsáveis
       4       dagem do problema, qualitativa.                   pelo atraso na implementação e funcionamento da Aula.
                                                                 Proporcionar uma notícia geral das disposições estatutá-
               Para a recolha de informação foram utilizadas fontes pri-  rias da escola de Contabilidade, constitui a motivação da
               márias (arquivos da Biblioteca Nacional de Portugal) e  secção número seis da comunicação. Por último,  são
               secundárias.                                      apresentadas algumas conclusões, limitações e suges-
                                                                 tões para pesquisas futuras.
               No que toca à classificação deste estudo em História da
               Contabilidade, qualificamos a investigação como narra-
               tiva (Previts et al., 1990a) e tradicional (Stewart, 1992).  2. CONTEXTUALIZAÇÃO HISTÓRICA E POLÍTICA
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        n      O campo no qual o estudo se irá mover no abrangente  O reinado de D. João V (1706-1750) imprimira grande no-
        e      território da História da Contabilidade respeita à particu-  toriedade ao cultivo das letras, à magnificência das cons-
        i      lar área da História Geral da Contabilidade (American Ac-  truções e ao incremento das artes, mas deixara o país
        r      counting Association, 1970; Previts, 1984; Previts et al.,  despovoado, possuído pela Igreja, com as manufacturas
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               1990b; Carnegie e Napier, 1996).                  arruinadas, assolado por uma severa crise económica,
        /                                                        sem comércio nem indústrias relevantes, sem desenvol-
               São escolhidas duas recomendações telegráficas que  vimento agrícola, sem estradas, transportes, marinha e
       M       apodamos como principais notas prévias ao exame da  exército e dependente de importações, mesmo daqueles
        a      vertente comunicação. Assim:                      bens que rudimentares oficinas nacionais poderiam fa-
        r
        ç                                                        bricar.
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                  1. As transcrições em itálico respeitam a orto-  Para instigar as compras e consequentes pagamentos em
        2            grafia oficial da época, opção que, a par do aca-  ouro, franceses, holandeses e sobretudo, ingleses, acor-
        0            tamento  pela  sintaxe  de  então,  manteremos  riam aos portos nacionais com grande e variado número
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        1            consistente ao longo de todo o trabalho;    de fazendas oferecidas em excelentes condições, disto
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