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de um comércio de exportação, fizeram com que se nhor, as causas com que Sua Majestade achou logo nos R
possa na prática considerar Pombal um Colbertista tar- principios do seu reynado o comercio de Portugal em E
dio (Colbert governou de 1661 a 1683). tanta decadência, ao mesmo passo que o de Inglaterra V
e de outras naçoes tiveram hum desmedido augmento”. I
Como corolário, temos que os comerciantes constituíam S
uma classe social estratégica nesta doutrina de política Pessoa culta e viajada, consciente do embaraço nacional T
económica mercantilista, definida por Rodrigues e Craig em competir com os demais países europeus, atribuindo- A
(2005: p. 23) como um sistema “em que a riqueza nacio- -o, em grande parte, à deficiente qualificação escolar e
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nal e o poder de uma nação eram determinados pela co- geral impreparação técnico-profissional dos nossos co- E
lonização, forte comércio de exportação e acumulação merciantes e industriais, beneficiando das experiências
de metais preciosos (como o ouro e a prata). O comércio que adquirira em Londres e em Viena, a esta última en- C
externo era privilegiado sobre o comércio doméstico. A viado como ministro plenipotenciário, Carvalho e Melo O
auto-suficiência económica era desejada. O bem estar cedo manifestou a vontade de reorganizar e modernizar, N
económico era medido não em termos do sucesso na com recurso a instrumentos governamentais, as pratica- T
satisfação das preferências do cidadão, mas pelos níveis mente inexistentes infra-estruturas económicas do país. A
de exportação e pela balança comercial”. B
Para fechar esta reflexão de matriz pombalina, recorre- I
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É justamente este quadro de receitas económicas, tipi- mos a Ratton (1813: pp. 221-222) para o relato de um I
camente mercantilistas, que concebem como eixo dina- episódio simultaneamente esclarecedor (1) da impor- D
mizador da economia de um país o desenvolvimento do tância conferida por este ministro ao comércio como ma- A
comércio externo e a consequente obtenção de uma si- nancial de riqueza e (2) do desvelo que nutria pelos D
tuação vantajosa da balança comercial, que leva Car- comerciantes, como intérpretes maiores de uma política E
doso (1984: p. 98) a afirmar, depois de analisar as lições de fomento comercial: “se á sua sala concorriaõ Fidal-
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manuscritas de um dos lentes da Aula do Comércio que gos, e Negociantes para lhe fallar em negocios, attendia E
nela leccionou vinte e dois anos consecutivos, de 1762 a primeiro a estes, dizendo que o tempo lhes era muito
1784, que “a mentalidade do contabilista e comerciante precioso”. F
português que cursou a Aula está iniludivelmente im- I
pregnada de um cunho mercantilista”. N
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5. O TERRAMOTO DE 1755 COMO AGENTE BLO-
Após havermos elaborado uma síntese de argumentos QUEADOR DO DESENVOLVIMENTO DA CONTABI- N
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que nos permitiram perceber quais os pontos de con- LIDADE PORTUGUESA A
tacto e de proximidade entre Pombal e as ideias mer-
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cantilistas que se faziam sentir no Portugal de A descoincidência de dois anos e meio entre a data de
Setecentos, cabe agora sublinhar a manifesta influência publicação dos Estatutos da Junta de Comércio (em 16 N.º
que sobre ele exerceram os quase cinco anos passados de Dezembro de 1756), nomeadamente o disposto no 104
em Inglaterra, entre Outubro de 1738 e Maio de 1743, capítulo XVI a respeito da formação de estatutos parti-
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como enviado extraordinário/ministro de D. João V na culares da Aula a estabelecer, e a concretização efectiva
corte inglesa do Rei George II. dessa ordenação (a 19 de Maio de 1759), pode explicar-
-se mais pelas prioridades de Pombal relacionadas com
A sua carreira diplomática em Londres possibilitou-lhe o terramoto de 1755, do que pela inépcia do governante
apreciar o progresso da sociedade britânica e compará- “que não deixava adormecer nem os problemas nem os
-lo com a decadência instalada no seu país natal. papéis” (Felismino, 1960: p. 11).
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Seguindo de perto o pensamento de Rodrigues e Craig Escrevemos prioridades, porque não se tratava só da re-
(2005), ainda que os seus saberes sobre matérias co- construção da cidade de Lisboa. Por exemplo, Lima
merciais fossem débeis no início do seu consulado em (2008) reforça que, para além do tremor de terra, três ou-
Inglaterra, em Londres os seus conhecimentos teóricos tros factores contribuíram para agudizar a situação: (i)
e práticos sobre assuntos económicos desenvolveram- catástrofes naturais (furacões, tsunami); (ii) catástrofes
-se fortemente. Os mesmos autores (ibidem) informam provocadas pelo homem (o incêndio que consumiu Lis-
que Pombal em Inglaterra assistiu a aulas e conferências boa durante diversos dias e as pilhagens que se lhe se-
e destacam também que a sua biblioteca pessoal conti- guiram) e (iii) a ameaça psicológica provocada pelas J
nha textos mercantilistas clássicos, além de relatórios di- mais de seiscentas (!) réplicas que se sucederam até ao a
versos sobre comércio e de trabalhos sobre companhias final do ano de 1756. n
e
comerciais britânicas. i
Resulta do exposto que, da sua permanência na capital Com uma gestão política da calamidade (Lima, 2008), o
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britânica, retirou o Marquês informações e vivências que futuro Marquês de Pombal, encarnando uma forma de o
lhe mereciam crédito para, no futuro, se a conjuntura o agir institucional e racional, investe as suas energias em
permitisse, aplicar os ensinamentos recolhidos na reso- acções imediatas tão díspares como o restabelecimento /
lução da situação portuguesa. da ordem pública, a distribuição dos alimentos, o con- M
trolo dos preços, a reconstrução da cidade (promovendo
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Um escrito de Pombal, apud Rodrigues e Craig (2005: p. o desenvolvimento e teste de formas de construção anti- r
26), confirma o entusiasmo com que Carvalho e Melo sísmicas) e o desenho de uma nova Lisboa. ç
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observava o desenvolvimento comercial inglês: “A mais o
interessante [matéria] que pode fazer o assumpto das A confirmar que de facto o tempo que se seguiu ao ter- 2
rellaçoes de hum ministro de Portugal que rezide em ramoto foi extenuante em matéria de preocupações e
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Londres considerei eu depois que entrei nesta corte a de agravos para Pombal, o que, a nosso ver, pode também 1
investigar, para as pôr na presença de El Rey Nosso Se- fundamentar o hiato de quase quatro anos entre o di- 1

