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país, mas dentro do próprio território nacional, no qual,  saber eram professadas sob a denominação “Escritura-  R
         não havendo padrões de normalização, mesmo nas pro-  ção Comercial” ou “Escrituração por Partidas Dobradas”.  E
         víncias portuguesas se aplicavam modelos díspares.                                                     V
                                                           Finalmente, para encerrar esta temática de índole esta-  I
         Como refere Cunha (1899), só em finais do século XVIII  tutária, regulamentava o decreto que, finalizado o curso  S
         é que uma comissão de sábios franceses, nomeada pela  da Aula de Comércio, e passada a certidão de conclu-  T
         Academia de Ciências Francesa, fez depender todas as  são, beneficiariam os diplomados de privilégios em todos  A
         medidas (comprimento, superfície, volume, capacidade e  os provimentos de nomeação da Junta, da Real Fábrica
                                                                                                                D
                                                                    16
         peso) duma só unidade, fixa, invariável e deduzida da  das Sedas e em todas as mais da inspecção da Junta  E
         grandeza do planeta Terra - o metro. O sistema métrico  de Comércio. Aos caixeiros em exercício há mais de
         foi legalmente instituído em Portugal em 1852. O metro,  cinco anos, que tivessem com sucesso frequentado a  C
         segundo as contas da Academia, deveria ser a décima  Aula, era-lhes concedida a possibilidade de abertura de  O
         milionésima parte de um quarto do meridiano terrestre”  lojas por sua conta.                           N
         (Crato, 2008: p. 127). Neste exacto sentido, “o governo                                                T
         francez, reconhecendo os grandes embaraços que tra-  7. CONCLUSÕES, LIMITAÇÕES E SUGESTÕES PARA        A
         zia ao commercio [ênfase nossa] e á administração a  FUTUROS TRABALHOS                                 B
         diversidade de medidas que havia nas differentes pro-                                                   I
                                                                                                                L
         vincias de França, como tambem entre nós succedia,  O artigo representa um contributo para a temática do co-  I
         julgou necessário fazer uma reforma completa no sys-  nhecimento contabilístico num ambiente pré-Aula de Co-  D
         tema de pesos e medidas. Para este fim executaram-  mércio de Lisboa.                                  A
         se grandes trabalhos geodesicos, dos quaes se concluiu  Neste ângulo de visão, o papel de patrona do ensino co-  D
         que o comprimento da quarta parte do meridiano ter-  mercial em Portugal coube à Junta de Comércio. Por de-  E
         restre que passa por Paris é de 5.130.740 toezas (me-  terminação do capítulo XVI dos Estatutos da Junta do
         dida  de  França).  A  décima  millionesima  parte  d’este  Comércio do Reino de Portugal e seus Domínios, fixou-  E
         comprimento foi chamada metro, e adoptada para uni-  -se em 1756 o (1) estabelecimento de uma Aula, sintoma
         dade fundamental o systema metrico. Do metro derivam-  e agente do poder estatal, subsidiada pela verba das  F
         se todas as outras medidas e pesos. O metro é, pois, a  contribuições que a mesma Junta cobrava, e a (2) no-  I
         decima  millionesima  parte  do  meridiano  de  Paris”  meação de um ou dois mestres, para bem ensinar a arte  N
         (Cunha, 1899: p. 224).                            do comércio aos mercadores e homens de negócio, in-  A
                                                                                                                N
                                                           devidamente preparados para o seu ofício.            Ç
         Virando a página, ministrar-se-ia na escola comercial lis-                                             A
         bonense, a aprendizagem de câmbios, seguros, prática  A Aula de Comércio, como actuação estratégica, inova-  S
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         de comissões e formalidades dos fretamentos , pois o  dora e programada do poder político, representou o ins-
         conhecimento da Aritmética sem o domínio dos câmbios  trumento  promotor  da  oficialização  do  ensino  da  N.º
         e dos seguros não seria suficiente para adquirir a cer-  Contabilidade em Portugal e, mais do que isso, terá con-  104
         teza do custo das fazendas (isto para avaliar em cons-  tribuído de forma decisiva para o reconhecimento social
         ciência o preço das vendas).                      do ofício comercial e da profissão de Guarda-Livros.
         De acordo com Rodrigues et al. (2003: p. 50), “seria tam-
         bém importante o conhecimento de sólidos, para por  Com o objectivo de inverter a situação globalmente de-
         meio das suas dimensões se saber o volume necessário  cadente que Portugal atravessava, após o término do rei-
         para regular os fretes que são transportados para o Bra-  nado de D. João V, em 1750, a dinâmica que à nação se
         sil”.                                             desejava emprestar ancorou as suas raízes numa linha-
                                                           gem mercantilista e britânica de um governante que nela  9
         Por último, era ensinada a escrituração comercial por  fez radicar as pedras angulares das suas políticas de fo-
         partidas dobradas, distinguindo-se, para o efeito, o co-  mento e de desenvolvimento comercial e industrial do
         mércio por grosso da venda a retalho e dedicando-se  país. Foi Pombal quem percebeu que o desenvolvimento
         atenção à prática nos livros Borrador, Diário, Razão e  comercial de Portugal passava também pela preparação
         Auxiliares.                                       escolar do comerciante e do burguês. Nesta ordem de
                                                           ideias, de acordo com Machado (2009: p. 4), em linha
         No que se prende com a designação anterior - escitura-  com a nossa exposição, “já uns anos antes da criação
         ção comercial - importa sobrelevar que o vocábulo “Con-  da Aula de Comércio, eram evidentes as preocupações  J
         tabilidade”, mais concretamente “Comptabilidade”, não  do Marquês de Pombal quanto ao baixo nível das activi-  a
         apareceu nos textos e tratados particulares - e muito  dades económicas do país e à necessidade da existên-  n
         menos oficiais - pelo menos até ao início do terceiro  cia de ensino comercial”.                        e i
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         quartel do século XIX. Interessa-nos, deste modo, mais
                                                                                                                 r
         do que colocar em evidência a discussão de questões  Vale a pena concluir, também, que o tremor de terra que  o
         semânticas, demonstrar que o termo “Contabilidade” (e,  abalou Lisboa em 1 de Novembro de 1755 pode ter atra-
         por maioria de razão, a expressão “Ensino de Contabili-  sado a existência de uma academia de Comércio e Con-  /
         dade”), não foi, nem de facto, nem de jure, aquele que  tabilidade, uma vez que o decreto de 30 de Setembro de  M
         primeiramente entrou nos costumes e usos mercantis  1755, ordenando os estatutos da Junta de Comércio, que  a
         dos Portugueses, mas sim a terminologia “escrituração”.  por sua vez estabeleciam a criação da Aula de Comércio,  r
                                                           só é cumprido em Dezembro de 1756. Ademais, a es-     ç
         A este respeito, Borges (1839: p. 122) confessa-nos que  cola só foi inaugurada em 1 de Setembro de 1759, o que  o
         “rigorosamente fallando, não careciamos muito do termo  legitima a conclusão de que as providências que se se-  2
         [Contabilidade], por que contas, calculo, ou escriptura-  guiram ao terramoto desviaram a atenção dos gover-  0
         ção expressão o mesmo”.                           nantes daquilo que se obrigava em Dezembro de 1756.   1
         Por conseguinte, as matérias relativas a este campo do  A análise estatutária das diversas normas atinentes à re-  1
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