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R FORMAÇÃO DE CONTABILISTAS:
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V
I ALGUMAS REFLEXÕES
S
T
A Hernâni O. Carqueja
Revisor Oficial de Contas nº 1
D Ex-Professor Associado Convidado da FEP
E Membro da APC
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O Há problemas que permanecem em aberto mesmo quando for- 3 - A contabilidade empresarial, que depois de Luca Pacioli
N malizada uma solução, enquadram-se numa eterna busca de é normalmente associada ao método digráfico ou das par-
T melhores soluções. As alterações de contexto, principalmente tidas dobradas, existia antes de Pacioli. Era contabilidade
A quando estão em causa instituições sociais, acrescem o inte- toda a informação relativa à riqueza, mesmo quando os
B resse pelo reexame das soluções existentes e busca de me- registos saiam das mãos de um “secretário” romano, ou
I lhores alternativas. Foi assim que o objectivo uniformizador da de um escriba egípcio, ou de um sábio grego do Sec. V
L organização escolar referido por “Processo de Bolonha” colo- a.C. ou de um escravo da civilização pré-helénica. Para os
I cou em destaque os problemas relativos ao elenco de disci- historiadores os registos das unidades de produção que
D plinas e programas dos cursos que condicionam o acesso chegaram até nós, quando relativas à informação sobre
A à qualificação de “contabilista”; em qualquer das variantes a riqueza, são contabilísticos.
D de enquadramento legal da actividade característica destes pro-
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fissionais. 4 - A contabilidade doméstica, que adquiriu certa complexi-
E dade e estatuto na Roma Antiga, também resulta relação
São contabilistas os profissionais cujo exercício assenta no entre os registos e a riqueza.
F saber e actividade contabilística, isto é, os contabilistas dis-
I tinguem-se dos outros profissionais pelo que tem de ca- 5 - A contabilidade analítica ou de gestão, que inclui a con-
N racterístico a actividade que exercem e saber que lhe tabilidade de custos, embora desenvolvida muitas vezes
A corresponde: contabilidade. (Hicks definiu economia como o por serviços de engenharia ou por serviços de secreta-
N que fazem os economistas; a “evidência” deste tipo de noção riado, corresponde a um saber e actividade caracteriza-
Ç mantém-se invertendo a relação entre os conceitos: os econo- dos como contabilísticos porque está relacionada com a
A mistas desenvolvem actividade no domínio da economia). Ele- atribuição de valores (orçados, padrão, históricos, pre-
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ger as características essenciais, no sentido de vistos, etc,) à riqueza existente, produzida ou a produzir,
necessárias e suficientes, para distinguir a contabilidade consumida ou a consumir.
N.º
105 das restantes actividades e saberes, é um pilar fundamen-
tal para caracterização dum profissional como contabilista Considero estas observações como suficientes para avançar
e também para justificação de qualquer modelo de ensino. que a busca dum conceito de contabilidade nos conduz a con-
cluir que tem como característica respeitar à riqueza, embora
Quando qualificamos uma actividade ou um saber como sejam diferentes os aspectos desta que são destacados em
contabilidade? cada caso. A riqueza é observada como rendimento, ou como
fluxo de consumos, ou fluxos de produção, ou seja observada
A resposta a esta questão condiciona toda a análise e aborda- como conjunto de bens disponíveis para uso, embora com res-
gem do problema dos ajustamentos na organização escolar vi- trições, ou como capital, correspondendo então a um valor em
4 sando o acesso às profissões que têm como cerne a moeda atribuído num certo momento à universidade da riqueza
de uma entidade ou com uma certa afectação. Entretanto a ob-
contabilidade.
servação evidencia também que a riqueza é objecto de direitos
Procurando justificar uma resposta anoto que: e obrigações, e portanto campo de lavoura do direito, é ob-
jecto de análises visando compreender a sua formação e circu-
1 - A contabilidade nacional, cujos resultados são fruto de lação, portanto campo de lavoura da economia, e objecto de
procedimentos cuja natureza é normalmente aceite como actividade dos gestores, preocupados com a eficácia de uma uti-
estatística, é contabilidade porque respeita à riqueza, lização para os fins visados, portanto campo de lavoura da
que observa geralmente destacando o rendimento gerado gestão. Em que circunstâncias o saber ou a actividade rela-
e utilização de factores. cionado com a riqueza é qualificado como contabilidade?
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r 2 - A contabilidade pública não mudou de designação Da análise no dia-a-dia, e da observação histórica da qualifica-
i quando à contabilidade orçamental, dita de compromis- ção como “registo contabilístico”, resulta a evidência actual e his-
l sos financeiros, sucedeu uma solução mais abrangente, tórica que falamos na contabilidade quando o problema
incluindo também o que foi rotulado por contabilidade pa- resolvido ou a resolver respeita a “informação” sobre a ri-
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trimonial, correspondendo ao reconhecimento das ope- queza.
J rações realizadas, ou adopção do princípio do acréscimo
u ou realização, incluindo o que foi rotulado por contabili- Seja como contabilidade nacional, publica, empresarial, analí-
n dade financeira correspondendo, aparentemente(?), à re- tica, doméstica, ou com outra qualificação, a referência a con-
h presentação de capital e rendimento, incluindo a tabilidade aparece-nos hoje como um sistema de
o
contabilidade analítica de gestão, correspondendo à in- informação sobre a riqueza em que os profissionais, recorrendo
2 formação relativa à produção e utilização interna da ri- aos instrumentos disponíveis, resolvem problemas de repre-
0 queza. Em qualquer dos entendimentos está em causa sentação, quando a partir da realidade constroem uma imagem,
1 informação sobre a criação, existência e consumo de ou de interpretação, quando a partir da imagem procuram com-
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riqueza. preender e analisar a realidade representada. A contabilidade é

