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       E                               A “VIDA” DE UMA CRISE:
       V
        I                        COMO PREPARAR O FUTURO?
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       A       António de Vasconcelos Lourenço                                                       Raul Guimarães
               Licenciado em Marketing                                                               Doutor em Gestão
       D       Doutorando em Ciências Empresariais na UFP                                             Docente da UFP
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       O       1.  INTRODUÇÃO                                    ruptura na sua rentabilidade, no seu crescimento e possi-
       N                                                         velmente, na sua própria existência.
       T       As crises tornaram-se inevitáveis como facto natural da
       A       nossa vida quotidiana. Dificilmente passa um dia sem a  Seeger, Sellnow e Ulmer (1998), citados por Ulmer (2001),
       B       ocorrência de uma nova crise, ou melhor ainda, com o ar-  definem crise como um evento específico, inesperado e não
        I      rastar de crises mais antigas. Por outras palavras, as crises
       L                                                         rotineiro, ou uma série de eventos que criam altos níveis de
        I      passaram a ser um acontecimento integral da nova so-  incerteza e ameaça, concebidos para pôr em perigo os
       D       ciedade da informação.                            altos objectivos duma organização.
       A
       D       Se alguma dúvida existe sobre as crises se tornarem um  Independentemente das várias abordagens destes auto-
       E       proeminente facto das nossas vidas, basta referir o actua-  res, sustentadas quer por situações de ruptura, incerteza,
               líssimo acontecimento provocado pelas agências de rating  impacto, ameaças, quer por situações de imagem e repu-
       E       e as pressões financeiras sobre a nossa dívida soberana,
                                                                 tação, podemos constatar que todos estes conceitos têm
               para aquilatarmos das consequências resultantes sobre as
        F      nossas vidas, a das empresas e até dos próprios Estados.  um denominador comum: a sobrevivência das empresas,
        I                                                        quer pela via da reputação quer pela via da operacionali-
       N       Neste sentido, quer as pessoas quer as empresas, pre-  dade das mesmas. Neste sentido, o conceito de Lerbinger
       A                                                         (1997) é o que melhor define e enquadra uma situação de
       N       cisam perceber porque as crises se tornaram um aconteci-  crise numa organização, uma vez que este autor o carac-
       Ç       mento dos dias actuais, e o que pode ser feito para atenuar  teriza em três dimensões fundamentais: rentabilidade, cres-
       A       o seu impacto, uma vez que as crises deixaram de ser uma  cimento e existência.
        S      situação aberrante, rara, aleatória ou periférica na actual
               sociedade.
       N.º
       105     A maioria das empresas acredita que pode evitar com faci-  3.  MODELO DE GESTÃO DE CRISE
               lidade qualquer tipo de crise. As pessoas na sua vida quo-
               tidiana,  pensam  de  igual  modo.  Os  gerentes  e  Numa acepção ampla, segundo Freixo (2006), o termo mo-
               administradores de empresas são pessoas, e reagem na  delo pode aplicar-se a qualquer representação simbólica
               sociedade de acordo com o seu perfil pessoal (Caetano et  de um coisa, processo ou ideia. A nível conceptual, exis-
               al, 2006).                                        tem modelos que representam ideias e processos, assu-
                                                                 mindo  a  forma  de  modelos  gráficos,  verbais  ou
               Mendes et al. (2006) aludem que as empresas são um pro-  matemáticos. Contudo, independentemente desta polisse-
       6       duto da sociedade onde se inserem, devido às interacções  mia, um modelo é usualmente considerado uma analogia
                                                                 de algum fenómeno do mundo real.
               que desenvolvem com a sua envolvente e ao consequente
               ajustamento que a ela têm de realizar.
                                                                 Gonzalez-Herrero e Pratt (1996), criaram um modelo si-
                                                                 métrico integrado, de quatro passos, que descreve como
               2.  CONCEITO DE CRISE                             os gestores podem responder com eficácia a uma crise.
                                                                 Embora, este modelo possa ser aplicado a crises de ges-
               Dependente da perspectiva de abordagem, vários autores  tão acidental e operacional, tais como, explosões, derra-
               e investigadores ensaiaram vários conceitos, mas para uma  mes  químicos,  ou  desastres  naturais,  foi  formulado
       A       perspectiva ligada à gestão, Fink (1986), citado por Step-  primariamente para crises que possam ocorrer em conse-
        b      hens, Malone e Bailey (2005), sustenta que crises são si-  quência de má gestão.
        r      tuações  de  ruptura  que  correm  o  risco  de  escalar  em
        i      intensidade, acabando por interferir nas operações normais  Os três princípios orientativos globais deste modelo são a
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               de uma empresa, colocando em perigo a sua imagem e re-  gestão de assuntos, planeamento/prevenção, e implemen-
        /      putação, prejudicando-as nas suas possibilidades de so-  tação. Inerentes a cada princípio existem dois pressupos-
               brevivência.                                      tos: (a) que qualquer crise tem um ciclo de vida, que pode
        J                                                        ser influenciado; e (b) que a melhor estratégia para evitar
        u
        n      Já para Norsa (2003), crise é cada situação ou evento que  cobertura dos media, é empreender o desenvolvimento de
        h      requer acção imediata para impedir um potencial impacto  acções de actividades sociais que potenciem a reputação
        o      negativo sobre uma organização ou empresa, ou ainda  organizacional, assentes numa perspectiva simétrica de re-

        2      sobre os seus interlocutores.                     lacionamento entre uma organização e os seus públicos.
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        1      Lerbinger (1997), define crise, como um evento que traz ou  Para os autores, uma análise de crise, sugere alguma
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               tem potencialidade para trazer à organização uma futura  correspondência com um modelo biológico, pelo qual um
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