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R        “A profissão de contabilista não está regulada em
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        I          Portugal, nem deve estar, uma vez que abrange
        S
       T                um conjunto diversificado de actividades”
       A
       D             afirmou Carlos Baptista da Costa em entrevista concedidaà revista
       E
                                             “Contabilidade & Empresas”
       C
       O       O nosso Colega Carlos Baptista da Costa concedeu uma en-  pecialização em Contabilidade teve o seu início em 2001 no
       N       trevista  escrita  à  revista “Contabilidade  &  Empresas”,  do  Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa –
       T
       A       grupo editorial Vida Económica, que foi publicada na edição  Instituto Universitário de Lisboa.
       B       nº 8 da 2ª série correspondente aos meses de Março e Abril  É também de referir que, com a entrada em vigor do Processo
        I      passados.                                         de Bolonha, passaram a existir, após 2007, vários cursos de
       L       O Conselho Consultivo-Redactorial da RCF entendeu ser de  mestrado e alguns de doutoramento nesta área em diversos
        I      interesse  publicar  a  referida  entrevista,  razão  pela  qual  Politécnicos e Universidades do nosso país.
       D       agradece  ao  Dr.  Joaquim  Cunha  Guimarães,  director  da
       A                                                         Finalmente, saliento ainda o significativo contributo dado por
       D       “Contabilidade & Empresas”, o ter permitido a sua transcrição  diversas universidades públicas espanholas as quais, a par-
       E       integral neste número da nossa Revista.           tir do início da década de 90 do século passado, acolheram
                                                                 vários professores portugueses empenhados em obter o grau
       E                                                         de doutor na área da Contabilidade, à data inexistente no
               Depois de uma época em que a investigação a nível de
        F      doutoramento na área de Contabilidade era praticamente  nosso país.
        I      inexistente (a primeira tese é de 1932), assistimos, a par-  É pois natural que, até por via das novas exigências constan-
       N       tir da última década do século passado, a um incremento  tes dos estatutos das carreiras docentes dos ensinos univer-
       A       significativo do número de doutores e mestres em Con-  sitário e politécnico, o número de mestres e de doutores na
       N       tabilidade. Como interpreta esta situação?        referida área do conhecimento tenha aumentado significati-
       Ç                                                         vamente nos últimos anos.
       A       Antes  de  começar  a  responder  a  esta  entrevista  escrita,
        S      gostaria de felicitar o Dr. Joaquim Cunha Guimarães por, há
               pouco mais de um ano, ter sido convidado para assumir as
       N.º     funções de director da revista “Contabilidade & Empresas”.  Na sua qualidade de docente de Contabilidade e Audito-
       105                                                       ria no Ensino Superior (ISCAL) como analisa a evolução
               Respondendo à primeira questão que me é colocada, de  do ensino nessas áreas?
               facto, até ao 25 de Abril apenas houve quatro doutoramentos
               no nosso país cujas teses tiveram por base temas contabilís-  A evolução tem sido bastante positiva, sobretudo desde 1977,
                                                                 ano em que foi aprovado o primeiro Plano Oficial de Contabi-
               ticos. Isto deveu-se, na minha opinião, à forma como até então  lidade (POC).
               se encarava a Contabilidade e, sobretudo, os Contabilistas.
                                                                 O ensino da Contabilidade foi deixando, progressivamente,
               Felizmente que após 1974 os sucessivos governos passaram
                                                                 de se debruçar apenas sobre os aspectos da Escrituração
               a dar maior atenção a esta área do conhecimento. Cito alguns  para passar a preocupar-se não só com a problemática do re-
      10       exemplos. Assim, logo em 1975 foi aprovado um decreto-lei  conhecimento e da mensuração dos elementos das demons-
               que equiparou a bacharéis os diplomados com o curso de
               Contabilista dos Institutos Comerciais (IC), uma vez que, se-  trações  financeiras  como  também  do  relato  financeiro
                                                                 (apresentação e divulgação). Isto para além do estudo das di-
               gundo o respectivo preâmbulo, “não se justificava a discrimi-
                                                                 versas estruturas conceptuais e dos enormes avanços que se
               nação  profissional  e  social  de  que  eram  objecto  os  deram no que se refere à Contabilidade de Custos e de Ges-
               diplomados destes institutos que, depois de cumprirem um
               programa de estudos correspondentes, na prática, a um ba-  tão.
               charelato, não tinham acesso a este grau académico”.  Neste contexto, deve salientar-se o importante papel desem-
                                                                 penhado, sobretudo, pelo ISCA de Lisboa que, em 1976, deu
               No ano seguinte, sendo Ministro da Educação e Investigação  início ao bacharelato em Contabilidade cujo plano de curso
               Científica o recentemente falecido Coronel Vitor Alves, foi
       A                                                         tomou como base o estudo elaborado em 1971 pela Comis-
        b      aprovado o diploma que reconverteu os quatro IC então exis-  são Organizadora do Sindicato Nacional dos Contabilistas, in-
        r      tentes em Institutos Superiores de Contabilidade e Adminis-
        i      tração (ISCA), escolas estas que podiam conferir “os graus  titulado “Subsídio para a reforma do ensino da Contabilidade:
        l                                                        bacharelato e licenciatura”, o qual, por seu lado, se baseou,
               de bacharelato, licenciatura e doutoramento” em Contabili-  entre outros, nos estudos nessa época existentes da autoria
               dade. Com a posterior integração no ensino superior politéc-
        /                                                        da American Accounting Association. Tais trabalhos, estando
               nico, os ISCA apenas podem conceder os graus de licenciado  na  posse  da  Associação  Portuguesa  de  Contabilistas
        J      e de mestre.
        u                                                        (APC/APPC), cuja génese fora a referida Comissão, permitiu
        n      De salientar também o importante papel desempenhado pela  que alguns dos seus membros os adaptassem na lecciona-
        h      Universidade Aberta que, em 1994, deu início, em parceria  ção de diversas disciplinas que foram então convidados a mi-
        o      com o ISCA de Aveiro, então sob a direcção do Dr. Joaquim  nistrar.
               José da Cunha, ao primeiro curso de mestrado em Contabili-
        2                                                        No que respeita à Auditoria, o seu estudo começou, na dé-
        0      dade e Finanças Empresariais.                     cada de 60 do século passado, no Instituto Superior de Ciên-
        1      Por outro lado, o primeiro programa de doutoramento com es-  cias Económicas e Financeiras, actual Instituto Superior de
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