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R       sendo uma das principais referências bibliográficas das  empresas ou entidades de maior dimensão (por exemplo: com
       E       disciplinas de Auditoria do Ensino Superior. A sua 9.ª edi-  volume de negócios superior a 5 milhões de euros, que no
       V       ção foi publicada recentemente (Outubro de 2010). A que  seu conjunto deverão rondar as 10.000, ou seja, cerca de 3%
        I      se deve este êxito?                               do total) e adoptar um conjunto de normas contabilísticas
        S                                                        muito  simplificadas  naquelas  em  que  o  mesmo  indicador
       T       É um facto a boa aceitação que o meu livro tem tido desde  fosse inferior a 150.000 euros (que estimo sejam cerca de
       A       que, em 1985, foi publicada a primeira edição. De algumas  60% do total). As restantes deveriam aplicar um “POC/DC”
               das nove edições fizeram-se reimpressões (14 no total) o que,  actualizados com base nos normativos que estiveram em
       D       no seu conjunto e atendendo à dimensão do nosso mercado,
       E       significa um número muito apreciável de livros. Penso que os  vigor até ao final de 2009.
               leitores estarão em melhor situação para responder à sua  É importante não esquecer, ao contrário do que alguns tentam
       C       questão. No entanto, admito que uma das razões seja o es-  fazer crer, que em termos teóricos quer o POC quer as sub-
       O       forço que tenho feito no sentido de cada nova edição se apre-  sequentes DC seguiram de perto os normativos do IASB
       N       sentar  devidamente  actualizada  face  aos  normativos  então vigentes.
       T
       A       nacionais e internacionais que vão sendo emitidos. A compo-
       B       nente prática do livro é também, penso, um aspecto impor-
        I      tante a ter em conta.                             Num seminário um colega referiu que teme que a “cultura
       L                                                         nacional” se sobreponha à “cultura do SNC”. Será que a
        I                                                        aplicação  prática  do  SNC  melhorará  relativamente  ao
       D       O que pensa do futuro da profissão de ROC em Portugal  POC? Será que a Contabilidade se desligará definitiva-
       A       e na Europa, tendo em conta, nomeadamente, a publica-  mente da Fiscalidade (em sede de IRC)?
       D       ção do Livro Verde sobre Auditoria pela UE, e, em parti-
       E       cular, a Auditoria das microentidades?            Estou pessimista quanto à adequada aplicação do SNC por
                                                                 parte das empresas a quem o mesmo se aplica excepto, tal-
       E       Começando pela parte final da sua questão, sou de opinião  vez por razões óbvias, no que se refere às empresas/entida-
               que não faz qualquer sentido falar-se em “auditoria das mi-  des sujeitas a auditoria. E note-se que, por via do disposto na
        F      croentidades”, cujo número estimo que esteja compreendido  já referida Lei nº 35/2010, o SNC  vai aplicar-se, presumo, a
        I      entre 80% e 85% do total das empresas portuguesas. De  menos de 20% das empresas portuguesas. Infelizmente tam-
       N       facto, não vejo qual é a necessidade que as microempresas  bém penso que, retirando as excepções acima mencionadas,
       A       (que de acordo com a Lei nº 35/2010, de 2 de Setembro e  a Contabilidade não se vai desligar da Fiscalidade, uma vez
       N       com o Decreto-Lei nº 36-A/2011, de 9 de Março, são aquelas  que a maior  parte dos preparadores da informação contabi-
       Ç       que não ultrapassam dois dos três limites seguintes: total do  lística continuarão a seguir estritamente as disposições do
       A
        S      balanço – 500.000 euros; volume de negócios – 500.000  Código do IRC.
               euros e número de trabalhadores – 5) têm em ser auditadas
       N.º     uma vez que, a não ser em casos muito excepcionais, não
       105     têm responsabilidade pública nem as suas demonstrações fi-  A profissão de Contabilista em Portugal é representada
               nanceiras são de grande interesse para os utilizadores exter-  pela Ordem dos Técnicos Oficiais de Contas (OTOC). Em-
               nos, sobretudo financiadores.                     bora o Professor distinga as designações de  “Contabi-
                                                                 lista”  e  de  “TOC”,  que  pensa  do  estado  actual  da
               Relativamente ao Livro Verde prevê-se que a Comissão Eu-
                                                                 profissão em Portugal e na Europa?
               ropeia, depois de ponderar as respostas que obteve à res-
               pectiva  consulta  pública  e  cujo  resumo  foi  divulgado  no  A profissão de Contabilista não está regulada em Portugal,
               passado dia 4 de Fevereiro, venha a adoptar até ao final deste  nem deve estar, uma vez que abrange um conjunto diversifi-
               ano algumas das medidas nele constantes. E não há dúvida  cado de actividades. Penso que no caso dos TOC, a sua ac-
      12       que o referido documento aborda temas muitíssimo impor-  tividade foi regulada, sobretudo, por razões fiscais, ou seja,
               tantes relacionados com a profissão de auditor, como sejam:
                                                                 para serem os interlocutores entre as empresas e as autori-
               nomeação, remuneração, rotação, controlo de qualidade e su-  dades fiscais.
               pervisão. Isto para além das situações relacionadas com a
                                                                 Em termos internacionais, entende-se que a profissão conta-
               prestação, ao mesmo cliente que está a ser auditado, de ser-  bilística engloba não só os contabilistas como também os au-
               viços distintos dos de auditoria e com a excessiva concentra-
                                                                 ditores.
               ção do mercado de auditoria, onde se verifica que, a nível
               mundial, quase 70% dos honorários totais são facturados por  A nível da União Europeia, apenas a actividade de auditoria
               apenas quatro firmas, as chamadas “big four”, que até há al-  (statutory audit) está oficialmente regulada há quase 30 anos
               guns anos atrás eram as “big nine”. Todos estes aspectos  sendo actualmente regida pela Directiva 2006/43/CE, do Par-
       A       terão, necessariamente, um forte impacto no nosso país.  lamento Europeu e do Conselho, de 17 de Maio de 2006. E
        b                                                        compreende-se que assim seja devido ao importante papel
        r
        i                                                        que, como profissionais independentes, os auditores desem-
        l      O novo modelo contabilístico nacional, Sistema de Nor-  penham perante os investidores dos mercados de capitais
               malização Contabilística (SNC), constitui uma significa-  quando estes tomam decisões económicas com base em de-
        /      tiva melhoria dos aspectos conceptuais relativamente ao  monstrações financeiras apresentadas pelas empresas e au-
               “modelo POC”. Concorda?                           ditadas por aqueles.
        J
        u      Estou apenas parcialmente de acordo com a afirmação, uma  Já no que se refere aos Contabilistas, entendidos como pre-
        n      vez que entendo que o POC, complementado com as Direc-  paradores de informação contabilística em sentido lato, a sua
        h
        o      trizes Contabilísticas (DC), era um bom referencial contabilís-  profissão, tanto quanto é do meu conhecimento, não se en-
               tico no nosso país, sobretudo no que se refere às PME.  contra regulada na União Europeia. De facto, o órgão de ges-
        2                                                        tão de cada empresa é responsável não só pela apresentação
        0      Aliás, sou de opinião que o que deveríamos ter feito era apli-  das demonstrações financeiras aos seus diversos stakehol-
        1      car as IAS/IFRS, tal como adoptadas na União Europeia, às  ders (accionistas, financiadores, potenciais investidores, ad-
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