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RECORTES DE IMPRENSA                                                                 R

                                                                                                                   E
                                                                                                                   V
            A Segurança Social é sustentável                O problema é que as taxas desceram para níveis historicamente   I
                                                            baixos.  Com  consequências.  Enquanto  o  sistema  financeiro   S
        “A  chave  da  sustentabilidade  da  segurança  social  está  na   passou a acumular ganhos, todas as outras partes acumularam   T
        riqueza  produzida  e  nas  relações  laborais  e  não  no  actual   perdas.
        quadro demográfico. (...) A segurança social é sustentável, e                                              A
        superavitária, se se impedir a sua descapitalização por parte do   Hoje, é claro que, tal como os empréstimos subprime, os swaps   D
        Estado e se se garantirem relações laborais-padrão, protegidas.   são uma arma financeira de destruição maciça, um jogo de alto
        A  descapitalização  da  segurança  social  começou  na  segunda   risco  que  foi  literalmente  vendido  por  partes  interessadas  e   E
        metade  dos  anos  80:  a  utilização  do  fundo  da  segurança   detentoras de mais informação e mais poder. Os swaps são o   C
        social para gerir os programas assistencialistas decorrentes do   mais importante dos produtos derivados (representam 80% de   O
        desemprego (…); as pré-reformas, algumas aos 45 ou 50 anos,   todos os contratos derivados) e um instrumento que, de facto,   N
        em que trabalhadores efectivos e com direitos (que contribuem)   sustenta a economia global financeirizada. Vale a pena colocar   T
        são  substituídos  por  trabalhadores  precários;  as  dívidas  não   o tema em perspetiva. O PIB total do mundo é de cerca de 50   A
        cobradas (8 mil milhões de euros); a transferência dos fundos   triliões de dólares, enquanto o valor total dos swaps existentes   B
        de  pensões  da  CGD,  PT,  Marconi,  ANA  (valem  hoje  menos   é de 441 triliões de dólares, cerca de oito vezes a produção do
        1/3); a neblina opaca que encobre o valor real (não nominal)   mundo inteiro. No mínimo, dá que pensar.    I
        dos  fundos  de  pensões  da  banca;  os  subsídios  da  segurança                                         L
        social a layoffs (triplicaram nos últimos 5 anos); a Formação   Numa  interessante  entrevista  ao  ‘Público’,  a  economista   I
        Profissional e Políticas Activas de Emprego (1,4% do PIB).”  Mariana  Abrantes  de  Sousa  chamava  a  atenção  para  um   D
                                                            conjunto de factos singelos. Por um lado, sublinha a ‘estupidez   A
                     Raquel Varela, Expresso, 29 de junho de 2013  global’ destes produtos, que têm levado à falência de cidades   D
                                                            (os  casos  mais  conhecidos  são  Stockton,  na  Califórnia,  e
            Só integridade pode evitar escândalos nas empresas  Detroit)  e,  por  outro,  defende  que  estes  contratos  foram   E
                                                            possíveis, em importante medida, por força da desestruturação   E
        “A  adopção  de  cada  vez  mais  regulação  não  tem  impedido   da  administração  pública,  cada  vez  menos  capaz  de  lidar   F
        o  surgimento  de  escândalos  nas  empresas  mundiais.  Para   com  problemas  complexos  -  ‘antigamente,  a  Direção-   I
        Luís  Magalhães,  ‘managing  partner’  da  Deloitte  Portugal,  a   -Geral  do  Tesouro  e  Finanças  (DGTF)  geria  a  dívida,  as   N
        integridade  é  um  elemento  fundamental  e  apenas  cumprindo   empresas  públicas,  as  PPP,  o  património.  Tinha  uma  mão   A
        este  requisito  de  seriedade  é  que  é  possível  evitar  situações   firme em todas essas áreas. (...) a DGTF foi definhando. Essa
        destas.  ‘Compliance  e  regras  de  governo  de  sociedade  não   separação dispersou conhecimento que antes estava concentrado   N
        resistem à falta de integridade’, realçou o mesmo responsável,   no Terreiro do Paço’.                     Ç
        acrescentando  que  ‘a  integridade  é  da  responsabilidade  da                                           A
        administração, sobretudo dos administradores não executivos’.   Não  deixa  de  ser  revelador  que,  cinco  anos  depois  do   S
        Luís Magalhães sublinha ainda a necessidade de criar comités   deflagrar  da  crise,  se  assista  a  uma  discussão  sobre  swaps
        de  gestão  de  risco  ao  nível  da  administração,  com  o  risco   que,  no  essencial,  trata  o  problema  como  sendo  sistémico   N.º
        ‘focado numa visão mais alargada’.”                 e  comportamental  do  lado  do  Estado  (que,  é-nos  dito,  vive   114
                                                            acima  das  possibilidades  e  se  deixou  arrastar  pela  voragem
                          Jornal de Negócios, 10 de julho de 2013  do crédito fácil) e apenas comportamental do lado do sistema
                                                            financeiro (a ganância que moveu os banqueiros), quando, na
            O JP Morgan e os defeitos da periferia          verdade, o problema é sistémico dos dois lados. Um Estado que
                                                            tem sido desnatado, em nome da austeridade, o que fragiliza
        “O JP Morgan, que não desapareceu após 2008 porque recebeu   objetivamente a capacidade de defender o interesse público, e
        100 mil milhões de dólares dos contribuintes norte-americanos,   um sistema financeiro que passou incólume por uma crise pela
        vem agora explicar-nos que os ajustamentos estariam a correr   qual é responsável último.”
        muito  melhor  nos  países  da  periferia  da  zona  euro  se  estes
        não  enfermassem  de  diversos  ‘defeitos’,  como  por  exemplo   Pedro Adão e Silva, Expresso, 3 de agosto de 2013  29
        ‘proteção  constitucional  dos  direitos  laborais’  e  ‘o  direito  a
        protestar contra mudanças indesejadas no statu quo político’.     10 milhões de BPNs
        Além  disso,  acrescenta  o  JP  Morgan,  os  países  da  periferia
        só  parcialmente  têm  sido  bem  sucedidos  com  as  reformas   “(…) Até porque este negócio tem semelhanças óbvias com o
        porque  os  governos  estão  constrangidos  pela  Constituição   de Cavaco Silva na mesma instituição, e se uma coisa destas
        (como é o caso de Portugal). Eu calculo que sem Constituição,   não é grave para um Presidente da República por maioria de
        sem direitos laborais nem de fazer greve ou manifestações as   razão não o será para um ‘mero’ ministro. O problema vem na
        coisas correriam muito melhor. Mas gostava que o Governo de   justificação dada por Rui Machete, que mostra bem o país que
        Portugal  não  desse mais  um  cêntimo  a  ganhar  à  JP Morgan.   temos.
        Quem sugere que em ditadura isto correria muito melhor que
        vá ganhar dinheiro onde elas já existem.”           Diz  o  senhor,  em  declarações  ao  Expresso,  que  nunca  teve   j
                                                            ‘qualquer  envolvimento  pessoal  em  negócios  do  BPN  ou  da   u
                     Nicolau Santos, Expresso, 13 de julho de 2013  SLN’; que o organismo que liderou ‘não exercia actividade de   l
                                                            supervisão nem quaisquer funções de fiscalização’ no BPN; e   h
            Detroit, falida, foge dos credores              que não participou ‘nos respectivos órgãos sociais propriamente   o
                                                            ditos, nem tão-pouco ter sido funcionário das duas entidades’.
        “Com  dívidas  da  ordem  dos  €14.000  milhões,  Detroit  é  a   Só faltou dizer que ‘ia lá só almoçar’, eventualmente uma das   /
        maior cidade dos EUA a declarar falência para se proteger dos   sopas tão estimadas por Oliveira Costa. A pergunta que faço é a
        credores. Entre estes, contam-se trabalhadores autárquicos e os   seguinte: se Machete não era funcionário nem da SLN nem do   s
        seus fundos de pensão. A cidade, que foi símbolo da indústria   BPN; e se não desempenhava funções ‘nos respectivos órgãos   e
        automóvel, tem decaído ao longo das últimas décadas, havendo   sociais propriamente ditos’, não achou estranho o senhor que   t
        700 mil imóveis abandonados e uma alta taxa de crime. Se a   lhe propusessem comprar acções a um euro com a promessa   e
        falência  for  aceite  permitirá  liquidar  bens  camarários  para   de lhas recomprarem a 2,5 euros? Se Rui Machete nada tinha   m
        pagar aos credores.”                                que ver com aquilo, como ele próprio faz questão, e bem, de   b
                                                            salientar,  não  achou  estranho  darem-lhe  tamanho  almoço   r
                                  Expresso, 20 de julho de 2013  grátis? (…)                                       o
            Uma verdade sistémica                           Mas há uma razão pela qual não temos dez milhões de bónus   2
                                                            BPN,  um  para  cada  português:  é  que  estes  negócios  estão   0
        “(…) Durante mais de uma década, os swaps foram o produto   destinados aos predestinados deste país.       1
        financeiro sexy por excelência. Um pouco por todo o mundo, o                                               3
        sistema financeiro convenceu governos, poder local e empresas   Lembram-se  de,  há  uns  anos,  os  clientes  do  BPP  serem
        públicas  de  que  estes  produtos  eram  ideais.  O  objectivo  era   enxovalhados porque tinham ‘depósitos’ que rendiam 6% ao ano
        claro: segurar os investimentos face a subidas das taxas de juro.   e ‘achavam isso normal’? No fundo insinuando que eles deviam
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