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         descreve no ponto 3. Com efeito, diariamente são trocados dois mil   gias de informação e comunicação.
         milhões de euros entre os dois continentes, os EUA são o principal   Estudos  encomendados  pelo  governo  português  concluíram
         mercado  das  exportações  da  UE,  pelo  que  o  acordo  irá  oferecer   que haverá ganhos de mais de mil milhões de dólares para a eco-
         mais  oportunidades  para  incrementar  tal  intercâmbio,  ao  mesmo   nomia nacional, a maior parte dos quais decorrente da abolição de
         tempo  que  encorajará  mais  firmas  norte-americanas  a  investir  na   barreiras  não  tarifárias,  das  quais  se  destacam  a  harmonização
         Europa.                                              legislativa, a redução da burocracia e a equiparação de regulação
            Para  os  Estados-Membros  da  UE,  os  benefícios  serão  múlti-  nas áreas sanitárias e de rotulagem. O mesmo estudo aponta para
         plos  através  dos  cortes  nos  custos  do  negócio,  os  quais  gerarão   um  aumento  no  PIB  nacional  de  0,66%  no  curto  prazo  e  entre
         crescimento suficiente e empregos e levarão a economia europeia a   0,57%  e  0,76%  no  longo  prazo,  correspondendo  à  criação  de
         crescer 120 mil milhões de euros, sem que sejam prejudicados os   40.500 e 23.000 postos de trabalho, respectivamente,  e ao aumen-
         padrões de protecção do ambiente, do trabalho e dos consumido-  to das exportações em 1,7% e 1,5%. Os sectores onde o impacto
         res. Para além disso, os consumidores terão acesso a uma mais   positivo será maior são os do têxtil e vestuário e o impacto negativo
         ampla gama de produtos e de serviços de elevada qualidade (CE,   verificar-se-á no sector das máquinas eléctricas (Governo, 2014).
         2014).                                                   Um  outro  estudo,  sem  data,  presumivelmente  de  finais  de
            Particularizando dir-se-á que o Tratado é mais importante e de   2014, realizado pela Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa,
         interesse, em primeiro lugar, para a grande indústria alemã e para   dá conta de que uma parte importante dos ganhos para Portugal
         as megaempresas agroalimentares dos EUA e menos propício tanto   decorrerá da liberalização tarifária, ao contrário do que acontece na
         para o agroalimentar francês, como para as indústrias francesas e   UE no seu conjunto, onde os direitos aduaneiros são menos impor-
         italianas.                                           tantes. Relativamente aos sectores mais afectados pelo TTIP, con-
                                                              clui no mesmo sentido do estudo encomendado pelo governo, quer
            Do lado das possíveis desvantagens salientam-se os receios
         da desregulamentação dos investimentos e a eliminação dos obstá-  quanto aos sectores, quer quanto ao emprego e exportações.
         culos inúteis ao comércio, os quais podem pôr em causa o direito   Sendo os EUA o 6º destino das exportações portuguesas ( o 2º
         ao salário mínimo, às indemnizações por despedimento, aos subsí-  fora da UE), espera-se que o incremento das trocas leve à criação
         diois de desemprego e outros direitos laborais e sociais. Quanto à   de milhares de postos de trabalho, mas deve ter-se em conta previ-
         harmonização  das  normas  e  regulamentos  sanitários,  os  receios   síveis  dificuldades  na  aceitação,  por  parte  do  mercado  norte-
         estão relacionados com o abrandamento ou a eliminação das restri-  americano, especialmente no tocante à fruta, em consequência das
         ções a aditivos, pesticidas, carne com hormonas, sementes trangé-  suas fortes exigências fito-sanitárias e, por outro lado, porque aque-
         nicas (OGM) e  informações das embalagens de produtos alimenta-  le mercado é fortemente concorreencial na laranja e frutos secos.
         res. Acresce o receio de que serviços públicos hoje ligados à segu-  Acresce que, se por um lado, as importações dos EUA ficarão mais
         rança alimentar e ambiental possam vir a ser privatizados. A ques-  baratas, no que haverá um benefício quanto à importação do baca-
         tão  da  resolução  dos  litígios  através  de  um  organismo  regulador   lhau, por outro lado, a indústria de tomate nacional vai ficar exposta
         poderá levar a que os Estados tenham de indemnizar multinacionais   ao gigante mundial do sector, que é a Califórnia, onde os custos de
         que se sintam prejudicadas por qualquer proibição relativa ao con-  produção e de energica são mais baixos do que em Portugal. Do
         sumo de produtos alimentares dos EUA com aditivos e hormonas   mesmo modo, os sectores de lacticínios , carne bovina, suina e de
         originais de OGM.                                    aves, terão de contar com a forte concorrência do mesmo mercado.


             3.3. O caso específico de Portugal                   3.4. Conclusão

            É consensual que hão-de ser os governos nacionais a ter de   A integração económica internacional é um fenómeno que não
         seguir de perto as negociações relativas ao TTIP e a fazer valer, a   se esgota no plano da geografia de proximidade. Daí a designação
         cada momento, os seus interesses vitais. Isto é o que se costuma   regionalismo.
         dizer “fazer o trabalho de casa”, por parte de cada governo, neste   Se nos anos 60 do século passado a integração económica se
         caso cada Estado-Membro da União Europeia, usando os respecti-  consubstanciava entre países geograficamente próximos, de que a
         vos canais diplomáticos para “impor” a sua agenda.
                                                              CEE foi o expoente maior, nos anos 80 a APEC mostrou que tal
            O eurodeputado Vital Moreira integrou o núcleo inicial de tais   fenómeno também se observava entre países distantes.
         negociações e presentemente há outros dois eurodeputados portu-  O TTIP, acordo de comércio e investimentos entre a UE e os
         gueses que podem participar na Comissão do Comércio Internacio-  EUA, vai além do designado segundo regionalismo, uma vez que
         nal do Parlamento Europeu.                           junta dois gigantes da economia mundial, geograficamente distan-
            Segundo Vital Moreira, estudos realizados apontam para bene-  tes, tendo em vista a formação de uma megabloco económico de
         fícios nos sectores nacionais da construção, distribuição,  constru-  mais de 800 milhões de consumidores e que é detentor de, aproxi-
         ção naval e serviços de engenharia, agricultura gourmet e tecnolo-  madamente, metado do produto interno bruto mundial.
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