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depois de criarem uma zona de comércio livre com Israel, em 1985, 3. A importância de uma zona de comércio livre entre a UE
uniram-se ao Canadá em 1987 e mais tarde, em 1991, “aceitaram” e os EUA
o México para formarem o NAFTA- North America Free Trade Agre-
ement.
O fenómeno da globalização que se seguiu às duas fases do
A integração na Ásia assumiu maior significado com a constitui- regionalismo e que aproximou os povos ao vencer as distâncias
ção da ASEAN – Association of South East Asian Nations, em 1967, físicas entre os vários pontos do globo, alterou o sistema internacio-
que não avançou significativamente no tocante ao comércio e de- nal que vigorou até aos anos 80 do século passado. Tudo se tornou
senvolvimento regional e se caracterizou pela capacidade de apoio mais rápido e a inovação atingiu escalas até aí não imagináveis. A
mútuo (Leclair, 1997). Mas foi a APEC – Asia-Pacific Economic lógica da produção, do consumo, da comunicação e dos valores
Cooperation Forum , criada em 1989, com a finalidade de promover entre os diferentes povos foram redefinidos. Enquanto a primeira
o comércio aberto e a cooperação económica da região, que mais vaga do regionalismo levou à integração económica de países geo-
relevo teve na Ásia, através do designado regionalismo aberto.
graficamente próximos, como foi o caso da CEE e de muitos outros
Na América do Sul, onde a experiência com a primeira vaga do acordos criados na década de 60 em todos os continentes, a segun-
regionalismo tinha levado à criação de vários acordos de integra- da vaga já integrou países de continentes diferentes, como aconte-
ção, mas sem o resultado esperado e deixando várias sequelas em ceu com a APEC.
consequência das políticas proteccionistas, surgiu o Mercosul – As negociações entre a UE e os EUA tendentes à criação de
Mercado Comum da América do Sul, em 1991, entre o Brasil, Ar- uma área de comércio livre constituem uma nova forma de encarar
gentina, Uruguai e Paraguai.
as relações económicas globais. Por um lado, poder-se-á estar
As experiências de integração regional no continente africano, perante uma nova forma de integração, a que não será apropriado o
apesar de insipientes do ponto de vista da economia real, datam, termo regionalismo, por se processar entre países geograficamente
essencialmente, do início das independências, nos anos 60 do sé- distantes. Depois, porque se trata da integração entre dois super-
culo passado. De entre os vários blocos regionais de comércio en- blocos regionais de comércio, uma vez que, tarde ou cedo, o acordo
tão criados, a SADC- Southern African Development Community se alargará ao NAFTA, do qual fazem parte o Canadá e o México,
passou a ser o mais importante depois de a ele ter aderido a África que já têm acordos com a UE.
do Sul em 1992. Os restantes agrupamentos ou estão mortos ou Como se referiu a cima, as negociações em curso UE-EUA
têm importância económica reduzida. visam o aumento significativo das trocas e do investimento entre
Finalmente importa referir que a demora e a insatisfação das ambas as partes, através da abolição dos actuais entraves, de que
partes com as negociações comerciais no âmbito do Uruguay são exemplo as barreiras tarifárias e não tarifárias, a harmonização
Round e com as insuficiências do GATT (hoje, OMC), terão contri- das leis e regulamentação sobre segurança alimentar e sanitária,
buído para o surgimento da 2ª vaga do regionalismo, aquele que deu ambiente, protecção de dados, investimentos e procedimentos de
lugar á criação dos super-blocos (Quadro 2). aprovação, entre outros.
De acordo com o Eurostat o volume de trocas entre as duas
Quadro 2: O regresso da regionalização dos anos 80 partes tem vindo a intensificar-se desde 2002, tendo as exportações
da UE aumentado 64% ao passarem de 733 biliões de euros em
Agrupamento Ano constituição Países membros
ou reactivação 2002 para 1.203 biliões em 2012 e as importações 42,9% ao passa-
Canada-US Trade Area (CUSFTA) 1988 EUA e Canadá rem de 1.271 para 1.816 biliões de euros, no mesmo período. Em
União Árabe do Magrebe 1989 Argélia, Líbia, Marrocos, Mauritánia,
Tunísia qualquer dos três anos considerados (2002, 2007 e 2012) o saldo
Asia-Pacific Economic Cooperation 1989 Austrália, Brunei, Canadá, Chile, Hong- da balança comercial foi sempre desfavorável à UE, ou seja, a Co-
Forum (APEC) Kong, Indonésia, Japão, Coreia Sul,
Malásia, Tailândia, México, N.Zelândia, P. munidade importou mais do que exportou para os EUA (Quadro 3)
Nova Guiné, Perú, Filipinas, Rússia,
Singapura, Taiwan, EUA, Vietname
Mercado Comum da América do Sul 1991 Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai
(Mercosul)
Comunidade Económica Africana 1991 Todos os países da Organização de Quadro 3: Comércio entre a UE e os EUA (Biliões de Euros)
Unidade Africana (OUA)
Acordo de Comércio Livre da América 1991 EUA, Canadá, México
do Norte (NAFTA)
2002 2007 2012
Acordo bilateral de abolição de direitos 1991 México e Chile Exportações 733 848 1. 203
aduaneiros (até 1996) Importações 1.271 1.472 1.816
Pacto Andino 1991 Bolívia, Chile, Equador, Perú, Colômbia Fonte: Eurostat
Mercado Comum do Báltico 1992 Estónia, Letónia e Lituánia
Associação dos Estados do Sudeste 1992 Brunei, Indonésia, Malásia, Filipinas,
Asiático (ASEAN) Singapura, Tailândia
Espaço Económico Europeu (EEE) 1992 CEE + EFTA (19 países)
No tocante aos serviços, o saldo tem sido favorável à UE nos
Fonte: Mucchielli, 1993) dois anos considerados (2008 e 2012), tendo aumentado 80,9% ao
passar de 89 (364-275) em 2008, para 161 biliões de euros em
2012. (Quadro 4)

