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         de protecção da saúde, da segurança, do trabalho, dos consumido-  mais agudeza a razão e os objectivos do acordo, mostrando possuir
         res, do ambiente e da promoção da diversidade cultural;   um sentido cívico apurado e direccionado para a defesa de políticas
                                                              comunitárias essenciais. No que a Portugal diz respeito, as dúvidas

                                                              iam desde o porquê do TTIP não ser objecto de discussão na As-
            iii) o objectivo comum das Partes de ter em conta os desafios   sembleia da República, até à razão pela qual os deputados nacio-
         particulares enfrentados pelas pequenas e médias empresas (PME)   nais do Parlamento Europeu não esclareciam os portugueses sobre
         ao procurarem contribuir para o desenvolvimento do comércio e do   as referidas negociações. Tudo isto parecendo um verdadeiro para-
         investimento;                                        doxo, porque se festejava o ano da cidadania europeia.
                                                                  As limitações sobre o teor das negociações eram tão elevadas

            iv)  o  empenho  das  Partes  em  garantir  a  comunicação  com   que apenas um reduzido número de deputados do Parlamento Eu-
         todas as partes interessadas, incluindo o sector privado e as organi-  ropeu tinham acesso aos respectivos documentos e, mesmo assim,
         zações da sociedade civil.                           com muitas restrições. Por exemplo, estavam impedidos de fotoco-
                                                              piar ou copiar documentos para o computador e tinham que  decla-

                                                              rar, pela sua honra, que não divulgariam dados sobre os documen-
            No tocante aos seus objectivos, aquele documento refere que:   tos consultados.(Merelle, 2014).
                                                                  Aquando da 3ª ronda (Dezembro 2013), a Comissão considera-

            a) o acordo visa incrementar as trocas comerciais e os investi-  va que “para as negociações comerciais poderem funcionar e  ter
         mentos entre a UE e os EUA, explorando todo o potencial de um   êxito, é necessário um certo grau de confidencialidade; caso contrá-
         mercado  de  trabalho  verdadeiramente  transatlântico,  gerador  de   rio, seria como mostrar ao outro jogador o seu próprio jogo, como
         novas oportunidades económicas para a criação de emprego e o   num  jogo  de  cartas”.  E  o  documento  que  estabelecia  o  mandato
         crescimento, através de um maior acesso ao mercado e uma maior   concedido aos negociadores estava classificado de “ difusão restri-
         compatibilidade  regulamentar  e  abrindo  caminho  à  definição  de   ta”, ou seja, inacessível ao cidadão interessado.
         normas mundiais;                                         Contudo, o secretismo não se  aplicava a toda a gente, visto
                                                              que 600 “conselheiros” oficiais das grandes empresas estavam ao
                                                              corrente  das  negociações  e  podiam  opinar  sobre  as  respectivas
            b) o acordo deverá reconhecer que o desenvolvimento susten-  matérias (Carvalho, 2013).
         tável  constitui  um  objectivo  primordial  das  Partes...promovendo
         elevados níveis de protecção do ambiente e do trabalho e de defesa   Por outro lado, informar o cidadão não parecia ser prioritário,
         dos consumidores, em consonância com o acervo da UE e a legisla-  embora os milhares de lóbis das indústrias automóvel, armamento,
         ção dos Estados-Membros;                             agro-alimentar e química serem frequentadores habituais das reuni-
                                                              ões, alguns durante várias vezes.

                                                                  Entretanto,  em  27  Setembro  2014,  o  embaixador  norte-
            c) para maximizar os compromissos de liberalização, o acordo   americano em Portugal deslocou-se ao Alentejo e, na presença de
         deverá  conter  uma  cláusula  de  salvaguarda  bilateral,  segundo  a   um  governante  português  e  de  um  elemento  do  AICEP,  indagou
         qual qualquer das Partes pode retirar preferências, parcial ou total-  junto dos produtores e industriais da região sobre o seu conheci-
         mente,  sempre  que  o  aumento  das  importações  de  determinado   mento do TTIP e dos seus potenciais benefícios. As respostas mos-
         produto de outra Parte seja ou possa vir a ser prejudicial para a sua   traram que os inquiridos ignoravam, quase por completo, a existên-
         indústria interna.                                   cia  do  TTIP.  Perante  tal  desconhecimento,  aquele  embaixador,
                                                              esclareceu os presentes, começando por dizer que “se ajudarmos a
                                                              perceber quais são os pontos onde os portugueses na UE têm de
            O documento da UE onde constam os princípios e objectivos
         acima descritos contém a menção de restrito e adverte que contém   fazer  pressão  na  negociação,  já  é  positivo  termos  servido  como
         informação  classificada,  cuja  divulgação  não  autorizada  pode  ser   canal”.  Continuando,  informou  sobre  o  interesse  na  redução  das
         prejudicial  aos  interesses  da  UE  ou  de  um  ou  vários  Estados-  tarifas e da burocracia, sobre a harmonização das regras, sobre o
         Membros. Essa terá sido a razão para a sua divulgação tardia, em   investimento,  a  rotulagem,  o  problema  das  rolhas,  os  potenciais
         Outubro de 2014, apesar de ter sido elaborado em Junho de 2013.   benefícios  para  os  vinhos  alentejanos,  os  milhares  de  postos  de
                                                              trabalho que poderão ser criados, o potencial dos queijos do Alente-
            Uma das interrogação que se coloca é o de saber o porquê de   jo e a impossibilidade de serem alteradas algumas regulamentações
         tão prolongado secretismo e o da classificação de “restreint UE/EU   da UE e dos EUA. Em suma, um esclarecimento e uma lição de
         restricted” atribuída a tal documento. Isto porque tal opção fez surgir   democracia.
         um coro de receios e protestos, por estarem em causa interesses
         vitais  de  pessoas  e  empresas,  incluindo  a  segurança  alimentar  e   Procurando contrariar a contestação generalizada ao secretis-
         sanitária, como a seguir se descreve, resumidamente.   mo das negociações, o ex-deputado ao Parlamento Europeu Vital
                                                              Moreira veio a terreiro, por diversas vezes, uma das quais em Abril
            No início de 2014, a sociedade civil passou a questionar com   de 2014. Tal ex-deputado tinha integrado o grupo ligado às negocia-
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