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            2. Os blocos regionais de comércio e a sua influência no   A união económica caracteriza-se pela harmonização das le-
                aumento das trocas comerciais                  gislações  económicas  nacionais,  pela  coordenação  das  políticas
                                                               económicas e pela substituição de certas políticas económicas naci-

                                                               onais  por  políticas  comuns,  como  sejam  as  relacionadas  com  a
                2.1. Níveis e formas de integração económica   agricultura, transportes, ambiente, investigação e desenvolvimento,
                                                               energia, política social, política comercial, política regional, etc.
            O  estudo  da  integração  económica  internacional  afirma-se  e   A união monetária pressupõe a substituição das moedas dos
         sistematiza-se  a  seguir  à  Segunda  Guerra  Mundial,  passando  a   países participantes por uma moeda comum a todos eles, como é o
         constituir-se  como  um  ramo  autónomo  da  economia  internacional   caso do euro, relativamente a  mais de metade dos países integra-
         (Pinto, 2004).                                        dos na União Europeia.
            O processo de integração económica significa o processo vo-  A união económica e monetária caracteriza-se pela existência,
         luntário  de  crescente  interdependência  de  economias  separadas,   entre vários Estados, de políticas económicas concertadas, de uma
         pressupondo medidas que conduzem à supressão de algumas for-  moeda única e de um banco central comum, que detém o poder de
         mas de discriminação (Balassa, 1961).                 emitir moeda.
            Há vários tipos de integração económica, os quais foram objec-  A União Europeia é o único bloco económico que percorreu a
         to de múltiplos estudos, levados a cabo por vários autores, desta-  generalidade das formas de integração económica, com excepção
         cando-se a integração positiva ou activa e a negativa ou passiva,   da área de comércio livre. Nenhum outro bloco regional foi além de
         sectorial e geral, nacional e universal (caso da OMC). Este trabalho   uma  união  aduaneira,  incluindo  o  Mercosul  (Mercado  Comum  da
         limita-se a analisar os principais aspectos da integração económica   América do Sul), que ainda não atingiu o grau de  aprofundamento
         entre um grande país (EUA) e a União Europeia, que é composta   característico de um mercado comum.
         por 28 países economicamente já integrados.

            Considerando o grau de aprofundamento, a generalidade dos   2.2 Causas e consequências da integração regional
         autores classifica a integração económica sob as seguintes formas:
         área  de  comércio  livre,  união  aduaneira,  mercado  comum,  união
         económica, união monetária e união económica e monetária.    A integração regional, tal como é geralmente entendida, surgiu
                                                               com  a  criação  da    Comunidade  Económica  Europeia  (CEE)  em
            A área de comércio livre caracteriza-se pela liberdade de movi-
         mentos  da  generalidade  dos  produtos,  normalmente  industriais,   1957.
         oriundos  dos  países  integrados  e  pela  existência  de  uma  política   Se em 1951 as razões relevantes para a criação da Comunida-
         comercial  própria  de  cada  país  membro  relativamente  a  países   de Europeia do Carvão e do Aço (CECA) se relacionavam com a
         terceiros, como é o caso do NAFTA. As necessidades de certifica-  forma de evitar mais guerras entre a França e a Alemanha, em 1957
         ção  de  origem  dos  produtos  é  também  uma  característica  desta   as razões eram mais amplas, na medida em que se estendiam a
         forma de integração, tendo em vista evitar a deflexão de comércio,   questões económicas e políticas. A integração europeia não levou
         isto é, que um país membro possa obter ganhos com a venda de   tempo a espalhar-se por todo o sistema internacional e daí ter surgi-
         produtos que importou do exterior, utilizando uma taxa mais reduzi-  do na América Latina, na África e na Ásia, tendo os anos 1960 visto
         da do que aquela que os restantes parceiros utilizam na importação   nascer  novos  agrupamentos  de  países  nessas  zonas  (Quadro  1)
         de tais produtos da mesma origem.                     Mais tarde, nos anos 1980, a integração surgiu com vigor redobrado
            Na união aduaneira, além da livre circulação de mercadorias,   após ter passado por um período de mais de vinte anos sem gran-
         existe uma política comercial comum relativamente a países tercei-  des  sinais  de  actividade.  Às  razões  políticas  e  económicas  que
         ros, a qual se traduz na aplicação de uma pauta única aos produtos   estiveram na base do primeiro período de integração juntaram-se
         importados do exterior.                               outras ligadas à segurança e à defesa.

            O  mercado  comum,  além  das  características  típicas  de  uma
         união aduaneira, identifica-se pela liberdade de circulação de pes-  Quadro 1: A vaga de regionalismo nos anos 60 (acordos principais)
         soas, serviços e capitais.
                                                                      Agrupamentos     Ano de      Países membros
                                                                                      constituição
            Decorrente do processo de integração europeu, poderá distin-  Comunidade Económica Europeia (CEE)   1957   Bélgica,  França,  Itália,  Luxemburgo,
         guir-se,  igualmente,  o  mercado  único  como  forma  de  integração                Holanda, RFA
         económica, a qual se caracteriza não só pelo afastamento das bar-  União  dos  Estados  da  África  do  Leste   1959   Senegal, Nigéria, Costa do Marfim, Alto
                                                                (UDEAD)
                                                                                              Volta, Mali, Daomé
         reiras  alfandegárias  ao  comércio,  mas  também  pelo  afastamento   União  Aduaneira  e  Económica  da  África   1959   República  Centro  Africana,  Congo,
         das barreiras não visíveis, isto é, barreiras não tarifárias, que são   Central (UDEAC)   Gabão, Chade
                                                                Associação  Europeia  do  Comércio  Livre   1960   Áustria,  Dinamarca,  Irlanda,  Noruega,
         igualmente  impeditivas  da  concorrência  plena  entre  economias   (EFTA)          Portugal, Suíça, Reino Unido
         integradas (Porto, 2001).                              Mercado Comum Centro-Americano (MCCA)   1960   Costa  Rica,  El  Salvador,  Guatemala,
                                                                                              Honduras, Nicaragua
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