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         ceira (a sobrevivência assenta em aspetos financeiros), e esta sem-  tivos propostos em cada perspetiva são-no sob a presunção de um
         pre resulta de como a empresa se organiza e trabalha. Isso é obser-  determinado  relacionamento  entre  elas  para  a  concretização  dos
         vado sob três outras perspetivas: clientes, processos internos, ca-  objetivos estratégicos. Apesar do modelo original estabelecer uma
         pacidade para aprender e crescer. Aparecem assim quatro perspeti-  rede de relações unívoca (aprendizagem e crescimento → proces-
         vas-tipo para análise de uma empresa que cobrem todo o espetro   sos internos → clientes → finanças) a realidade é inter-relacional.
         da atividade organizacional; e, para cada, selecionam-se desempe-  Tudo se influi mutuamente num sistema complexo (Norreklit, 2003)
         nhos merecedores de atenção e controlo. A gestão procura os fato-  cujo bom desenho e adaptação é prova de uma gestão competente.
         res  críticos  à  competitividade  da  empresa:  aqueles  que  percebe   Por  isso  os  objetivos  propostos  devem  ser  decompostos:  do
         mais importantes para, na definição e persecução dos seus interes-  geral para o particular; de um sentido estratégico, para o tático; do
         ses estratégicos, ser bem sucedida. Estes fatores, designados por   organizacional  para  o  departamental  e,  finalmente,  individual  –  o
         indicadores do desempenho ou sucesso, estarão relacionados com   alinhar os diversos interesses na organização. Isto significa que os
         outros – fatores indutores, subsidiários – que a gestão terá de saber   objetivos  propostos  às  pessoas  estão  conformes  aos  desejados
         investigar.
                                                              para os seus departamentos e estes aos da empresa. Estabelecem-
            Nomeamos assim indicadores de sucesso para cada perspetiva   se referências de controlo para as diversas dimensões da organiza-
         e respetivos indutores (fatores da ordem qualitativa (e.g. satisfação   ção.  O  BSC  torna-se  um  mecanismo  de  coordenação  e  controlo
         de clientes) e quantitativa (e.g. nº de defeituosos)) passíveis de uma   organizacional, um facilitador da gestão estratégica (Kaplan e Nor-
         avaliação objetiva e comprovável. Consequentemente implantam-se   ton, 1996a).
         processos e práticas que, conforme os fatores críticos e indutores   A criação do mapa estratégico é testemunho óbvio de um pen-
         identificados, produzam a informação necessária à sua observação   samento sistémico que engloba a empresa nas suas várias dimen-
         e  controlo.  Esta  monitorização  de  desempenhos  é  já  um  padrão   sões. A qualquer empresa interessa precisar a sua opção estratégi-
         essencial de ação para os auditores (IIA – The Institute of Internal   ca  num  plano  escrupulosa  e  conscientemente  desenhado
         Audits).                                             (Mintzberg, 1987) que funcione como um modelo de controlo – defi-

            Se a perspetiva financeira observa dados concretos relativos à   ne-se uma referência organizacional (Osbourne e Gaebler, 1992). A
         situação  financeira  (fluxos  de  dinheiros,  rentabilidades,  rácios)  as   adoção  e  implementação  do  BSC,  através  do  mapa  estratégico,
         três restantes debruçam-se sobre questões reveladoras da capaci-  predispõem os gestores para esse exercício (Nørreklit (2000) julga
         dade na empresa para criar valor e circundam três distintos campos   muito  questionável  a  efetividade  de  um  tal  mapa  num  ambiente
         de pesquisa. Na perspetiva de clientes averigua-se tudo o que se   dinâmico).
         lhes relaciona (níveis de satisfação, de perceção da marca, grau de   O BSC define então quatro campos de atenção cujos resultados
         penetração  no  mercado,  fidelização).  Na  de  processos  internos   devem ser monitorizados para averiguar do real desempenho orga-
         averigua-se a gestão operacional: tempos de execução, fiabilidade   nizacional e perceber que medidas tomar se os resultados não fo-
         dos processos, capacidade gestora, a inovação (nos produtos, ser-  rem  os  desejados,  bem  como  entender  sucessos  inesperados.  O
         viços, formas de trabalho e organização) e aspetos reguladores e   BSC  torna-se  num  meio  de  controlo  do  cumprimento  estratégico:
         sociais (como condicionantes legais). A perspetiva de aprendizagem   logo  sabemos  para  onde  dirigir  a  atenção  quando  há  um  desvio
         e crescimento, encerra os fatores considerados primordiais: capital   entre o conseguido e o perspetivado, possibilitando ainda um con-
         humano  (competências,  talentos,  know-how  das  pessoas);  capital   trolo dito de feedforward (de Haas e Kleingeld, 1999). A compara-
         informacional  (infraestruturas,  hábitos  e  regimes  processuais  que   ção do previsto com o realmente acontecido pode também desmen-
         permitam  conhecer  o  estado  da  organização  e  que  fomentem  a   tir as relações presumidas entre os diversos fatores e implicar uma
         construção  e  partilha  de  saber);  capital  organizacional  (apetência   reformulação estratégica (Kaplan e Norton, 1996a) – percebem-se
         para a mudança, flexibilidade dos processos organizacionais e das   novos, ou diferentes, padrões de relacionamento. A gestão baseada
         pessoas, os valores da organização, alinhamento dos diversos inte-  no BSC aponta para um controlo o mais atualizado possível que, no
         resses na organização com as decisões estratégica) (Kaplan e Nor-  ideal, permitiria perceber ameaças e oportunidades atempadamente
         ton, 2004).                                          – e agir em conformidade.
            Identificados os fatores indutores e indicadores do sucesso em   Há ainda quem defenda o Balanced Scorecard pelos seus pro-
         cada  perspetiva,  estabelecem-se  metas  de  concretização.  Como   cessos de implementação e não pelo instrumento em si (Mooraj et
         exemplos: porção do mercado, crescimento das vendas; rotação de   al, 1999); que entendê-los é condição necessária para perceber a
         stocks, número de defeituosos, tempo de produção; investimento na   verdadeira natureza e implicações desta teoria de gestão. As ne-
         formação, taxa de absentismo, divulgação e perceção dos interes-  cessidades de ordem comunicacional e organizacional tornam com-
         ses da organização.                                  plexa a boa prática (Olve et al, 2004), não tão fácil quanto a simpli-
            Os indicadores de sucesso aparecem numa rede de causalida-  cidade do conceito parece induzir.
         de,  traduzida  pelo  mapa  estratégico,  que  representa  a  ideia   As regras da sua aplicação são quatro (Kaplan e Norton, 1996):
         (hipótese estratégica) (Kaplan e Norton, 2005) de como as perspeti-  clarificação da missão, visão e objetivos da empresa; estabelecer
         vas se inter-relacionam e concluem em termos financeiros. Os obje-  uma boa rede comunicacional interna; desenvolver planos específi-
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