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         cos para cada indivíduo e setor da empresa; fomentar processos de   mento de produtos, má proteção de patentes, maus desempenhos
         controlo  com  preocupações  de  aprendizagem.  Procura-se  uma   pessoais, fraudes internas, risco de marketing (D’Alessandro 2001),
         coerência global à empresa.                          má  aprendizagem  organizacional,  crédito  de  cobrança  duvidosa);
            A adoção destas regras promove a integração dos vários pro-  riscos estratégicos (alterações legislativas, tendências de mercado,
         cessos  e  funções  organizacionais,  com  evidentes  benefícios  na   inovações  tecnológicas,  …);  riscos  propriamente  ditos  (incêndios,
         recolha  e  tratamento  de  dados,  produzindo  informação  concisa,   roubos, terramotos, …).
         relevante e em tempo útil, que previne alguns riscos organizacionais   Dentro  destas  quatro  classificações  do  risco  (existem  outras
         e promove formas de controlo informal. O BSC instaura uma disci-  classificações,  Meulbroek  (2002)  recorre  a  sete  categorias)  cabe
         plina  orgânica  na  gestão  empresarial  com  o  estabelecimento  de   tudo  o  que  possa  implicar  o  insucesso  das  atividades  iniciadas
         normas e processos de controlo operacionais e estratégicos, bem   (Calandro,  2006),  incluindo  questões  não  controláveis  ou  mesmo
         como das condições necessárias a um controlo interno efetivo. Em   acidentais (como alterações legislativas imprevisíveis, incêndios), e
         concordância, estudos (Olhager e Winer, 2000; Wu e Olson, 2007)   outras que relevam das capacidades próprias (todos cometem er-
         apresentam o BSC como o instrumento mais eficaz no planeamento   ros). O ERM não se refere ao risco no sentido estrito, mas a tudo o
         e controlo de medidas de desempenho, associado a uma boa ges-  que contribui para a perda de valor da empresa; e fá-lo com sentido
         tão de risco em várias empresas (Kaplan e Norton, 2006).   prático: a avaliação do risco implica um comportamento consequen-
                                                              te conforme ao sentido estratégico da empresa para assim melhorar
                                                              o desempenho das empresas (Beasley et al, 2008; Gordon et  al,
                      O BSC E A GESTÃO DE RISCO               2009).
            Desde meados de 90 que a ideia do risco na gestão tem sido   Esta ideia de gestão de risco ainda se prende muito ao receio
         mais estudada e desenvolvido o conceito gestão de risco (Scapens   da perda de valor, ao aspeto puramente negativo, não assume a
         e  Bromwich,  2009).  Uma  evolução  natural  e  consequente  a  um   noção mais rica de incerteza e adaptação. O risco não é só relativo
         ambiente competitivo cada vez mais complexo e instável (Arena et   a controlo e receio, relaciona-se também com uma aposta criadora
         al,  2010),  originando  o  aparecimento  da  chamada  sociedade  de   que  nunca  é  certa  –  por  isso  a  nossa  preferência  pelo  termo
         risco (Beck, 1992). Concorrência e incerteza são indissociáveis.   “incerteza”.
            Segundo Ackerman (2001), a gestão de risco percorre sempre   O BSC parece-nos poder constituir a matriz de uma gestão que
         os seguintes passos: procurar e identificar os principais riscos, sele-  absorve a noção de risco assumida pelo ERM integrando-a na ges-
         cionar técnicas de medida e, considerando as suas redes de rela-  tão estratégica com uma dinâmica que considera o risco também
         ções, encontrar formas de os limitar e decidir as estratégias a imple-  como um campo de oportunidades.
         mentar,  num  processo  continuamente  sob  controlo  e  avaliação.
         Estas palavras enunciam um processo que se identifica com a gé-  O BSC apresenta uma estrutura que facilita a consideração dos
         nese do BSC, admitindo a sua boa conjugação.         riscos  em  toda  a  sua  diversidade.  Nomeando  perspetivas  funda-
                                                              mentais  de  análise  da  empresa,  define  campos  de  atenção  onde
            A diversificação dos riscos inerentes ao negócio corresponde à   identificar riscos próprios. Se essas perspetivas percorrem todo o
         real  complexidade  da  vida  económica  e  tem  de  ser  aceite  como   espetro de atividade de uma empresa – dos clientes aos fornecedo-
         inelutável condicionante da estratégia empresarial (Dickinson, 2001)   res, incluindo o meio económico geral – também, sob as suas alça-
         – a possibilidade de lucro, cada vez mais, associa-se ao risco aceite   das, podemos procurar os principais riscos de negócio.
         (Alquier  e  Tignol,  2006).  O  risco,  naturalmente,  é  considerado na
         gestão estratégica mas tal não significa que haja gestão de risco –   Para  cada  perspetiva  estabelecem-se  objetivos  e  os  fatores
         pois tanto implica olhar para o risco também como uma janela de   críticos para a sua concretização, marcando padrões de controlo.
         oportunidades, não assumir uma posição timorata mas reconhecer   Isto  pode  ser  complementado  com  a  análise  do  que  pode  afetar
         na forma de abordagem da incerteza uma competência concorrenci-  mais significativamente cada fator crítico, introduzindo outros crité-
         al. Não tomar o risco no seu aspeto meramente negativo, será mais   rios de controlo e avaliação – estendemos o âmbito de análise do
         apropriado a noção de incerteza do que de risco. Os auditores inter-  BSC aos riscos prováveis. Esta identificação e controlo dos riscos
         nos  já  não  se  restringem  ao  mero  controlo  do  risco,  orientam-se   ajuda a mais bem definir estratégias e distribuir os recursos de acor-
         pela estratégia de negócio (Lindow e Race, 2002) e seus interesses   do com as prioridades (Kunkel, 2004) – condição para se falar numa
         (Rivenbark, 2000).                                   gestão de risco.
                                                                 A perspetiva financeira modelo do BSC não inclui os riscos fi-
            Uma definição corrente de gestão de risco aparece descrita no
         conceito de ERM segundo o CAS (Casualty Actuarial Society): pro-  nanceiros,  mas  esses,  pela  mesma  lógica,  podem  ser  facilmente
         cesso de monitorização, avaliação, controlo e exploração de todos   incorporados, conforme exemplo na página seguinte.
         os  tipos  de  riscos,  que  impliquem  ações  de  forma  a  aumentar  o   O  BSC,  impondo  objetivos  organizacionais,  departamentais  e
         valor da empresa, de acordo com o nível de risco aceite.   individuais, introduz variáveis e critérios de controlo. Muitos destes
                                                              objetivos já refletem uma gestão de risco (e.g. apontar para uma
            Isto envolve considerar: riscos financeiros (taxas de juro, que-
         bras bolsistas); riscos operacionais (avarias, insuficiente desenvolvi-  taxa de satisfação dos clientes ou dos trabalhadores na empresa); e
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