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mentais e funcionais, relativamente ao universo, são praticamente blemáticas que estão subjacentes à fundamentação da auditoria na
idênticos, o que nos inclina para a validação da H2. sociedade: o risco de informação, conflitualidade existente, comple-
xidade e afastamento e necessidade de credibilização da informa-
Verificamos, em termos quantitativos, que o número de postulados ção financeira. Esta tendência reflete as preocupações dos autores
para explicar e justificar a auditoria e o seu processo são, respetiva- em discussão. É estranho porém que os livros de auditoria interna,
mente, sete em Flint catorze em Lee. Como consequência rejeita- operacional ou de gestão nunca referiram a importância da audito-
mos a H3. ria na sociedade e a sua legitimação. Com efeito, Barrantes (1997),
Defliese (1990), Garmendia (2002), Griffiths (2005), Pickett (2005),
Especificamente, em relação à teoria proposta para explicar a audi- apesar da amplitude do conceito proposto por Flint, que engloba, no
toria na sociedade, ambos partem, de acordo com a comparabilida- seu âmbito, a abordagem financeira e não financeira, e inclusiva-
de expressa no quadro VIII, da existência de uma situação de res- mente atividades sem reflexo contabilístico, não fundamentaram a
ponsabilidade (Flint e Lee). No entanto, Lee acrescenta a teoria da auditoria. De facto, apesar de ambos os autores considerarem a
dúvida e a problemática do afastamento/complexidade. No entanto, auditoria como um instrumento de controlo social, o seu âmbito, no
ambos os autores concordam com a teoria da agência como expli- caso de Lee (1993), circunscreve-se à auditoria financeira, enquan-
cação para a existência da auditoria na sociedade. Interpretamos, to Flint (1988) sugere um alcance mais vasto, cujo ponto relevante
porém, que a relação de accountability incorpora a narrativa expli- se concretiza na afirmação de que a auditoria interna pode ser sufi-
cativa da credibilidade, bem como do afastamento/complexidade. ciente sempre que a problemática da independência do auditor
Não validamos, assim, a hipótese 4. interno esteja assegurada. Outro aspeto importante que ressalta da
teoria de Flint (1988) e merece o acordo de Lee (1993), bem como
Do quadro X extraímos que o risco de auditoria é perspetivado na de Sherer e Kent (1983) e Mautz e Sharaf (1961), e que resulta da
base do risco de negócio ou estratégico o que induz a necessidade incorporação da sociedade como variável endógena, materializa-se
de a continuidade dever ser analisada em todas as circunstâncias e na afirmação de que a auditoria assume um carácter adaptativo,
não por exceção. No entanto, se em relação a Flint esta afirmação isto é, tem subjacente uma clara dependência cultural: o conceito,
não nos oferece dúvidas, já em relação a Lee, dado o seu enfoque ou seja, a ideia da existência de auditoria tem-se mantido na socie-
na auditoria financeira, não nos parece ser aplicável, pelo que rejei- dade, enquanto que a prática da função, sob pressão social, pode e
tamos parcialmente a hipótese 5. deve adaptar-se aos valores da sociedade em contínua evolução
refletindo, deste modo, as suas exigências e necessidades atuais.
Ambos os autores considerarem a dimensão social da auditoria. No
entanto, assistimos a um desacordo expresso relativamente à inclu- A conceção social de auditoria emerge a partir dos anos 70, mo-
são na auditoria da deteção de erros, fraudes e omissões. Com mento em que o enfoque tradicional começa a ser contestado.
efeito, Lee assume de forma taxativa que esta tarefa não se enqua- Benau (1997:60) aponta que a função social do auditor não se deve
dra no âmbito da auditoria financeira, situação que Flint contesta limitar à simples comprovação e verificação das anotações contabi-
por considerar que o trabalho do auditor deve abarcar esta proble- lísticas. Por sua vez Bell et al. (1997:19) insere a auditoria no con-
mática, em virtude de a auditoria assumir uma função social. Rejei- texto social e sugere que a auditoria é uma validação da força das
tamos, por isso, a hipótese 6. relações e interações de uma sociedade, sendo o sistema e a es-
trutura que devem ser preferentemente auditadas, enquanto que
A hipótese 7 é confirmada porque ambos os autores consideram a Nasi (1998:103) refere que os empresários não querem apenas
independência e a ética como traves mestras da auditoria. saber de demonstrações financeiras auditadas, mas sim da empre-
sa como um todo: auditada, avaliada e criticada.
6. Discussão
Esta filosofia baseia-se no conceito de risco do negócio ou empre-
Para que a comparabilidade fosse possível procedemos à reafecta- sarial que se traduz numa orientação global da auditoria. Esta novo
ção dos postulados de Flint (1988), que aparecem no texto original paradigma considera a organização no sentido dinâmico, de forma
sem tipologia, observando o mesmo critério proposto por Lee global e impossível de ser examinada isoladamente, propondo-se,
(1993). Este modus faciendi, bem como a densificação das âncoras um outro enfoque baseado na rede de relações empresariais. De
propostas, permitem-nos discutir a problemática em termos gerais e facto, sem um conhecimento amplo do risco inerente ao negócio
igualmente em termos mais analíticos e centrados. Ambos os siste- não é possível julgar com eficácia as estimativas contabilísticas e
mas postulacionais aparecem num contexto de clara crise nas rela- outras apreciações subjetivas que refletem o nível de contingências
ções entre a sociedade e a auditoria. Por isso, ambos os autores associado à empresa. Para conseguir este desiderato é indispensá-
sentiram necessidade de chamar a atenção, nos seus SP, para a vel olhar para fora do sistema contabilístico, o que conduz inevita-
necessidade da sua fundamentação teórica. Esta preocupação tem velmente à análise das decisões tomadas pela Direção para que a
efeitos evidentes na literatura de auditoria nos anos 90 e períodos empresa consiga atingir os seus objetivos, desenvolvendo, para o
subsequentes em que se nota uma preocupação mais profunda efeito, uma estratégia (Collins, 1996:23-45).
relativamente à necessidade da sua fundamentação axiomática.
Efetivamente, nos livros editados nos anos 90 e seguintes nos As diferentes estruturas concetuais da auditoria estão estritamente
EUA, UK e Noruega, verificamos que Whittington e Pany (1998), relacionadas com a evolução do capitalismo e da evolução das
Ruud (1989) e mais recentemente Lowers et al. (2013), Messier conceções do management. Com efeito, os postulados de Mautz e
(2012), Rittenberg et al. (2010), Porter et al. (2008:61-100) ou refe- Sharaf (1961) recolhem a abordagem do capitalismo assente no
rem diretamente os postulados ou apontam indiretamente as pro- chamado primado da produção: as organizações produziam em

