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te se o benefício que possa proporcionar for superior ao custo su-
portado. O benefício social da auditoria é frequentemente intangível Quadro 4 – Postulados Justificativos
(Flint, 1988:39), pelo que o seu custo económico é mensurado de A qualidade da informação contabilística expressa nas demonstrações financeiras
um modo subjetivo pela sociedade. De facto, o providing value - um da generalidade das organizações empresariais não tem credibilidade suficiente
dos princípios fundamentais da auditoria independente – significa PJ 1. sem verificação e validação, de forma a poder ser usada com completa confiança
que a auditoria proporciona aos diferentes utilizadores uma mensa- pelos acionistas e outros utilizadores no processo de prestação de contas e de
gem credível da fiabilidade das demonstrações financeiras, e que atribuição de responsabilidades.
os auditores estão em excelente posição para incrementar o value
for money. Todavia, a justificação social da auditoria tem que ser A função de auditoria, como parte do processo de prestação de contas e de
sempre medida em termos de custo e tempo, como é referido por PJ 2. atribuição de responsabilidades, na sua função de verificação e validação da
Mautz e Sharaf (1961:85). O terceiro, para que o desempenho, a qualidade das demonstrações financeiras, é a mais frequentemente procurada na
conduta e a imputação de responsabilidades possam ser avaliadas generalidade das situações empresariais.
e imputadas, refere a necessidade da existência de padrões de Na generalidade das situações a qualidade da informação expressa nas demons-
referência. PJ 3. trações financeiras relatadas aos acionistas e outros utilizadores pode ser atesta-
da e validada através de uma auditoria externa.
Da análise monográfica efetuada enfatizamos dezassete pontos A verificação e a validação da qualidade das demonstrações financeiras relatadas
relevantes, expressos no quadro seguinte:
PJ 4. aos acionistas e outros utilizadores são melhor conseguidas através da regula-
Quadro 3 - Síntese do sistema postulacional de Flint (1988) mentação na generalidade das situações empresariais.
Pontos relevantes Caracterização Notação Na generalidade das situações empresariais os acionistas e os outros utilizadores
Envolvente mais instável, maior imprevisibili-
1 Envolvente dos negócios. F1 PJ 5. não estão numa posição de verificarem e validarem pessoalmente a qualidade das
dade e incerteza.
demonstrações financeiras.
Abordagem financeira e não financeira e
2 Âmbito da auditoria. inclusivamente de atividades sem reflexo F2
contabilístico. Estes cinco postulados, relacionados entre si, reportando-se unica-
3 Conceção de auditoria. Social: instrumento de controlo social. F3 mente à auditoria financeira. Nos três primeiros questiona-se o
valor da informação produzida pelos gestores e formulam-se hipóte-
Interesse público: stakeholders, no sentido
4 Interesse na auditoria. F4 ses quanto à sua qualidade, o que sugere que os auditores confe-
mais amplo.
rem a essa informação uma maior credibilidade ao facultarem uma
5 Informação como bem económico. Bem público. F5
informação mais útil, suscetível de ser considerada no processo de
6 Responsabilidade de auditor. Social. F6 tomada de decisão. Por outro lado, deduz-se que os investidores,
7 Forma vs. Substância. Substância em detrimento da forma. F7 financiadores e outros não confiam no correto uso dos recursos
Existência de conflitualidade entre os agen- pelos gestores, em virtude de estes poderem utilizar em benefício
8 Relações entre agentes. F8
tes e os vários principais. próprio, surgindo, deste modo, a teoria da agência como explicativa
Em todas as circunstâncias e não só por do processo de auditoria. A função auditoria surge na convicção de
9 Continuidade da empresa. F9
exceção. que o auditor pode providenciar um grau de segurança aos utiliza-
Esta tarefa do auditor está no alcance da
10 Deteção de erros, omissões e fraudes. F10 dores da informação financeira. Como a informação desempenha
auditoria, por esta ter uma função social.
Característica mais importante da atualmente um papel fundamental na criação de riqueza, e é utiliza-
11 Relevância. F11
informação financeira. da como fator competitivo de principal importância, existe uma ne-
Risco: empresarial, de negócio ou estratégi-
12 Risco de auditoria. F12 cessidade profunda, sentida em termos gerais pela sociedade, de
co. credibilizar e certificar a relevância e a fiabilidade das informações
Transcende o conceito de true and fair view,
13 True and fair view. F13 financeiras, estando a auditoria bem posicionada para validar a
admitindo a existência de outros padrões.
A linearidade e a extrapolação, nesta abor- informação e contribuir para o crescimento da sociedade (Knechel,
14 Linearidade vs. Incerteza. dagem carecem de sentido, tendo em conta F14 2001:5). Os dois últimos postulados salientam a necessidade de
a envolvente dos negócios. regulamentação da auditoria, face ao afastamento dos acionistas
Mais amplas do que as meramente técnicas:
15 Responsabilidades da auditoria. F15 em relação à gestão da empresa e de outros utilizadores da infor-
a responsabilidade da auditoria é social.
Fundamentais para desenvolver o processo mação financeira.
Independência, estatuto profissional, e
16 de auditoria: sem independência a auditoria F16
condução ética.
nada vale. O PJ 1 é considerado, no conjunto dos três, como o mais importan-
Necessidade de recurso a auditoria
17 A auditoria interna pode ser suficiente. F17 te para sedimentar a teoria da auditoria empresarial. Contudo, tem
externa.
de ser observado com alguma relatividade na sua aplicação. Pres-
Lee (1993:4) refere a existência de três grupos de postulados para supõe a existência de interesses externos significativos: assim, a
fundamentar a estrutura axiomática da auditoria. fundamentação da sua aplicação a pequenas empresas merece
uma reflexão crítica. Por outro lado, as grandes organizações que,
O primeiro grupo de postulados é considerado âncora para justificar dentro do conceito de corporate governance, já identificado por
o quadro assumptivo em que assenta a existência da auditoria. O Sherer e Kent (1983), fomentam e potenciam a sua auditoria interna
segundo enfatiza a ação do auditor e os aspetos comportamentais a um nível elevado podem não ter necessidade da auditoria exter-
da auditoria e, por último, o terceiro relaciona-se com os aspetos na, tal como ela é sugerida neste postulado. Apesar disso, para a
funcionais da auditoria, isto é, com a sua matriz de procedimentos. generalidade das empresas, o postulado é válido.
Vejamos o grupo de postulados justificativos (PJ):

