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A função de auditoria deve abarcar informação para além da presta- Factor Gerador
da pela contabilidade, envolvendo aspetos relacionados com o
value for money, ou seja, a economia, a eficiência e a eficácia da Existência de uma relação de responsabilidade de prestação de
gestão das organizações. É, assim, considerada, à semelhança de contas ou de responsabilidade pública
Sherer e Kent (1973) como um mecanismo de controlo, por verificar
e monitorizar a conduta e a performance das organizações (Flint,
1988:12). A auditoria fundamenta-se, deste modo, numa necessida- Efeitos
de social, envolvendo uma interação entre os auditores, os organis-
mos de auditoria e um conjunto de grupos sociais. Demonstração da
responsabilidade Recurso à auditoria
Na mesma linha de pensamento, Mautz e Sharaf (1961:2) afirmam
que a função que o auditor atribui a si próprio, pode ser aceite ou Independência e
rejeitada pela sociedade. Assim, ou o grupo encontra um papel liberdade de investigação Estatuto adequado
aceite pela sociedade ou desaparece. A sociedade, em constante
mudança, pode não aceitar papéis formalmente aceitáveis e, por Observação da conduta,
isso, os grupos profissionais devem estar em constante alerta e do desempenho e das Comprovação
recetivos à modificação e à revisão do seu papel. Tincker (1982:58) asserções
argumenta que a auditoria tem de ser enquadrada num contexto
sociopolítico e num modelo de regulamentação empresarial, em que Padrões de referência Avaliação, desempenho,
o dever de prestação de contas é a sua característica fundamental. KPI (1) benchmarking
O enquadramento da auditoria num contexto social e a sua procura Valor da informação e
cada vez mais intensa face à exiguidade de recursos nas organiza- auditoria Qualidade da mensagem
ções públicas e privadas, são os detonadores que conferem à fun-
ção um papel importante de mecanismo de controlo da sociedade.
Neste espírito, o processo de auditoria consiste em verificar o grau Justificação social da Análise Custo-Benefício
de cumprimento em relação a um conjunto de normas específicas auditoria
que derivam do sistema social, abrangendo, por isso, matizes de (1) - KPI – Key Performance Indicators
carácter cultural, social e político.
O fator gerador da auditoria define a sua essência assente na
A auditoria, na conceção de Flint (1988:13), tem uma clara depen- existência de uma relação de responsabilidade, de prestação de
dência cultural. De facto, o conceito pode permanecer constante no contas ou de responsabilidade pública. A auditoria existe porque
tempo, enquanto a prática da função pode e deve adaptar-se aos há necessidade de provar a validade das informações financeiras
valores da sociedade, às suas exigências e necessidades atuais. produzidas por quem tem o dever de prestação de contas, sendo
Aqueles, estando em contínua mutação, necessitam por parte dos seu o desempenho avaliado em função de um critério estabeleci-
auditores de respostas adequadas em relação aos problemas emer- do a priori.
gentes de novas conceções e valores sociais.
A qualidade da informação é importante para os utilizadores. To-
Auditoria e interesse público são duas faces da mesma moeda: os davia, o seu valor é limitado até ao momento de ser submetida a
auditores devem expressamente reconhecer não só o seu cliente, uma verificação independente que ateste a excelência da informa-
como interessado no seu trabalho, mas também, todo um conjunto ção financeira ou não financeira. Como corolário, a fiabilidade e a
de entidades que nele confiam, situação que lhe confere um interes- credibilidade da informação prestada, por cada uma das partes
se público manifesto. envolvidas numa relação de responsabilidade pela prestação de
Nesta conceção abrangente da auditoria, Flint (1988:19-41) conce- contas, explica a condição primária para a existência de uma
beu um conjunto de axiomas e de princípios gerais, sobre os quais auditoria. Este fator gerador sugere uma justificação da auditoria
repousa o seu sistema postulacional. As bases propostas, sendo o baseada na teoria da agência. Esta situação insere-se no meca-
alicerce do desenvolvimento da teoria da auditoria, descrevem nismo de atribuição de responsabilidades, que o conceito social
também as suas características intrínsecas e constituem um pa- de auditoria necessariamente incorpora.
drão de comparação para os potenciais problemas de auditoria que
se coloquem na sua aplicação e desenvolvimento prático. O siste- Os efeitos derivados decorrem da adoção, tendo em conta o con-
ma postulacional de Flint não cataloga os postulados, mas foca o ceito amplo de auditoria proposto, de quatro referenciais básicos:
factor gerador da auditoria e os seus efeitos derivados. Vejamos: verificação e comprovação, responsabilidade, independência e
ética e económico.
a) Referencial de verificação e comprovação: a este referencial
está ligado um postulado justificativo e outro funcional:
– As questões centrais relativas à responsabilidade apresen-
tam-se muito dispersas, são complexas e/ou de grande

