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         OS  SISTEMAS  POSTULACIONAIS  DE  FLINT  E
         LEE     NUMA      PERSPETIVA        HISTÓRICA:
         EVIDÊNCIAS DA AUDITORIA COMO FENÓMENO
         SOCIAL



          Bruno José Machado de Almeida
          Escola de Negócios de Coimbra – ISCAC Business
          School
          –Investigador do CERNAS
          brunojmalmeida@gmail.com




         Resumo                                               dade suficiente  sem uma verificação formal e independente. Este
                                                              investigador  parte  do  pressuposto  de  que  existe  um  contexto  de
         O  objetivo  deste  trabalho  é  comparar  os  sistemas  postulacionais   assimetria de informação entre os agentes e os principais, sendo os
         apresentados  por  Flint  (1988)  e  por  Lee  (1996)  com  o  intuito  de   últimos mais afetados pelo chamado risco de informação. São exa-
         realçar as suas semelhanças e diferenças. Para isso, tomando por   tamente  as  dúvidas,  como  sugere  Lee  (1993:19),  as  incertezas
         base a literatura existente no plano internacional, utilizámos um mix   inerentes às contas apresentadas e divulgadas pela empresa, bem
         de metodologias descritivas e de base empírica consideradas ade-  como o exercício de uma multiplicidade de julgamentos subjetivos,
         quadas  para  o  efeito.  Os  resultados  obtidos  permitem-nos  inferir   que tendencialmente são suscetíveis de afetar os diferentes grupos
         que  os  sistemas  postulacionais  propostos  radicam  numa  filosofia   interessados na atividade da empresa ou organização. A par dos
         comum, tendo por base a teoria da agência, mas as conclusões a   postulados  justificativos  da  auditoria,  ambos  os  autores  -  Lee
         que chegam aqueles autores são divergentes quanto ao alcance e   (1993:93-144) e Flint (1988:48-96) - acrescentaram postulados de
         aos objetivos da auditoria, ao papel da auditoria interna, à deteção   tipo  comportamental  e  de  tipo  funcional.  Os  primeiros  apontam  a
         de erros e fraudes e aos padrões de referência indispensáveis para   auditoria como uma função de serviço em que a sua qualidade de-
         se proceder à atribuição de responsabilidades aos agentes enqua-  pende essencialmente dos atributos pessoais dos auditores: a inde-
         drados numa relação de accountability.               pendência,  a  ética,  a  competência  e  a  integridade  são  condições
                                                              valorizados por ambos os professores. A existência deste tipo de
         Palavras-chave:  auditoria,  postulados,  estrutura  concetual,  audit   postulados  e  da  sua  concetualização  tem  subjacente  afirmações
         society, expectation gap.                            concebidas a priori sobre as características de comportamento do
                                                              auditor que conduz a auditoria. Estes postulados justificam ainda a
                                                              existência de um quadro jurídico que configura um conjunto de direi-
          1. Introdução                                       tos,  regulamentos,  privilégios  e  adequadas  proteções  para  que  a
                                                              função de auditoria se desenvolva com qualidade e independência.
         Estes autores, à semelhança de Mautz e Sharaf (1961) e Sherer e   Os  postulados  funcionais  apresentados  visam  enquadrar  aspetos
         Kent (1983), partem do principio da necessidade de dotar a audito-  específicos  da  atividade  da  auditoria:  procedimentos  de  auditoria,
         ria de uma adequada estrutura teórica, de carácter geral, estrutura-  qualidade das contas anuais e a existência de padrões suscetíveis
         da na lógica dedutiva do conhecimento, à semelhança da estrutura   de aferir os atributos supracitados, bem como um conjunto de supo-
         concetual,  já  existente,  para  a  contabilidade  financeira  (Pérez,   sições relacionadas com o comportamento ético dos preparadores
         1996:132). Com efeito, Flint (1988:19-20) e Lee (1993:11) apresen-  da  informação  financeira  e  dos  responsáveis  da  empresa  (Lee,
         taram um conceito social para a auditoria com o objetivo de justificar   1993:73; e Flint, 1988:19). Desenhado globalmente o tema objeto
         a sua existência, explicar as condutas e ações dos auditores e com-  de investigação, procedemos, no segundo capítulo, a uma revisão
         preender os procedimentos de auditoria. Enquanto que Flint (1988)   da bibliografia publicada sobre o tema. Na terceira parte apresenta-
         apresentou os postulados de uma forma global e sem os diferenci-  mos a metodologia de investigação. No quarto capítulo cotejamos
         ar, Lee (1993) criou, à partida, as seguintes tipologias: postulados   analiticamente os sistemas postulacionais. No quinto analisamos os
         justificativos, comportamentais e funcionais. Para dotar o estudo de   resultados, para no sexto capítulo procedemos à sua discussão. Por
         uma  base  homogénea  de  análise  procedemos  à  conversão  dos   fim, concluímos e apresentamos as limitações do trabalho e faculta-
         postulados de Flint, de acordo com a metodologia de Lee (1993).   mos sugestões para novas investigações.
         Nos postulados propostos, ambos os autores (Flint, 1988:22; e Lee,
         1993:11) enfatizaram os incentivos que têm os agentes económicos
         para procurar um mecanismo institucionalizado de controlo externo
         da atividade económica: a auditoria. Apontaram, também, a existên-  2. Revisão da bibliografia
         cia de uma relação de accountability que se deve conduzir a uma
         conduta diligente na afetação dos recursos. Todavia, Lee (1993:73)   Os postulados dos autores em estudo não têm sido objeto de um
         referiu  que  a  informação  contabilística,  devido  ao  comportamento   profundo debate no seio académico e, de uma maneira geral, são
         egoístico dos agentes, na maioria das empresas, não tem credibili-  desconhecidos  ou  omitidos  pelos  autores  de  livros  pedagógicos
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