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         talismo, que, em última análise, ditam a conceção dos postulados   Assim,  os  postulados  justificativos  são  densificados  através  dos
         pelos diferentes autores. As propostas de Flint (1988) e Lee (1993)   seguintes elementos ou atributos: credibilidade, accountability, afas-
         são contextualizados numa envolvente de competitividade em con-  tamento/  complexidade,  teoria  de  agência,  lei.  Este  conjunto  de
         texto  de  incerteza,  caracterizado  pela  emergência  do  primado  do   elementos  na  totalidade  ou  de  forma  fragmentada,  explicitamente
         consumo e do marketing, que secundarizou o primado da produção   ou  implicitamente,  é  referido  por  Louwers  et  al.  (2013:1-32),  Lee
         que envolveu a conceção das SP de Mautz e Sharaf (1961).   (1993:93-100); Messier et al. (2012:3-23), Arens et al. (2010:3-14),
                                                               Whittington e Pany (2010:1-31), Pérez (1996:56-57), Sierra Molina
         Da  comparação  efetuada  resultaram  algumas  quantificações  que   (1996: 2-25).
         conferem ao estudo uma base empírica, ainda que minimalista.
                                                               Os  conteúdos  que  dão  corpo  aos  aspetos  comportamentais  dos
         Antes de iniciarmos a análise comparativa dos sistemas postulados,   preparadores da informação financeira, gestores e auditores, refe-
         formulámos as seguintes hipóteses:                    rem-se essencialmente à existência ou não de conflitualidade entre
                                                               os agentes, aos códigos de ética e outras medidas de enforcement
          H1. Ambos os sistemas postulacionais conferem idêntica impor-  que condicionam o comportamento de todos dos agentes inseridos
             tância a todos os postulados da auditoria.        neste  espaço  profissional,  à  independência  do  auditor  e  ao  seu
          H2. Os sistemas postulacionais facultam uma importância similar   comportamento e ao reflexo de toda esta problemática no relatório
             aos postulados comportamentais e funcionais.      de auditoria. Estas situações são referidas, entre outros, por Sherer
          H3.  O  número  de  postulados  apresentado  difere  de  autor  para   e  Kent (1983:9), Lee (1993:93), Flint (1988:7), Almeida (2005:39-
             autor.                                            50), Knechel (2001:1-7), Messier et al. (2012:57-60), Whittington e
          H4. As teorias para justificar a existência de auditoria na socieda-  Pany (2010:63-103).
             de diferem entre os autores.
          H5.  A  problemática  da  continuidade  da  empresa  é  tratada  de   Por sua vez, os postulados funcionais que orientam o processo de
             forma ilegal nos postulados propostos.            auditoria e constituem um guia para enquadrar a ação são preenchi-
          H6. A teoria da auditoria, subjacente aos postulados, aponta para   dos  com  a  problemática  do  referencial  contabilístico,  ou  qualquer
             que a deteção de erros e fraudes esteja no seu âmbito e al-  outro  padrão  de  medida  que  possibilite,  baseado  em  evidências
             cance.                                            verificáveis  e  submetidas  a  um  referencial  económico  de  custo/
          H7. A independência em auditoria, o estatuto e a dimensão ética   benefício,  a  comprovação  e  imputação  de  responsabilidades.  A
             são referidos em ambos os postulados e considerados, pelos   ética, o ambiente do controlo e a extrapolação dos resultados inte-
             autores, como fundamentais.                       gram ainda esta categoria de postulados. Todos estes elementos
                                                               são referidos pelos teoristas de auditoria, entre, os quais salienta-
          4.  Análise comparativa dos sistemas postulacionais   mos: Lowers et al. (2012:168-210), Porter (2004:363-406), Arens et
                                                               al. (2010:289-332), Messier el tal. (2012:183-223).
         Para responder a este conjunto de hipóteses relacionadas com os
         objetivos e a procura da auditoria, comportamento dos agentes e   A abordagem da auditoria proposta pelo inglês Flint é de uma gran-
         processo  de  auditoria,  utilizámos  o  método  comparativo  definindo   de abrangência. Este autor defende que toda a construção teórica
         previamente  o  conteúdo  dos  postulados  justificativos,  comporta-  da auditoria deve ser baseada no seguinte pensamento:
         mentais e funcionais, através da definição de um conjunto de ele-
         mentos  constitutivos  que  lhe  dão  corpo,  evidenciado  no  quadro   O conceito social de auditoria compreende um exame realiza-
         seguinte.                                               do  por  uma  determinada  pessoa,  independente  das  partes
                                                                 envolvidas, que compara o produto final com os objetivos e
                                                                 comunica  os  resultados  obtidos:  é,  portanto,  uma  parte  es-
                      Quadro 1—postulados básicos da auditoria.
                           Postulados básicos da auditoria       sencial do sistema de mecanismo de controlo público e priva-
                                                                 do.

           Justificativos      Comportamentais      Funcionais   Esta conceção constitui a base da construção da axiomática, dos
                                                               processos  e  dos  normativos  da  auditoria,  que,  concetualizada  de

            Credibilidade    Relações entre os agentes         Referencial Contabilístico:   forma ampla, permite abarcar as atividades não financeiras e inclu-
                                               Comprovação/padrão   sivamente atividades sem processamento contabilístico. Flint (1988)
            Accountability    Imposições Legislativas            estrutura e desenvolve o seu conceito de auditoria formulando um
                                               Custo-Benefício
            Afastamento/Complexidade   Formação/Competência            número básico de postulados sobre os quais repousa a teoria, per-
                                               Controlo Interno   mitindo, desta forma, o desenvolvimento de princípios que permitam
            Teoria da agência   Independência                  alicerçar a sua prática. A sua conjetura permite uma interação com
                                               Ética           a sociedade, ao afirmar que é o negócio ou a ética pública (Flint,
            Lei           Parecer do auditor
                                               Extrapolação    1988:7)  que  a  auditoria,  em  última  instância,  procura  monitorizar.
                                                               Neste contexto, o conceito social de auditoria é adaptativo e a sua
                                                               interpretação operacional depende não só dos valores éticos, mas
                                                               também do valor de julgamento efetuado pela sociedade em rela-
                                                               ção aos aspetos a que a prestação de contas deve ser aplicada.
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