Page 22 - rcf126_Neat
P. 22
22
3 empresas e pelas áreas Judicial e Marca / Reputação, cada falta de recurso a outro tipo de estratégias defensivas comple-
uma indicada por 1 empresa. As restantes empresas não res- mentares ou adicionais.
ponderam a esta questão.
Foram duas as principais limitações do estudo empíri-
5. Conclusão co. A primeira decorreu da fraca participação no inquérito por
parte dos agentes envolvidos nas OPA’s. O estudo explorató-
Este artigo surge no contexto das combinações empre- rio desejado e concebido inicialmente foi limitado porque o
sariais resultantes de processos de F&A e tem como enfoque objetivo definido pode condicionar os inquiridos a revelar in-
específico as OPA’s. As combinações constituem estratégias formações acerca das operações que, muitas vezes, foram
frequentemente seguidas pelas empresas para crescerem e realizadas em ambientes hostis. Além disso, durante o inter-
para se internacionalizarem. O facto de o número de OPA’s valo temporal – superior a duas décadas – algumas das em-
realizadas em Portugal não ser muito elevado, comparativa- presas envolvidas nas OPA’s acabaram por ser incorporadas,
mente ao de outros países, justifica a necessidade de aprofun- vendidas ou dissolvidas, impossibilitando o contacto com os
dar o conhecimento sobre a forma como as empresas-alvo agentes intervenientes. A segunda consistiu na dificuldade do
reagem contra as iniciativas das empresas adquirentes. Esta acesso à informação, nomeadamente quanto aos intervenien-
foi a motivação para o nosso trabalho de investigação. tes nas OPA’s ou às participações que as empresas adqui-
rentes já dispunham nas empresas-alvo.
O objetivo principal do artigo consistiu na identificação
de uma hierarquia das estratégias defensivas que se mostra- Em termos de propostas de investigação futura reco-
ram mais eficazes para as empresas-alvo reagirem contra mendamos o estabelecimento de uma fase prévia de sensibi-
OPA’s hostis realizadas no mercado português. O estudo em- lização dos agentes envolvidos nas OPA’s, de modo a acede-
pírico baseou-se nas 14 respostas ao inquérito remetidas pe- rem a participar num novo inquérito, e o alargamento do estu-
los agentes das empresas que participaram nas OPA’s ocorri- do ao mercado ibérico, de modo a confrontar os resultados
das em Portugal entre o ano 2000 e o ano 2014. O levanta- deste artigo e a produzir novo conhecimento científico.
mento das OPA’s contou com a informação disponível nos
relatórios anuais e nos boletins de cotação da CMVM. Referências Bibliográficas
Foi adotado como requisito para cada OPA um nível de Anetie, “Manual de Fusões e Aquisições de Empresas
sucesso igual ou superior a 50% relativamente à oferta pro- no Sector das TIC”, <http://www.anetie.pt/userfiles/9/
posta, independentemente de ser uma aquisição total ou par- file/documentos/Coopera%C3%A7%C3%A3o%
cial. Devido ao número reduzido de inquéritos respondidos 20Competitiva/Manual%20de%20Fus%C3%B5es%
não foi possível confirmar na totalidade as hipóteses levanta- 20e%20Aq%20%20de%20Empresas%20no%
das para o objetivo proposto. As hipóteses H1 e H3 só pude- 20Sector%20das%20TIC%281%29.pdf>
ram ser confirmadas parcialmente, enquanto a hipótese H2
não se conseguiu confirmar. Bradley, M., Desai, A., and Kim, E. H. (1988),
“Synergistic gains from corporate acquisitions and their
Ainda assim, apurou-se que a Recompra de Ações – division between the stockholders of target and acquir-
que pode ser utilizada como defesa pré-proposta e como defe- ing firms”, Journal of Financial Economics, 21, 3-40
sa pós-proposta – foi a estratégia mais eficaz em mais de me-
tade dos casos. Contudo, as iniciativas para impedir o suces- Carvalho, Preciosa C. S. (2012), “Reacção dos Merca-
so das OPA’s, desenvolvidas pelas empresas-alvo, tiveram dos de Capitais aos Anúncios de OPA’s em Portugal:
consequências negativas nos domínios do tempo e da estraté- Um estudo de evento”, Dissertação Gestão das Orga-
gia. E os encargos financeiros suportados com a estratégia nizações, Instituto Politécnico de Bragança
defensiva levaram entre 2 e 4 anos a serem diluídos na maior
parte das empresas-alvo. Tendo sido utilizada sempre em Comment, R. & Schwert, G. W. (1995), “Poison or pla-
combinação com a Recompra de Ações, não foi possível iden- cebo? Evidence on the deterrent and wealth effects of
tificar a eficácia isolada da estratégia Super-Majority modern antitakeover measures”, Journal of Financial
Amendment nas duas vezes em que foi aplicada. O mesmo Economics, 39, 3-43
aconteceu com a estratégia Attack the Logico of the Bid e com
a estratégia Ação Judicial, embora a primeira com menos su- Demidova, E. (2007), “Hostile takeovers and defenses
cesso do que a segunda e, assim, classificadas como pouco against them in Russia.” Problems of Economic Transi-
eficaz e moderadamente eficaz, respetivamente. Também se tion, 50(5), 44-60
salienta que nunca existiu contra-operação, denunciando a

