Page 15 - rcf1101_Neat
P. 15

15





            Quanto à qualidade do afastamento também é visí-      Podemos  concluir  que  não  existe  relação  entre  as
         vel  que  é  muito  baixa,  na  medida  em  que  o  R   (R-  variáveis estudadas.
                                                      2
         square) explica apenas em 3,1%, 3,3%, 9,2%, 7,9%, 7%
         e 7%, respetivamente em 2003,2004,2005,2006,2007 e       Limitações do estudo
         2008, a variabilidade do passivo relativamente ao tipo de
         relatório de auditoria.                                  O facto de terem sido colocadas reservas e ênfases
                                                              relativamente ao passivo pode suscitar problemas relaci-
            Como  a  partir  de  2005  revela  valores  acentuada-  onados com a fiabilidade das demonstrações financeiras
         mente  divergentes,  retiramos  os  respetivos  outliers,  e   apresentadas  e  divulgadas,  o  que  afetaria  a  avaliação
         verificamos que o passivo passou a refletir uma distribui-  do volume dos passivos. No entanto, os ajustamentos a
         ção  mais  próxima  da  normal,  enquanto  o  mesmo  não   efetuar não prejudicariam a conclusão de que somente
         ocorre com a variável soma CLC. No entanto, no ano de   uma pequena parte do Relatório de Auditoria pode ser
         2008, o afastamento dos Hospitais que apresentam va-  explicada pela variável independente Passivo.
         lores anómalos faz aumentar o coeficiente de determina-
         ção para 15,9%, o que sugere que aquela percentagem      Sugestão para futuras investigações
         de  variabilidade  do  passivo  é  suscetível  de  explicar  a
         variabilidade da CLC, valor que indicia uma explicação   Desenvolver  o  estudo  até  2014  para  confirmar  ou
         ainda ténue.                                         não as conclusões deste estudo.

            6.  Conclusão
                                                                  Bibliografia
            O estudo enfatiza a análise dos relatórios de audito-
         ria emitidos pelos auditores dos Hospitais, EPE, no perí-  Almeida, B.J.M. (2014). Manual de Auditoria Finan-
         odo  de  6  anos  (2003-2008).  Os  passivos  identificados   ceira: uma análise integrada baseada no risco. Lisboa:
         nas demonstrações financeiras daquelas entidades atin-  Escolar Editora.
         gem valores impressionantes, que acabam por ser pa-
         gos com taxas moderadoras ou impostos pagos por to-      Altman, E.I. (1982). Accounting implications of failure
         dos os contribuintes portugueses. Em termos gerais, os   prediction  models.  Journal  of  Accounting,  Auditing  and
         resultados alcançados permitem-nos afirmar que apenas   Finance, p. 4-19.
         uma pequena parte da variabilidade total do CLC pode-
         ria ser explicada pela variável independente Passivo.    Arens, A. A., Elder, R. L., Beasley, M. S. (2010). Au-
                                                              diting and Assurance Services: An Integrated Approach.
            O quadro seguinte condensa os resultados obtidos   13. ed. Prentice Hall.
         do coeficiente de determinação, R , por ano e variável, e
                                       2
         pode  constatar-se  que  a  variabilidade  explicada  varia   Beaver,  W.H.  (1996).  Financial  ratios  as predictors
         entre 0,5% e um máximo de 9,2% no Passivo em 2005.   failure. Supplement to Journal of Accounting Research,
                                                              p. 71-111.
            Repetindo a análise após retirar do ficheiro as ocor-
         rências  com  valores  discrepantes  (anos  de  2005  a   Deakin, L.B. (1972). A Discriminant Analysis of Pre-
         2008), apenas em 2008 se obteve uma melhoria do coe-  dictors  of  Business  Failure.  Journal  of  Accounting  Re-
         ficiente de determinação, que passou para 15.9%.     search, 10(1), p. 167-179.

                                                                  International Federation of Accountants. (2009). ISA
                                          2
             Tabela 14 – Coeficiente de determinação R  por ano e variável
                                                              265:  Communicating  Deficiencies  in  Internal  Control  to
                            2003   2004   2005   2006   2007   2008   Those Charged with Governance and Management. New
                                                              York: IFAC.
        Passivo com todas as ocorrências  0,031   0,033   0,092   0,079   0,007   0,005

        Passivo sem os outliers   -   -   0,092   0,001   0,001   0,159
                                                                  International Federation of Accountants. (2009). ISA
                                                              320:  Materiality  in  Planning  and  Performing  an  Audit.
   10   11   12   13   14   15   16   17   18   19   20