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encontrar um equilíbrio entre as necessidades das em- O cerne do problema da fileira florestal nacional é
presas e a capacidade produtiva da floresta. Para este uma contínua degradação na relação entre a oferta e a
efeito, as indústrias, segundo o estudo referido, deveri- procura de matérias- primas.
am congelar a sua capacidade produtiva ao mesmo tem-
po que até 2006 deveriam ser instalados 70 mil hectares No estudo já referido era proposta a florestação de
de novos povoamentos/ano. A grandeza desta meta po- 700 mil hectares no espaço de dez anos (até 2006), dis-
de ser avaliada se tivermos em conta que desde 1981 tribuídos da seguinte forma: 400 hectares de pinheiro,
só foram instalados cerca de 342 mil hectares de novos 100 hectares de eucalipto, 100 hectares de sobreiro e
povoamentos, à média de 25 mil hectares/ano. 100 hectares de outras espécies de crescimento rápido.
De acordo com a distribuição da floresta, é impor- No caso do eucalipto, a proposta previa uma altera-
tante a adoção de medidas que visem o emparcelamen- ção na localização habitual e atual do eucaliptal, visto
to florestal, mexendo-se no perfil estrutural do sector. O que, muitos deles, já estão na terceira e quarta rotações,
quadro atual, em que o número de proprietários com devendo ser relocalizados em zonas mais produtivas.
menos de 20 hectares ronda os 36% da floresta em pro- Da mesma forma deveria proceder-se com o sobreiro.
dução, aponta sem equívocos, para uma política de in- Os “novos solos” deveriam ser aqueles que seriam li-
centivos fiscais que fomente o emparcelamento e a as- bertados pela agricultura menos competitiva e que
sociação de produtores. Mas, em contrapartida, terão de se estima atingirem valores próximos do milhão de hec-
ser penalizados aqueles que não aderirem aos incenti- tares (cerca de 50% localizados no Alentejo).
vos propostos o que, em último recurso deverá levar à
intervenção do Estado nas explorações abandonadas. É importante referir-se que cinco anos separam este
estudo do BPI do estudo da Monitor Company e que, tal
A partir destas medidas, a indústria transformadora como nessa altura, a floresta permanece adormecida,
teria de adequar-se à situação geral do país. Prioritaria- cada vez mais diminuída e incapaz de satisfazer as ne-
mente, competiria ao Estado promover o fomento do cessidades das indústrias, dela dependentes.
aproveitamento de desperdícios de madeira, não só no
momento do corte como nas serrações e na construção Por um lado, esta perda de autossuficiência, embora
civil, dando um contributo real para aliviar a pressão so- se constate que as indústrias de madeira em Portugal,
bre a floresta; nada disto foi tido em conta. em 1996, estavam a recuperar da recessão que as atin-
giu nos anos anteriores e, por outro, a necessidade de
As serrações funcionariam como “pivot” do sector,
não só pelos consumos diretos da madeira como pela preservar o desaparecimento da floresta, cuja conse-
quência seria tão nefasta como a conhecida “crise da
produção de desperdícios que deverão ser utilizados indústria têxtil”, determinavam recomendações de abran-
nas indústrias da pasta de papel e de aglomerados. damento no investimento na indústria da madeira, o que,
Esta situação da fileira florestal tornar-se-ia determi- sem contradizer a ideia central do referido relatório da
nante, ao passar por um compasso de espera quanto a Monitor Company, torna-a mais adequada à realidade
eventuais estratégias de crescimento, na deslocação atual.
das indústrias para países onde a matéria-prima é mais
barata e acessível. A resposta a este problema determinava a desloca-
ção das empresas mais capazes, para junto das áreas
onde abundam as matérias-primas, procurando reinsta-
lar-se em zonas onde haja uma oferta abundante de
matéria-prima, internacionalizando-se de uma forma sis-
temática e agregando-se a grupos já existentes. Trata-
se de um fenómeno natural dentro de um possível cená-
rio para o desenvolvimento do país e algumas empresas
portuguesas já “deslocaram” as suas atividades para
diferentes partes da “frente atlântica” (Brasil, África, Es-
tados Unidos, Canadá, etc.).
Fonte: BPI,Agro Ges, Jaakko Poyry

